Sindpesp acusa Tarcísio de Freitas de divulgar fake news sobre reajuste de 45% para a Polícia Civil de São Paulo
Sindicato dos Delegados aponta que 20 pontos percentuais do reajuste divulgado foram concedidos por João Doria — e desafia policiais a comprovarem o aumento no contracheque
O Governo do Estado de São Paulo, administrado pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), anunciou oficialmente que os policiais civis e militares paulistas acumularam reajuste salarial de 45,2% entre 2022 e 2025. O número, amplamente divulgado após reunião realizada em 23 de novembro com associações policiais, secretários de Estado e o próprio governador, tornou-se alvo de forte contestação pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), que classifica a divulgação como “fake news” e acusa o Palácio dos Bandeirantes de “maquiar dados” para inflar o desempenho da atual gestão na área de segurança pública.
A polêmica tem contornos políticos e técnicos relevantes. Segundo o Sindpesp, o percentual anunciado inclui 20 pontos percentuais concedidos ainda em 2022, durante a gestão do então governador João Doria Júnior — hoje sem partido —, que encerrou o mandato antes da posse de Tarcísio. Somados apenas os reajustes efetivados na gestão atual (2023 a 2025), o percentual cai para 25%, não 45%.
A conta que não fecha
O material elaborado pelo Governo de São Paulo e distribuído à imprensa após a reunião de novembro apresentou o acumulado salarial em um único bloco temporal, sem distinguir qual parcela foi concedida por qual administração. Para o Sindpesp, essa opção metodológica não é neutra — é, em suas palavras, “desinformação”.
“O governador Tarcísio Gomes de Freitas, em nota oficial do Governo do Estado, está considerando na conta um percentual que foi concedido por gestor que o antecedeu. Trata-se de desinformação aos policiais e à população. É fake news! Algum policial civil teve, no seu holerite, em São Paulo, um reajuste de 45%, nesta gestão (2023/2026)?”, questionou, em tom de desafio, a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares.
Quando se examina o período da gestão Tarcísio ano a ano, o quadro se revela ainda mais desfavorável aos policiais civis do que o percentual agregado poderia sugerir. Em 2023, primeiro ano do atual governador, o reajuste médio para policiais civis e militares foi de cerca de 20% — mas, dentro desse bolo, a Polícia Militar foi beneficiada com repasse proporcionalmente maior em detrimento da Polícia Civil. Para delegados, especificamente, o aumento variou entre 14,27%, concedido à classe especial, e 20,7%, para a 3ª classe. Em 2024, nenhum percentual foi concedido à categoria. Em 2025, veio reajuste linear de 5% para todo o funcionalismo público do estado.
“Importante lembrar que os anos de 2024 e 2025 foram marcados por perdas reais na remuneração em razão da inflação do período”, detalhou Jacqueline Valadares.
Contexto: uma promessa de campanha e o relógio eleitoral
A contestação do Sindpesp não é episódica. Desde o início da gestão Tarcísio, a entidade tem cobrado publicamente o cumprimento de promessa feita pelo então candidato em 2022: a reestruturação de carreiras e a valorização salarial da Polícia Civil. Em maio de 2023, quando o governador apresentou à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) proposta de reajuste para a categoria, o próprio sindicato recebeu o anúncio com ressalvas, classificando o percentual como insuficiente para reverter décadas de defasagem.
O cenário atual ganha urgência diante do calendário eleitoral. Com a janela de 180 dias antes das eleições — período em que governadores estão impedidos por lei de conceder reajustes a servidores — iniciando-se em abril de 2026, o tempo para que Tarcísio efetue qualquer aumento salarial antes do pleito é cada vez mais estreito. O governador é apontado como pré-candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
São Paulo: o estado mais rico, com um dos piores salários policiais
Os números apresentados pelo Sindpesp para contextualizar a crise salarial são expressivos. Conforme ranking organizado pela entidade, os vencimentos dos delegados de Polícia Civil de São Paulo — estado que lidera a arrecadação tributária do país — ocupam a 24ª posição entre as 27 unidades da federação e o Distrito Federal.
