Prefeito denuncia a própria mãe por supostos golpes financeiros em cidade de MT
Gestor afirma que nome, cargo e prestígio político teriam sido usados em promessas de investimentos; defesa da acusada nega ilícitos e fala em acusações sem prova
O prefeito de Nossa Senhora do Livramento, município de cerca de 13 mil habitantes na região metropolitana de Cuiabá, vive um dos episódios mais delicados de sua trajetória pública e pessoal. Thiago Lunguinho, filiado ao União Brasil, procurou a Polícia Civil para registrar denúncia contra a própria mãe, Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 52 anos, acusando-a de aplicar supostos golpes de investimento financeiro utilizando seu nome, seu cargo e sua imagem política.
Segundo o prefeito, a mãe teria se aproximado de moradores da cidade e de pessoas da região oferecendo oportunidades de negócios com promessas de alta lucratividade, afirmando deter participação em empresas contratadas pelo poder público municipal e sugerindo que as negociações contariam com o respaldo do chefe do Executivo local. Ele sustenta que nunca autorizou, participou ou teve conhecimento prévio dessas tratativas.
De acordo com o relato feito por Thiago Lunguinho às autoridades, o suposto esquema teria funcionado por quase um ano. Inicialmente, valores menores teriam sido solicitados e posteriormente devolvidos com ganhos, o que teria aumentado a confiança das vítimas. Em seguida, quantias mais elevadas passaram a ser levantadas. O prefeito estima que o montante envolvido ultrapasse meio milhão de reais.
“Minha mãe usou o dinheiro para jogar no tigrinho”, afirmou, referindo-se a plataformas de jogos de azar. Segundo ele, houve tentativas frustradas de internação da mãe em clínica especializada por dependência patológica em jogos, informação que não foi confirmada por documentos médicos públicos.
O prefeito declara ter sido criado desde os cinco anos pelos avós paternos e afirma que a reaproximação da mãe teria ocorrido após sua entrada na vida pública. Ainda segundo ele, ao ser confrontada, Adriana teria admitido a dependência em jogos, o que explicaria a motivação financeira das supostas fraudes — versão contestada integralmente pela defesa.
A investigação foi instaurada em novembro, após o registro formal da ocorrência. Thiago Lunguinho afirma ter entregue à polícia extratos bancários, documentos, registros e prints com o objetivo de demonstrar que não participou de nenhuma negociação e que desconhecia as transações atribuídas à mãe. Ele sustenta que sua boa-fé ficou evidenciada pelo fato de ele próprio ter levado o caso às autoridades.
Ainda segundo o prefeito, 22 pessoas já teriam se identificado como vítimas e procurado a delegacia para registrar boletins de ocorrência, inclusive isentando-o de qualquer envolvimento.
“Sou tão vítima quanto todos eles”, declarou.
Para escapar de cobranças, a acusada teria bloqueado contatos e mantido apenas alguns números ativos, nos quais publicaria mensagens sugerindo normalidade. Essa afirmação consta apenas no relato do prefeito e depende de apuração policial.
Há ainda a alegação de que folhas de cheque com assinaturas falsificadas e montagens de conversas de WhatsApp teriam sido utilizadas para convencer terceiros a investir. Esses pontos estão sob investigação e não contam, até o momento, com confirmação judicial pública.
Com a palavra, o prefeito
Em depoimento e em manifestação pública, Thiago Lunguinho afirmou:
“Em outubro do ano passado fui surpreendido ao descobrir que minha própria mãe aplicava golpes usando meu nome e meu cargo de prefeito. Em novembro procurei a Polícia.”
Ele acrescenta que jamais permitiria práticas desse tipo e que confia no trabalho da Polícia Civil para o esclarecimento completo dos fatos. O prefeito também destacou sua trajetória política e profissional, lembrando que é médico de formação, natural de Várzea Grande (MT), e que atuou na atenção básica do município antes de assumir a prefeitura. Ele foi vice-prefeito entre 2020 e 2024, ao lado do ex-prefeito Silmar de Souza, e foi eleito para o mandato 2025–2028, tendo como vice Danilo de Almeida Monteiro.
Com a palavra, a defesa da mãe do prefeito
Os advogados Thiago C. Silva e Walter Enoré, que representam Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, divulgaram nota rechaçando de forma categórica as acusações.
Segundo a defesa, é “absolutamente falsa” a narrativa de que Adriana teria oferecido investimentos, prometido rendimentos, alegado participação em empresas contratadas pelo poder público ou utilizado o nome e o cargo do filho para obter vantagens financeiras. Os advogados afirmam que não existe qualquer documento, contrato, registro bancário ou ato formal que sustente as acusações.
A nota sustenta ainda que as imputações se baseiam em declarações unilaterais, sem respaldo fático ou jurídico, e que a exposição pública do caso violaria a presunção de inocência. A defesa afirma que Adriana jamais exerceu atividade de captação de recursos ou intermediação de investimentos e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, além de avaliar medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra o que classifica como excessos e distorções.
Situação atual
Até o momento, não há decisão judicial que confirme as acusações ou a versão da defesa. O caso segue em investigação pela Polícia Civil, e eventuais responsabilidades penais ou cíveis somente poderão ser definidas após a conclusão do inquérito e eventual ação judicial.
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Palavras-chave: Nossa Senhora do Livramento, Thiago Lunguinho, União Brasil, investigação policial, supostos golpes financeiros, Mato Grosso, política municipal, estelionato, Polícia Civil.
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