Soldado de 21 anos da PM de SP atira e mata mulher durante abordagem controversa; veja que se sabe
Imagens contradizem versão inicial de agressão e acendem debate sobre protocolos de uso da força e fiscalização de agentes recém-formados na Polícia Militar paulista
Em resumo
Vídeo da câmera corporal mostra que Thawanna da Silva Salmázio, 31, caminhava com o marido quando a viatura deu ré e iniciou a abordagem.
A soldado **Yasmin Cursino Ferreira** (21), responsável pelo disparo, afirmou ter reagido a um tapa; as imagens não registram agressão física prévia.
O Ministério Público de São Paulo e o DHPP conduzem investigações paralelas; os policiais envolvidos foram afastados e tiveram armas apreendidas.
Por que isso importa: o caso expõe lacunas na formação de novos policiais, no uso de câmeras corporais e na transparência de procedimentos letais — temas centrais para a segurança pública nacional.
A morte de Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos, baleada durante abordagem policial em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, na última sexta-feira, 3, ganhou novo contorno com a divulgação de imagens da câmera corporal de um dos agentes envolvidos. O vídeo, analisado pelo Ministério Público de São Paulo e pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, mostra a sequência dos fatos que culminaram no disparo efetuado pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, 21 anos, afastada da função após o ocorrido.
O que mostram as imagens da câmera corporal
As gravações, obtidas com exclusividade pela TV Globo, registram o interior da viatura conduzida pelo soldado Weden Silva Soares, que utilizava o equipamento de gravação individual. Às 2h58, a dupla policial entrou na Rua Edimundo Audran. Pouco depois, o retrovisor do veículo tocou o braço de Luciano Gonçalvez dos Santos, marido de Thawanna.
Weden parou a viatura, deu ré e proferiu: “A rua é lugar para você estar andando, ca***?”. Luciano respondeu com a gíria “Ô, Steve”, termo usado entre policiais. O agente retrucou: “Steve, o ca***!”. Thawanna então disse: “Não, não, com todo o respeito, vocês que bateram em nós”.
“Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?”, questionou Weden a Yasmin logo após o disparo. A resposta da soldado: atirou porque a moradora teria dado um tapa em seu rosto.
Nas imagens, é possível observar Yasmin descendo da viatura e Thawanna pedindo que ela não apontasse o dedo. Em seguida, o disparo é efetuado. Outra viatura chegou ao local às 3h; Weden prestou os primeiros socorros até a chegada do resgate, às 3h30. A dupla deixou o local em outro veículo.
Versões em confronto: família, testemunhas e Polícia Militar
A família de Thawanna sustenta que não houve abordagem formal e que o disparo foi desproporcional. Luciano relatou à TV Globo que a viatura passou em alta velocidade, quase atingindo o casal, e que Yasmin desceu e atirou sem aviso prévio: “Chegou oprimindo ela, deu um chute. Nisso que ela deu um chute, o policial estava com a mão na minha cabeça, com olhos arregalados. Teve disparo. Eu pensei que era bala de borracha”.
Uma testemunha que preferiu não se identificar corroborou a versão da família, afirmando que a viatura foi direcionada contra o casal intencionalmente. Segundo o relato, após Thawanna questionar “Vai atropelar?”, Yasmin desceu xingando e iniciou discussão. “A policial feminina deu um murro e um chute nas partes íntimas. Na reação, ela deu um tapa na mão da policial. Foi quando a agente se afastou e efetuou o disparo”, detalhou a fonte.
Já a versão oficial da Polícia Militar, registrada em boletim de ocorrência, afirma que a equipe fazia patrulhamento rotineiro ao avistar o casal caminhando no meio da rua. Segundo os agentes, Luciano teria se desequilibrado e batido no retrovisor. Ao retornarem para verificar, o homem teria gritado e desobedecido ordens. A PM alega que o casal apresentava sinais de embriaguez e que Thawanna partiu para cima de Yasmin, desferindo tapas — incluindo um no rosto —, o que teria motivado a reação defensiva da soldado.
Investigação em andamento e medidas administrativas
O Ministério Público de São Paulo instaurou procedimento próprio para apurar a morte de Thawanna, que não portava arma no momento do ocorrido. Paralelamente, o DHPP conduz a investigação criminal, enquanto a Corregedoria da PM analisa aspectos disciplinares.
A Secretaria da Segurança Pública informou, em nota, que “os policiais envolvidos foram afastados de suas funções e a PM que realizou o disparo teve a arma apreendida”. A pasta reforçou que “toda irregularidade é rigorosamente apurada e punida nas esferas administrativa e criminal”.
O caso também é alvo de Inquérito Policial Militar, que apura a conduta de todos os agentes acionados para apoio na ocorrência. As investigações incluem oitiva de testemunhas, análise das imagens das câmeras corporais e laudos periciais que já integram o conjunto probatório.
Câmeras corporais: avanço ou limitação na fiscalização?
O episódio reacende o debate sobre a eficácia e os limites das câmeras corporais como instrumento de transparência. Embora o equipamento usado por Weden tenha registrado parte crucial da ocorrência, a soldado Yasmin não portava o dispositivo por ser recém-formada e estar em período de adaptação — cerca de três meses de patrulhamento.
Especialistas em segurança pública apontam que a obrigatoriedade do uso por todos os agentes, independentemente do tempo de serviço, é fundamental para garantir a integridade das investigações. Além disso, a análise técnica das imagens exige protocolos claros de preservação, acesso e interpretação, sob risco de viés na apuração.
“A câmera corporal é uma ferramenta poderosa, mas não substitui formação adequada, supervisão constante e cultura institucional de respeito aos direitos humanos”, avalia um pesquisador da área ouvido pelo Painel Político com base em publicações especializadas.
Por que este caso importa para o Brasil
A morte de Thawanna não é um episódio isolado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que letalidade policial permanece elevada no país, com disparidades regionais e raciais marcantes. O caso de Cidade Tiradentes — bairro periférico da maior cidade do país — ilustra desafios estruturais: formação acelerada de novos policiais, pressão por resultados operacionais e fiscalização insuficiente de condutas.
Além disso, a divergência entre a versão oficial e as imagens disponíveis reforça a necessidade de mecanismos independentes de apuração. A atuação conjunta do MP-SP, DHPP e corregedorias é um passo positivo, mas a sociedade civil acompanha com legitimidade a exigência de celeridade e transparência.
O caso de Thawanna da Silva Salmázio coloca em teste a capacidade do sistema de justiça e das instituições de segurança em conciliar apuração rigorosa, responsabilização efetiva e prevenção de novos episódios. As imagens da câmera corporal são um ponto de partida, não de chegada. O que virá a seguir — nos inquéritos, nos tribunais e nas políticas públicas — definirá se o Brasil avança na construção de uma segurança pública que proteja tanto cidadãos quanto agentes, ou se repete ciclos de violência e impunidade.
A pergunta que fica: quando a tecnologia registra o que a palavra omite, quem decide o que é verdade?
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