Raízen: Credores pedem R$ 25 bi, Shell oferece R$ 3,5 bi e Cosan avalia separação de negócios
Com dívida de R$ 73 bi, joint venture entre Cosan e Shell pressiona por capitalização; enquanto Shell confirma aporte de R$ 3,5 bi, controladores avaliam separação de ativos e venda de participações
Marcelo Martins, presidente do grupo Cosan, afirmou nesta terça-feira (10) que a solução para a crise financeira da Raízen precisa ser “definitiva” e deve ter desdobramentos concretos “nos próximos dias”. A declaração foi feita durante teleconferência para apresentar os resultados do quarto trimestre de 2025 da Cosan, divulgados na segunda-feira (9).
“Nosso envolvimento neste momento não é direto, em virtude da nossa não participação na capitalização. Mas, como acionistas e conselheiros, temos acompanhado essa evolução e acreditamos que, nos próximos dias, devemos ter novos desdobramentos desse plano de encontrar uma saída adequada para a companhia”, declarou Martins.
Contexto da crise
A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, enfrenta uma grave deterioração financeira há mais de um ano. Segundo apurou o Valor Econômico, credores da empresa — incluindo detentores de dívida externa e instituições bancárias — enviaram carta às controladoras solicitando uma injeção de capital de até R$ 25 bilhões para estancar o endividamento. A dívida bruta da companhia, que atua nos segmentos de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, é estimada em cerca de R$ 73 bilhões.
Em resposta à pressão dos credores, a Shell confirmou publicamente seu compromisso de aportar R$ 3,5 bilhões no processo de capitalização. Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil, afirmou que a petroleira espera uma contribuição proporcional da Cosan para manter a Raízen como uma companhia integrada.
“As negociações seguem em curso, de acordo com as restrições de cada parte. A Shell se comprometeu a colocar R$ 3,5 bilhões na capitalização da Raízen para manter a empresa como uma companhia integrada de etanol e distribuição de combustível. A expectativa é que o outro acionista entre de maneira proporcional”, disse Costa .
Posicionamento da Cosan
Apesar da expectativa da Shell, a Cosan optou por não realizar um aporte direto de capital na Raízen, conforme apurado pelo Valor Econômico. Em contrapartida, o empresário Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan, pretende contribuir com R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, a Aguassanta Investimentos. Somados os valores da Shell e da Aguassanta, a proposta de contribuição de capital totaliza R$ 4 bilhões — montante considerado insuficiente pelos credores, que demandam aporte substancialmente maior.
“O nosso entendimento é que não é suficiente essa contribuição de capital para a gente ter uma estrutura de capital com um nível de conversão considerável que está sendo debatido, e nós também discutimos a eventualidade de fazer uma separação de negócios e, eventualmente, uma venda de uma participação num deles”, afirmou Marcelo Martins .
Estratégia de proteção da Cosan
Em 2025, a prioridade da Cosan foi reforçar sua própria estrutura de capital para evitar que a situação da Raízen contaminasse o grupo. Martins destacou que os passos tomados ao longo do ano tiveram como objetivo proteger a Cosan “de uma forma absolutamente inquestionável”, ao mesmo tempo em que buscavam endereçar a estrutura de capital de um de seus principais negócios.
“Nós deixamos claro ao mercado que nós tínhamos uma limitação grande, ainda que uma disposição de colocar o dinheiro em Raízen”, disse o executivo.
Segundo Martins, várias alternativas foram apresentadas e avaliadas pela Shell, mas não houve consenso sobre a participação efetiva da Cosan na estruturação de capital da Raízen. A Cosan também sinalizou que não há, no momento, “engajamento” para venda da Rumo, outra subsidiária do grupo, embora não descarte futuras alienações de participações em seus negócios.
Cenário e próximos passos
A crise da Raízen coloca em xeque o modelo de joint venture entre Cosan e Shell e reacende debates sobre governança corporativa, alavancagem financeira e sustentabilidade de negócios no setor de energia e combustíveis no Brasil. A eventual separação das unidades de etanol e distribuição de combustíveis da Raízen — ou a venda de participação em uma delas — representa uma mudança estrutural significativa, com impactos potenciais para acionistas, credores, funcionários e o mercado de capitais.
Enquanto as negociações avançam, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos. A Cosan reforçou que qualquer solução para a Raízen deve ser “adequada” e “definitiva”, sinalizando que decisões de curto prazo não serão suficientes para resolver um problema de longo prazo.
“Todos os passos que foram tomados no ano passado desde a capitalização tinham em vista protegermos a Cosan, primeiro de uma forma absolutamente inquestionável, e endereçar paralelamente a estrutura de capital de um dos nossos principais negócios”, concluiu Martins.
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