Rafael Fera assina ficha no União Brasil, recua em horas e cria crise com Maurício Carvalho
Deputado federal por Rondônia assinou filiação, foi convencido a voltar ao Podemos e agora acusa o presidente do União Brasil de reter o documento e criar fato político
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Em resumo
O deputado federal Rafael Fera (Podemos-RO) assinou ficha de filiação no União Brasil no início da semana, mas recuou horas depois, após reunião com a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, e com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes.
Após a volta ao Podemos, Fera acusou o presidente da federação União Brasil/Progressistas em Rondônia, Maurício Carvalho, de se recusar a devolver a ficha assinada, chegando a registrar boletim de ocorrência e nota pública em cartório.
A versão que prevalece nos bastidores é que o próprio Rafael Fera recuou da decisão por conta própria e agora tenta responsabilizar terceiros por uma atitude impulsiva.
O episódio expõe a ferocidade do troca-troca partidário em Rondônia a menos de seis meses das eleições de 2026 e levanta dúvidas sobre a coerência política do parlamentar.
Por que isso importa: a movimentação ocorre no fechamento da janela partidária, quando cada filiação ou desfiliação pode redesenhar as nominatas e alterar a correlação de forças na disputa pela Câmara Federal.
Rafael Fera, deputado federal por Rondônia, protagonizou um episódio que resume, em miniatura, o que há de mais caótico na janela partidária de 2026: na última quinta-feira, ele assinou ficha de filiação no União Brasil após conversar com o comando da federação UB/Progressistas. Um dia depois, reuniu-se com o prefeito Léo Moraes, presidente regional do Podemos, e com a presidente nacional da sigla, a deputada federal Renata Abreu, e foi convencido por ambos a permanecer onde estava. O resultado foi uma saída e uma volta ao Podemos no intervalo de poucas horas — e, na sequência, uma polêmica que diz mais sobre o temperamento do parlamentar do que sobre qualquer conspiração partidária.
O que aconteceu entre quinta e sexta-feira
A sequência dos fatos, tal como apurada por veículos de Rondônia e confirmada por fontes próximas à cúpula do Podemos, é relativamente simples. Na quinta-feira, Rafael Fera conversou com o comando da federação UB/Progressistas e chegou a assinar ficha na nova sigla. A ida ao União Brasil fazia sentido do ponto de vista aritmético: o partido vem montando uma nominata forte para a Câmara Federal, com nomes como Thiago Flores, Célio Lopes e o próprio Maurício Carvalho, além da chapa majoritária encabeçada por Hildon Chaves ao governo e Mariana Carvalho ao Senado.
Mas a estadia de Rafael Fera no novo partido durou menos que uma sessão plenária. No dia seguinte, após encontro com Léo Moraes e Renata Abreu, ele decidiu permanecer no Podemos. A conversa, segundo interlocutores, envolveu argumentos sobre espaço na nominata e sobre o projeto do Podemos em Rondônia, que já havia conquistado a filiação da deputada federal Cristiane Lopes — que, por ironia, saiu justamente do União Brasil.
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A polêmica fabricada
Até aqui, nada que destoasse do habitual troca-troca que marca os períodos pré-eleitorais. O episódio ganhou contornos mais dramáticos quando, após o recuo, Rafael Fera passou a acusar Maurício Carvalho de se recusar a devolver a ficha de filiação já assinada. O deputado chegou a registrar boletim de ocorrência e lavrar nota pública em cartório, como se estivesse diante de um crime e não das consequências de sua própria decisão precipitada.
O que está por trás do recuo de Rafael Fera vai além de uma ficha de filiação. Nos bastidores, a disputa entre Podemos e União Brasil pela bancada federal de Rondônia envolve acordos que ainda não vieram a público, cálculos eleitorais que podem redesenhar o mapa de 2026 e uma pergunta que poucos estão fazendo: quem realmente ganha com esse episódio?
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