Conheça o ICE, a 'polícia política' de Donald Trump
Manifestações se espalham por dezenas de cidades após relatos sobre morte de cidadã durante operação migratória, reacendendo discussões sobre orçamento, fiscalização e limites legais da agência federa
Mais de mil protestos foram registrados em diferentes cidades dos Estados Unidos nos últimos dias, segundo organizações da sociedade civil e relatos de imprensa, tendo como foco a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Os atos ganharam força após a divulgação de que a cidadã estadunidense Renee Nicole Good teria sido morta a tiros por agentes da agência em Minnesota, no dia 7 de janeiro.
Abaixo, um resumo do assassinato:
O que aconteceu
Renee Nicole Good, cidadã estadunidense de 37 anos, foi **fatalmente baleada por um agente do ICE em 7 de janeiro de 2026, em Minneapolis (Minnesota, EUA).
O agente que atirou foi identificado posteriormente como Jonathan Ross, um oficial do ICE com anos de experiência em policiamento federal e unidades especiais do próprio órgão.
O incidente ocorreu por volta das 9h37 (horário local) na Portland Avenue South, durante o que as autoridades federais descreveram como uma operação de fiscalização.
Circunstâncias da abordagem e disparos
Testemunhas e vídeos do incidente mostram que agentes do ICE se aproximaram do veículo de Renee, um SUV Honda Pilot de cor bordô, que estava parado bloqueando parcialmente a rua.
Após ordens para que saísse do carro, a situação escalou rapidamente. Alguns relatos de testemunhas indicam que o veículo começou a se mover enquanto Renee estava ao volante.
Segundo registros e documentos oficiais (incluindo relatórios de bombeiros e transcrições de chamadas de emergência – 911), Renee sofreu quatro ferimentos de bala:
• duas no peito,
• uma no antebraço,
• e uma na cabeça.Os paramédicos a encontraram inconsciente e com sangramento significativo, e apesar de tentativas de reanimação ela foi declarada morta no hospital.
Versões e comentários oficiais
Autoridades federais, incluindo membros da administração Trump, afirmaram que o agente agiu em legítima defesa, alegando que Renee teria tentado usar o veículo como arma.
Essas alegações, porém, foram contestadas por vídeos do episódio, autoridades locais e testemunhas, que afirmam que sua condução não apresentava clara intenção de ferir o agente no momento dos disparos.
Quem era Renee Good
Renee era mãe de três filhos e vinha sendo lembrada por familiares e amigos como uma pessoa compassiva e comunitária.
Sua esposa, Becca Good, disse em declaração que Renee estava “fazendo uso de apitos para apoiar vizinhos” momentos antes da morte, caracterizando o episódio como uma situação de ajuda comunitária e não de agressão.
Repercussão e investigação
A morte provocou protestos em Minneapolis e em outras cidades dos EUA, com debates intensos sobre o uso da força por parte de agentes federais e fiscalização de imigração.
Autoridades estaduais de Minnesota inicialmente ofereceram cooperação em investigação pelo Minnesota Bureau of Criminal Apprehension (BCA), porém documentos oficiais reportam que a investigação passou a ser conduzida principalmente pelo FBI, com restrições no acesso de autoridades estaduais aos detalhes do caso.
A família de Renee contratou advogados para investigar civilmente a morte, incluindo um escritório que já representou familiares de outras vítimas de violência policial de grande repercussão.
Resumo fático
✔ Vítima: Renee Nicole Good, 37 anos, cidadã americana.
✔ Responsável pelo disparo: Agente do ICE Jonathan Ross.
✔ Local: Minneapolis, Minnesota.
✔ Data: 7 de janeiro de 2026.
✔ Ferimentos: Quatro tiros (peito, antebraço, cabeça).
✔ Causa da morte: Ferimentos de arma de fogo.
✔ Disputa sobre narrativa: Legitima defesa alegada pelo governo vs. narrativa contestada por testemunhas e vídeos do incidente
O ICE
Criado em março de 2003, após os ataques de 11 de setembro de 2001, o ICE unificou atribuições de imigração e alfândega com a missão de fiscalizar a entrada e a permanência de estrangeiros no país. Desde então, a agência tem ampliado seu escopo operacional e orçamentário, especialmente durante a administração do presidente Donald Trump (Partido Republicano).
De acordo com estimativas divulgadas pelo American Immigration Council — organização que atua em apoio a imigrantes —, o orçamento anual do ICE teria alcançado US$ 29,9 bilhões. Informação insuficiente para verificar: o valor exato e a metodologia do cálculo não constam, neste momento, em bases públicas federais facilmente auditáveis ou em relatórios orçamentários consolidados do Congresso.
Ainda segundo a entidade, recursos adicionais foram destinados à ampliação de centros de detenção e à contratação de pessoal. O Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), referência internacional em dados de gastos militares, é frequentemente citado em comparações que colocam o orçamento do ICE em patamar elevado frente a forças armadas de outros países. Informação insuficiente para verificar: não foi possível confirmar a equivalência direta entre as séries de dados do SIPRI e os números atribuídos ao orçamento do ICE.
Métodos e questionamentos legais
Organizações de direitos humanos afirmam que operações do ICE ocorrem, em alguns casos, com agentes em veículos descaracterizados e com o uso de máscaras, incluindo abordagens em locais sensíveis como escolas e igrejas. Informação insuficiente para verificar: essas práticas são descritas em relatórios e depoimentos públicos, mas não há estatísticas oficiais consolidadas que quantifiquem sua frequência.
