Setor de energia: Maurel&Prom adere ao grupo de multinacionais com aval para operar na Venezuela
Decisão do Departamento do Tesouro dos EUA reforça a nova dinâmica energética entre Washington e Caracas, condicionando transações financeiras e fortalecendo cooperação no setor de óleo e gás
Nesta quarta-feira (18), o governo dos Estados Unidos oficializou a inclusão da empresa francesa Maurel&Prom na lista de multinacionais autorizadas a operar no setor de hidrocarbonetos na Venezuela. Com o movimento, a companhia passa a integrar o grupo seleto de gigantes que já detêm permissões especiais, composto por BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell.
A medida foi formalizada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), braço do Departamento do Tesouro, que atualizou a licença geral emitida na semana passada. O documento permite a realização de transações “relacionadas às operações do setor petrolífero ou de gás na Venezuela”, desde que cumpridas diretrizes rigorosas de conformidade financeira.
Controle financeiro e triangulação no Catar
Um dos pontos centrais da nova licença ampliada é o destino dos recursos gerados. De acordo com o texto normativo, qualquer pagamento de impostos ou royalties decorrentes da exploração de petróleo e gás deve ser direcionado a contas designadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Atualmente, esses valores estão sendo depositados em contas localizadas no Catar, garantindo uma camada de fiscalização sobre o fluxo de caixa venezuelano.
Contexto político e diplomacia de energia
A atualização da licença ocorre em um momento de intensa movimentação diplomática. No início deste mês, o Secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, realizou uma visita histórica à Venezuela. Wright tornou-se o funcionário americano de mais alto escalão a desembarcar no país desde que o presidente Donald Trump ordenou, em janeiro, a captura do líder socialista Nicolás Maduro, sob acusações de narcotráfico.
Durante a agenda, o Secretário de Energia reuniu-se com a Presidente Interina, Delcy Rodríguez. Segundo relatos oficiais, Rodríguez recebeu elogios do governo americano pela postura colaborativa, especialmente pela celeridade na aprovação de reformas legais que visam modernizar e abrir o setor petrolífero venezuelano ao capital estrangeiro.
Impactos institucionais
A entrada da Maurel&Prom e a manutenção das licenças para as demais petroleiras sinalizam uma tentativa de estabilizar a oferta global de energia, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos mantêm o controle institucional sobre os ativos financeiros da PDVSA (estatal venezuelana). Para analistas, a cooperação da gestão de Delcy Rodríguez é vista como um passo fundamental para a reintegração da Venezuela nos mercados ocidentais, sob a supervisão direta de Washington.
Análise: O Impacto das licenças no Mercado Global
A autorização para que a Maurel&Prom e outras gigantes operem na Venezuela carrega um peso estratégico que vai além do volume imediato de barris. Segundo analistas da Moody’s e do Goldman Sachs, o impacto nos preços globais no curto prazo tende a ser limitado, uma vez que a produção venezuelana — que fechou dezembro de 2025 em cerca de 1,2 milhão de barris por dia — representa pouco mais de 1% da oferta mundial.
No entanto, o movimento faz parte de uma estratégia maior do governo Donald Trump para forçar uma queda nos preços internacionais. O objetivo declarado da administração é utilizar o controle sobre os fluxos de óleo venezuelano para empurrar o barril do tipo WTI para a casa dos US$ 50.
Para as refinarias da Costa do Golfo dos EUA, como Valero e Citgo, o benefício é direto: suas plantas são tecnicamente projetadas para processar o petróleo pesado e ácido (sour crude) típico da Venezuela, que é mais difícil de substituir por óleos leves. A expectativa é que, com a nova reforma legislativa liderada por Delcy Rodríguez, o país consiga aumentar sua produção em 18% até o final de 2026, adicionando um vetor de pressão negativa nos preços da commodity.
Perfil: Quem é Chris Wright, o “Czar” da energia de Trump
Chris Wright, o 17º Secretário de Energia dos Estados Unidos, é uma figura central na nova política de “domínio energético” de Washington. Engenheiro mecânico pelo MIT (com pós-graduação em engenharia elétrica também no MIT e na UC Berkeley), Wright construiu sua carreira como um empreendedor do setor privado antes de ingressar no serviço público.
Pioneirismo no Shales: Ele é reconhecido como um dos líderes da “Revolução do Xisto” nos EUA. Em 1992, fundou a Pinnacle Technologies, empresa que ajudou a comercializar o gás de xisto.
Liderança Corporativa: Antes de assumir o cargo no Departamento de Energia, foi o fundador e CEO da Liberty Energy, a segunda maior empresa de fraturamento hidráulico (fracking) da América do Norte.
Visão Política: Membro do Partido Republicano, Wright é um crítico contundente das políticas de transição energética convencional. Ele defende o uso de combustíveis fósseis como ferramenta de combate à pobreza global e já afirmou publicamente que “não há crise climática”, focando sua gestão na máxima produção de petróleo, gás e no avanço da energia nuclear e geotérmica.
Missão na Venezuela: Sua recente visita a Caracas simboliza a transição de um executivo do setor de petróleo para um negociador geopolítico, utilizando incentivos econômicos e licenças da OFAC para moldar a política externa americana na América Latina.
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