XP processa empresário por ligar corretora ao caso Master
Luiz Guilherme Camasmie é alvo de ação criminal após declarações no podcast "Caravelas"; corretora nega vínculo com fraudes do Banco Master e pede indenização mínima de R$ 50 mil
Leitura: 6-8 min
Em resumo
A XP Investimentos ingressou com queixa-crime por difamação contra Luiz Guilherme Camasmie, CEO da LGAC Comunicações, por falas no podcast “Caravelas” que associam a corretora às fraudes do Banco Master
Camasmie já era alvo de inquérito movido pelo próprio Banco Master por mensagens em grupo de WhatsApp; ele alega sofrer retaliações, incluindo ataques cibernéticos, após se posicionar sobre o caso
O escândalo do Master, liquidado em novembro de 2025, deixou um rombo superior a R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), consolidando o maior colapso bancário da história recente do Brasil
Por que isso importa: O caso testa os limites entre liberdade de expressão, responsabilidade jornalística e proteção reputacional no mercado financeiro — e pode definir precedentes para como o setor lida com críticas públicas em meio a crises sistêmicas.
A XP Investimentos, uma das maiores corretoras do país, ingressou com uma queixa-crime por difamação contra o empresário Luiz Guilherme Camasmie (CEO da LGAC Comunicações e do Market Live), após declarações feitas por ele no podcast “Caravelas” que associam a instituição ao escândalo de fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro (banqueiro preso em março de 2026). A ação, protocolada em abril de 2026, pleiteia indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais e a condenação criminal do empresário.
O que dizem as partes
A XP sustenta que as falas de Camasmie são “falsas e levianas” e teriam prejudicado sua reputação no mercado financeiro. Em documentos judiciais, a corretora afirma que o empresário busca criar uma “grave confusão conceitual” e “induzir seus espectadores a erro” ao sugerir que a XP teria responsabilidade direta nas fraudes do Master ou teria financiado Vorcaro.
“A XP distribuiu títulos do Banco Master após a instituição atender critérios técnicos e regulatórios vigentes em 2021, conforme procedimentos de due diligence”.
Camasmie, por sua vez, nega ter cometido qualquer ilícito. Ele alega que suas declarações se basearam em informações públicas e que passou a sofrer pressões e retaliações após se posicionar sobre o caso Master — incluindo ataques cibernéticos e a derrubada de seus números de WhatsApp. No ano passado, ele acionou as autoridades para apurar possíveis crimes de perseguição, invasão de dispositivo móvel e estelionato. A investigação segue em curso.
Contexto: o escândalo do Banco Master
Para compreender a gravidade das acusações, é necessário revisitar o colapso do Banco Master. Liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, o banco de Vorcaro deixou um rombo estimado em mais de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o maior da história recente do sistema financeiro brasileiro.
A investigação da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, aponta que o Master emitiu títulos de crédito sem lastro real, vendendo carteiras de crédito fictícias a instituições como o Banco de Brasília (BRB). O esquema envolvia uma empresa de fachada chamada Tirreno e contava, segundo a PF, com a conivência de servidores do Banco Central indicados durante a gestão de Roberto Campos Neto.
A XP foi uma das principais distribuidoras dos títulos do Master no varejo. A corretora defende que os produtos cumpriam os requisitos técnicos na época da comercialização e que a liquidação do banco foi um evento posterior, imprevisível no momento das vendas.
Duas frentes judiciais, um mesmo alvo
O empresário Luiz Guilherme Camasmie já era alvo de uma notícia-crime movida pelo próprio Banco Master antes da ação da XP. Naquele caso, o banco o acusava de difamação por mensagens enviadas em um grupo de WhatsApp onde compartilhava informações sobre gastos exorbitantes de Vorcaro e supostos desvios de recursos.
Agora, com a queixa-crime da XP, Camasmie enfrenta duas frentes judiciais simultâneas relacionadas ao mesmo tema. Seus advogados, do escritório Mentoni Pacheco, sustentam que não houve inveracidade nas informações divulgadas e aguardam a conclusão dos inquéritos para tomar as medidas cabíveis.
“A liberdade de crítica e o interesse público devem prevalecer quando se trata de escândalos que afetam milhões de investidores e a estabilidade do sistema financeiro”.
O que está em jogo: reputação, mercado e precedentes
O caso vai além de uma disputa entre partes. Ele coloca em debate questões centrais para o mercado financeiro e para a democracia:
Limites da crítica: Até que ponto analistas, jornalistas e influenciadores podem se manifestar sobre instituições financeiras sem incorrer em responsabilidade civil ou criminal?
Transparência na distribuição de produtos: Qual o dever de diligência de corretoras ao oferecer títulos de bancos sob investigação ou com modelos de negócio agressivos?
Retaliação e liberdade de expressão: Como proteger quem denuncia irregularidades de possíveis represálias judiciais ou extrajudiciais?
A XP tem histórico de ação judicial em defesa de sua reputação: em 2025, a corretora processou nos Estados Unidos a empresa de pesquisa Grizzly Research por um relatório que a acusava de operar um esquema de pirâmide. A postura sugere uma estratégia consistente de combate a narrativas que considera difamatórias.
Próximos passos
A queixa-crime contra Camasmie será analisada pela Justiça Federal. Caso o empresário seja denunciado pelo Ministério Público Federal, o processo seguirá para instrução probatória, com possibilidade de oitiva de testemunhas, produção de provas técnicas e, eventualmente, julgamento.
Paralelamente, as investigações sobre o escândalo do Banco Master seguem no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro André Mendonça, após a saída de Dias Toffoli do caso. A delação premiada de Daniel Vorcaro — ainda não formalizada — pode trazer novos desdobramentos para todas as partes envolvidas.
O embate entre XP e Luiz Guilherme Camasmie não é apenas sobre quem tem razão em uma disputa judicial. É um termômetro de como o Brasil lidará, nos próximos anos, com a tensão entre accountability e reputação no mercado financeiro. Em um momento em que a confiança dos investidores é um ativo tão frágil quanto essencial, a forma como instituições, críticos e Justiça negociam esses limites definirá não apenas o desfecho deste caso, mas o padrão para os próximos.
Se a XP obtiver vitória, poderá abrir caminho para ações mais agressivas contra críticos. Se Camasmie prevalecer, poderá fortalecer a tese de que o interesse público justifica manifestações duras — ainda que controversas — sobre instituições sob escrutínio. De um modo ou de outro, o caso Master continua a escrever capítulos que vão muito além dos balanços contábeis.
Receba análises como esta diretamente no seu e-mail. O Painel Político cobre os bastidores do poder no Brasil — com a visão de quem está no interior e vê o que Brasília não mostra. Assine
Palavras-chave (por ordem de prioridade):
XP queixa-crime Luiz Guilherme Camasmie
XP processo difamação podcast Caravelas
Banco Master escândalo Daniel Vorcaro
LGAC Comunicações Market Live
XP Investimentos reputação mercado financeiro
Fundo Garantidor de Créditos rombo Master
Operação Compliance Zero Polícia Federal
Daniel Vorcaro STF inquérito
Meta description: XP processa empresário por difamação após associar corretora ao caso Master. Entenda a ação, o contexto do escândalo e os impactos no mercado financeiro.
HASHTAGS
#PainelPolitico #BancoMaster #XPInvestimentos #MercadoFinanceiro #LiberdadeDeExpressao
Twitter/X: @painelpolitico | Instagram: @painelpolitico
LinkedIn: linkedin.com/company/painelpolitico
WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029Va4SW5a9sBI8pNwfpk2Q
Telegram: https://t.me/PainelP