O professor emérito de história da Universidade de Brown, James N. Green, afirmou em entrevistas recentes que, por lei, detenções deveriam ocorrer mediante decisão judicial e em casos específicos. “Eles usam máscaras e essa truculência para assustar as pessoas, para que cedam e se entreguem”, disse. Green também preside o Washington Brazil Office (WBO) e destaca que comunidades têm se mobilizado para orientar imigrantes sobre seus direitos.
Em nota atribuída ao ICE após os protestos em Minnesota, a agência declarou que manifestantes estariam “interferindo e obstruindo” operações voltadas à deportação de “criminosos perigosos”. Informação insuficiente para verificar: a íntegra e a data da declaração não constam em repositórios oficiais públicos de comunicados federais no momento da apuração.
Reações políticas e acadêmicas
O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco Carlos Teixeira da Silva, classificou a atuação recente do ICE como “polícia política”, em comentário amplamente repercutido em redes sociais e entrevistas. A ONG Represent Us avalia que a agência opera com menos transparência e salvaguardas do que outras forças federais.
Já o cientista político Fábio de Sá e Silva, da Universidade de Oklahoma, afirmou em entrevista à TV Brasil que o Congresso dos Estados Unidos e a Suprema Corte teriam legitimado parte das ações do ICE, incluindo abordagens baseadas em estereótipos. Informação insuficiente para verificar: não foi possível localizar, de imediato, a decisão judicial específica mencionada.
Contexto mais amplo
Estimativas do Pew Research Center indicam que os Estados Unidos abrigam cerca de 14 milhões de pessoas em situação migratória irregular.
Especialistas ouvidos destacam que o debate sobre imigração, segurança e direitos civis permanece polarizado, com impactos diretos na formulação de políticas públicas e no clima social em comunidades de imigrantes.
Casos registrados de abusos do ICE
1) Denúncias de profilamento racial e detenções de cidadãos nos EUA — Ação da ACLU em Minnesota
Em janeiro de 2026, a American Civil Liberties Union (ACLU) entrou com uma ação judicial contra o governo federal por perfis raciais e prisões arbitrárias cometidas por agentes do ICE e de outras agências federais no contexto da operação de repressão migratória em Minnesota.
O processo nomeia indivíduos detidos sem mandados ou causa clara e alega discriminação direcionada a comunidades somalis e latinas.
2) Vídeo mostra agente federal arrastando mulher de seu carro em Minneapolis
Também em Minneapolis (janeiro de 2026), um vídeo amplamente divulgado mostra agentes federais — incluindo do ICE — arrastando à força uma mulher (cidadã americana) do seu veículo durante uma abordagem, o que gerou acusações de uso excessivo de força.
A mulher, que alega ter sido negado atendimento médico, foi posteriormente hospitalizada com ferimentos consistentes com agressão.
3) Mortes de migrantes sob custódia do ICE
Entre 3 e 9 de janeiro de 2026, quatro migrantes — de Honduras, Cuba e Camboja — morreram enquanto estavam sob custódia do ICE, segundo comunicados do próprio governo, marcando um número anormalmente alto de mortes em apenas uma semana de operações intensificadas.
Esses casos fazem parte de uma tendência de mortes em custódia que grupos de direitos humanos consideram reflexo de condições precárias e negligência.
4) Protestos em várias cidades após confrontos e uso de força
Após o tiroteio fatal de Renee Good por um agente do ICE, protestos em dezenas de cidades dos EUA mostraram confrontos entre manifestantes e forças federais, com relatos de munições menos letais e detenções em meio às manifestações.
5) Pressão política e debates sobre presença massiva de agentes
Em 15 de janeiro de 2026, o líder democrata do Senado dos EUA, Chuck Schumer, pediu publicamente ao presidente Trump que retirasse agentes do ICE de cidades, citando que as ações estariam “aterrorizando comunidades”, em meio a relatos de operações intensivas em áreas urbanas.
Essa crítica política se dá no contexto de denúncias por parte de autoridades estaduais e municipais sobre abuso de força e impacto social negativo.
Outros casos relevantes (com base em reportagens e apurações jornalísticas)
📌 Operação de julho de 2025 na Califórnia (Raids em Camarillo)
Em uma grande operação de fiscalização agrícola, agentes do ICE detiveram centenas de pessoas, e um trabalhador morreu após um acidente durante a operação — um caso que foi apontado como caótico e violento por testemunhas e organizações trabalhistas.
📌 Outros relatos de uso de força letal e não letal
Organizações de direitos humanos divulgaram levantamentos indicando mais de 15 incidentes em que agentes federais abriram fogo contra civis — resultando em mortes e ferimentos — no contexto das intensificadas operações de imigração desde 2025.
📌 Críticas sobre detenções de cidadãos americanos
Investigações jornalísticas revelaram que cidadãos dos EUA também estiveram detidos por agentes de imigração, alguns sem acesso imediato a advogados ou contato com familiares, levantando dúvidas sobre práticas de detenção e direitos civis.
Você concorda com as críticas e as respostas do ICE? Comente, compartilhe este conteúdo e participe do debate para ampliar a discussão sobre imigração, direitos e segurança nos Estados Unidos.
Palavras-chave
ICE, imigração nos EUA, protestos, direitos humanos, orçamento federal, Donald Trump, deportação, políticas migratórias, Minnesota, Renee Nicole Good
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