STF assume inquérito de insider trading envolvendo Nelson Tanure e operações da Gafisa
Decisão da Justiça Federal de São Paulo aponta conexão entre apurações sobre a Gafisa e o Banco Master, levando investigação por insider trading ao Supremo Tribunal Federal
A Justiça Federal de São Paulo decidiu, na última sexta-feira (16), remeter ao Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito que apura se o empresário Nelson Tanure cometeu insider trading em operações envolvendo a incorporadora Gafisa. A decisão foi proferida pela juíza federal Maria Isabel do Prado, que atendeu a um pedido da defesa do empresário.
O despacho, que tramita sob sigilo, fundamenta a transferência na existência de conexões entre o processo da Gafisa e as investigações que envolvem o Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Segundo a magistrada, há indícios suficientes de que os dois casos compartilham vínculos diretos e indiretos, o que justificaria a reunião das apurações no âmbito do STF.
Conexão entre investigações
Na fundamentação, a juíza menciona que a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em dezembro contra Tanure, no contexto das operações da Gafisa, também aponta relações com o inquérito que apura supostas fraudes na compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
De acordo com a Polícia Federal (PF) e o MPF, Tanure seria um “sócio oculto” do banco de Vorcaro, hipótese que o empresário nega publicamente. Em nota, Tanure afirma que manteve apenas relação de cliente com o Master nos últimos anos.
Risco de prescrição
A magistrada destacou o risco “iminente” de prescrição das investigações como um dos fatores que reforçaram a necessidade de urgência no envio do caso ao STF. Como Tanure tem mais de 70 anos, o prazo prescricional é reduzido pela metade, o que poderia levar à extinção do inquérito já no próximo mês.
Operação Compliance Zero
A representação da Procuradoria que embasou a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana passada, aponta que Tanure exerceria influência sobre o Banco Master “por meio de fundos e estruturas societárias complexas”. O empresário também nega essa versão.
Na ocasião da operação, o STF autorizou o bloqueio de bens de Tanure, medida que integra o conjunto de ações relacionadas às investigações conduzidas sob sigilo no tribunal.
Denúncia por insider trading
Em dezembro, o MPF denunciou Tanure por insider trading ao lado do empresário Gilberto Benevides, dono da incorporadora Upcon, adquirida pela Gafisa em uma das operações sob investigação.
Segundo a Procuradoria da República, a dupla teria atuado para inflar artificialmente o valor de mercado da Upcon, com o objetivo de ampliar o poder de voto na Gafisa após a operação de aquisição, realizada por meio de repasse de ações, e não com recursos do caixa da construtora.
Ainda conforme a denúncia, Tanure teria utilizado offshores e fundos de investimento para ocultar a proporção real de sua participação na Gafisa e a origem dos recursos empregados. A investigação teve origem em um processo administrativo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aberto a partir de denúncia do gestor da Esh Capital, Vladimir Joelsas Timerman.
“Modus operandi semelhante”
Ao justificar a remessa do caso ao STF, a juíza destacou que a narrativa da denúncia do MPF descreve práticas financeiras semelhantes às investigadas na Compliance Zero.
“Além dos aspectos subjetivos atinentes à vinculação de Nelson Tanure com o Banco Master e as demais instituições financeiras e fundos de investimentos supracitados, a narrativa constante na denúncia descreve modus operandi semelhante ao investigado na Operação Compliance Zero, consistente na emissão de títulos fraudulentos, visando à obtenção de vantagem indevida”, escreveu Maria Isabel do Prado.
Em outro trecho, a magistrada argumentou que, mesmo sem acesso direto ao inquérito do Banco Master, os elementos disponíveis nos autos da Gafisa indicam conexão suficiente para a mudança de competência.
“Os elementos constantes nos presentes autos, aliados à denúncia e à manifestação da defesa do acusado Nelson Tanure, evidenciam indícios de conexão intersubjetiva e/ou probatória suficiente a recomendar a reunião das investigações”, afirmou.
Com a decisão, o caso da Gafisa passa a tramitar sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, que já conduz o inquérito envolvendo o Banco Master e determinou sigilo absoluto sobre essas apurações.
Defesa de Tanure
Em nota pública, Tanure reiterou que nunca foi controlador ou sócio do Banco Master, “ainda que minoritário, direta ou indiretamente”. Segundo o empresário, suas relações com a instituição ocorreram apenas na condição de cliente ou investidor, em operações de crédito, fundos e participações societárias, “sem qualquer ingerência na gestão”.
“Há bastante tempo vínhamos reduzindo gradualmente nossa exposição ao referido banco. Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco”, afirmou.
A defesa também informou que o processo da Gafisa corre sob sigilo e, por isso, não comenta os desdobramentos. Em relação às investigações, Tanure declarou que permanece à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar.
Em manifestação assinada pelo advogado Pablo Naves Testoni, o empresário afirma:
“O empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure jamais enfrentou qualquer processo criminal em razão de suposta prática delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista.”
Impacto institucional
A remessa do caso ao STF centraliza, no mais alto tribunal do país, investigações que envolvem mercado financeiro, governança corporativa e relações entre agentes privados e instituições públicas, como o BRB. Especialistas em direito e mercado acompanham os desdobramentos, que podem influenciar futuras decisões sobre competência judicial, sigilo processual e responsabilização em operações financeiras complexas.
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