A defasagem, segundo Jacqueline Valadares, tem consequências diretas sobre o efetivo: entre 2023 e o momento atual, São Paulo perdeu 3.691 policiais civis, grande parte desmotivada pela desvalorização da carreira. O sindicato aponta que o déficit no quadro já era alarmante antes desse novo ciclo de saídas.
“A defasagem salarial dos policiais civis de São Paulo é tão gritante que, ainda que tivesse sido dado reajuste de 45%, não sairíamos do ranking dos piores vencimentos do Brasil. Entre 27 estados, estamos em 24º lugar. Na realidade, seria necessário um aumento aproximado de 100% nos holerites para igualar com os melhores do País em remuneração de delegados”, afirmou a presidente do Sindpesp.
A entidade lembra, ainda, que estados com arrecadação muito inferior à paulista remuneram seus delegados com valores significativamente superiores — tornando a situação de São Paulo, na visão do sindicato, uma anomalia estrutural que não pode ser mascarada por percentuais acumulados de gestões diferentes.
O que diz o Governo
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, em nota divulgada à imprensa em contexto recente, afirmou que a gestão Tarcísio concedeu reajuste salarial médio de 25,2% a todas as carreiras das forças de segurança, além de ter pago R$ 1,1 bilhão em bônus e contratado 11 mil novos policiais no período. O Governo do Estado também ressaltou que os investimentos em segurança atingiram R$ 19 bilhões em 2025, com previsão de R$ 21 bilhões para 2026.
A discrepância entre o percentual de 45,2% divulgado oficialmente e o de 25,2% citado em nota da própria SSP — ambos provenientes do Governo de São Paulo — reforça a inconsistência apontada pelo Sindpesp sobre como os dados foram apresentados publicamente.
Disputa que vai além dos números
Para o Sindpesp, a publicação oficial do Governo do Estado com o percentual de 45% não é apenas um erro metodológico — é uma peça de comunicação política com função estratégica: desviar a atenção de reivindicações concretas por reajuste real, reposição de efetivo e reestruturação de carreira. A entidade classifica a divulgação como tentativa de criar “discurso falacioso” às vésperas de um ano eleitoral.
A crise entre o sindicato e o Palácio dos Bandeirantes se insere num cenário mais amplo de tensão na segurança pública paulista. O próprio Sindpesp divulgou, recentemente, comparação entre os orçamentos de segurança do Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo, apontando que o prefeito Ricardo Nunes aumentou em 26% a verba da área para 2026, enquanto Tarcísio teria elevado o orçamento em apenas 3,6% — dado contestado pela SSP, que cita crescimento expressivo no período total da gestão.
O debate sobre os salários da Polícia Civil paulista, portanto, transcende a disputa entre sindicato e governo: toca em questões de transparência na comunicação pública, na capacidade do estado de reter profissionais qualificados em segurança e no impacto direto para a população que depende dos serviços prestados por uma corporação cada vez mais esvaziada.
💬 O que você acha dessa polêmica? Os policiais civis de São Paulo merecem reajuste real e imediato? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria nas suas redes sociais para ampliar o debate!
🔑 Palavras-chave (SEO) reajuste policia civil São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas segurança pública, Sindpesp fake news, salário delegado São Paulo, João Doria reajuste policial, valorização policia civil, déficit policia civil SP, segurança pública São Paulo 2025, crise salarial policia civil, Jacqueline Valadares Sindpesp
#️⃣ Hashtags #PainelPolitico #PolicíaCivil #Sindpesp #TarcísioDeFreitas #SegurançaPública #SãoPaulo #ReajusteSalarial #FakeNews #DelegatosDePolícia #PolicíaMilitar #ValorizaçãoPolicial #GovernoSP #JoãoDoria
🌐 Siga o Painel Político nas redes sociais: 🐦 Twitter: @painelpolitico 📸 Instagram: @painelpolitico 💼 LinkedIn: linkedin.com/company/painelpolitico
📲 Fique por dentro de tudo — entre para os nossos canais: 📱 WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029Va4SW5a9sBI8pNwfpk2Q ✈️ Telegram: https://t.me/PainelP



