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Reestruturação dívida Raízen: credores podem ficar com 70% do controle

Maior recuperação extrajudicial do país redefine governança da Raízen, testa mercado de crédito e expõe tensões entre Shell, Cosan e bancos em momento crítico para o agronegócio brasileiro

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abr 02, 2026
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Em resumo

  • Raízen apresentou plano para reestruturar R$ 65,1 bilhões em dívida, com conversão de ao menos 45% em ações e possível cessão de até 70% do capital votante a credores

  • Shell injetará R$ 3,5 bilhões e Rubens Ometto, R$ 500 milhões; credores cobram aporte maior e questionam distribuição de poder no conselho

  • Proposta prevê redução da alavancagem de 5,3x para 3-3,5x Ebitda e abre caminho para separação entre negócios de açúcar/etanol e distribuição de combustíveis

  • Por que isso importa: A maior recuperação extrajudicial da história do Brasil testa o mercado de crédito privado, redefine o controle de uma gigante do agronegócio e sinaliza riscos sistêmicos para o setor de biocombustíveis.


A Raízen (joint venture entre Shell e Cosan) apresentou aos credores um plano para reestruturar R$ 65,1 bilhões em dívida, prevendo a conversão de ao menos 45% do valor em ações e possível cessão de até 70% do capital votante da companhia. A proposta, que será debatida em reuniões na próxima semana em Nova York, busca reduzir a alavancagem da empresa de 5,3 vezes o Ebitda para um intervalo entre 3 e 3,5 vezes, além de abrir caminho para uma eventual separação entre as operações de açúcar e etanol e o negócio de distribuição de combustíveis.

“É injusto, uma vez que os credores estão colocando sete vezes mais recursos do que os acionistas na empresa” — fonte do setor bancário, em declaração à Coluna do Broadcast.

Como funciona a proposta de conversão de dívida em equity

O plano enviado aos credores estabelece que os 45% da dívida convertidos em ações seriam precificados em torno de 40 centavos de dólar por papel — valor inferior à cotação atual, próxima de 50 centavos. Nessa condição, os credores passariam a concentrar a maior parte das ações ordinárias da Raízen, reconfigurando radicalmente o controle acionário da companhia.

Os 55% restantes das obrigações teriam prazos alongados: dez anos para a unidade de distribuição de combustíveis e treze anos para o negócio de usinas de açúcar e etanol. A estrutura proposta também prevê períodos de carência distintos: oito anos para o início da amortização do principal no segmento de açúcar e etanol, e cinco anos para a área de distribuição.

Governança: quem manda na Raízen após a reestruturação?

Um dos pontos mais sensíveis da negociação diz respeito à composição do conselho de administração. Pela proposta inicial, os credores poderiam indicar três dos sete membros do órgão, enquanto a Shell indicaria os quatro restantes. Bancos e gestores de títulos questionam a distribuição de poder, argumentando que, ao converterem cerca de R$ 30 bilhões em equity, os credores mereceriam representação proporcional.

A Cosan, controladora histórica da Raízen por meio do conglomerado liderado por Rubens Ometto, não participa do aporte de capital previsto no plano. Enquanto a Shell se comprometeu a injetar R$ 3,5 bilhões, Ometto, por meio de seu family office Aguassanta, aportará R$ 500 milhões. Em troca, Ometto busca manter a presidência do conselho por um período prolongado e pressiona pela inclusão de uma cláusula de “poison pill” para proteger a estrutura de controle.

Por que a Raízen chegou a este ponto?

Este conteúdo é parte da análise completa do Painel Político.

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