Pesquisa Atlas/Bloomberg: Flávio Bolsonaro lidera no 2º turno e Lula perde base
Levantamento com 5.028 entrevistados mostra Flávio Bolsonaro à frente no segundo turno, aprovação de Lula em queda e a região Norte como o território mais hostil ao presidente
Em resumo
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de março de 2026, com 5.028 entrevistados e margem de erro de um ponto percentual, mostra Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno por 47,6% a 46,6%
A aprovação de Lula recuou para 45,9% — menor patamar desde o início do terceiro mandato — enquanto a desaprovação atingiu 53,5%
No primeiro turno, Lula mantém liderança de cerca de seis pontos em todos os cinco cenários testados, mas os números do segundo turno invertem o quadro em favor da oposição
A região Norte é a mais hostil ao presidente: 63,9% desaprovam seu desempenho, o maior índice entre todas as regiões do país
Por que isso importa: pela primeira vez desde o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, a pesquisa mais rigorosa do mercado coloca o filho do ex-presidente não apenas competitivo, mas à frente em cenário de segundo turno
Flávio Bolsonaro ultrapassa Lula no segundo turno pela primeira vez
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 25 de março de 2026 entrevistou 5.028 brasileiros entre os dias 18 e 23 de março, com recrutamento digital aleatório e margem de erro de um ponto percentual para um nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04227/2026.
O resultado mais contundente está no segundo turno: Flávio Bolsonaro (Partido Liberal) alcança 47,6% das intenções de voto contra 46,6% de Lula (Partido dos Trabalhadores), com 5,8% de brancos, nulos ou indecisos. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro, mas a direção do movimento é inequívoca.
Em dezembro de 2025, Flávio estava em 41% neste mesmo cenário hipotético. Em março de 2026, chegou a 47,6%. Lula percorreu o caminho inverso: saiu de 53% para 46,6% em apenas três meses. A trajetória é de convergência acelerada — e a linha já se cruzou.
A armadilha do primeiro turno: liderar e perder
“Lula chega ao segundo turno na frente, mas chega machucado. E segundo turno é outra disputa.”
No primeiro turno, o presidente mantém vantagem consistente em todos os cinco cenários testados pela pesquisa. No cenário principal — Lula contra Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema — Lula registra 45,9% e Flávio 40,1%.
O problema para o governo está na aritmética do segundo turno. O eleitorado que hoje se distribui entre Tarcísio de Freitas, Zema, Caiado e Ratinho Júnior migra majoritariamente para Flávio Bolsonaro na disputa final. A pesquisa testa esse efeito diretamente: quando Tarcísio está no primeiro turno e não vai ao segundo, seus votos se somam ao campo bolsonarista, ampliando a vantagem de Flávio.
O cenário que mais expõe a vulnerabilidade de Lula é justamente aquele em que Tarcísio de Freitas compete no primeiro turno e vai ao segundo: nesse caso, Tarcísio vence Lula por 47,2% a 46,3%. A conclusão é que qualquer nome competitivo do campo da direita que chegue ao segundo turno tem vantagem sobre o atual presidente.
Desaprovação em alta, avaliação negativa bate 50%
A aprovação de Lula registrada na pesquisa Atlas/Bloomberg de março de 2026 é de 45,9% — queda de três pontos em relação ao pico de 48,8% registrado em janeiro. A desaprovação chegou a 53,5%.
Na avaliação de governo — pergunta diferente, que mede qualidade da gestão — o quadro é ainda mais delicado: 49,8% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto apenas 40,6% avaliam como ótimo ou bom. É o pior índice desde o início do terceiro mandato.
A série temporal mostra que o governo Lula jamais conseguiu consolidar aprovação acima de 50% nesta pesquisa. O teto histórico foi 51% em janeiro de 2024. Desde então, a tendência é de oscilação dentro de uma faixa estreita, sem reversão consistente.
Os dados demográficos revelam as fraturas da base governista. Entre homens, a desaprovação chega a 63,1%. Entre jovens de 16 a 24 anos, 72,7% desaprovam o presidente. Entre eleitores com ensino médio — a maior fatia do eleitorado — a desaprovação é de 63,5%. Entre evangélicos, o índice atinge 85,5%.
O Norte como epicentro da rejeição a Lula
A dimensão regional da pesquisa traz o dado mais relevante para os leitores do Painel Político: a região Norte é a que concentra a maior rejeição ao presidente Lula em todo o país.
Enquanto a média nacional de desaprovação é de 53,5%, no Norte esse índice sobe para 63,9%. A aprovação na região cai para apenas 33,7% — mais de 12 pontos abaixo da média nacional. Apenas o Centro-Oeste supera esse patamar de rejeição, com 65,9%.
Para efeito de comparação, no Nordeste — base histórica do petismo — a aprovação de Lula ainda é de 55,6%, com desaprovação de 43,9%. O contraste com o Norte é de quase 22 pontos percentuais de aprovação.
No cenário de primeiro turno, a região Norte registra Lula com apenas 34,1% das intenções de voto, contra 50,4% de Flávio Bolsonaro no cenário principal testado pela pesquisa. É a maior diferença regional entre os dois candidatos em qualquer cenário testado pelo levantamento.
Esse dado tem consequência direta para Rondônia, Pará, Amazonas e os demais estados da Amazônia Legal, onde a eleição de 2026 começa a se desenhar como uma disputa em que o campo federal governista parte de uma desvantagem estrutural significativa.
O espelho da rejeição: Lula lidera o ranking de quem o eleitor recusa
A pesquisa traz um dado raramente analisado com profundidade: o índice de rejeição declarada, medido pela pergunta “em qual dos políticos listados você não votaria de jeito nenhum?”
Lula lidera o ranking com 52% de rejeição. Na sequência aparecem Jair Bolsonaro com 48%, Flávio Bolsonaro com 46,1% e Michelle Bolsonaro com 43%.
O dado revela a natureza da disputa de 2026: não é uma eleição em que um candidato conquista o Brasil — é uma eleição em que ambos os lados mobilizam o voto pelo medo do adversário. A pergunta sobre qual resultado “causa mais medo ou preocupação” confirma isso: 47,4% temem a reeleição de Lula, enquanto 44,5% temem a eleição de Flávio Bolsonaro. Apenas 7,4% declararam temer igualmente os dois.
É uma eleição de rejeição, não de entusiasmo. E nesse modelo de disputa, quem tem menor rejeição entre os eleitores indecisos tende a levar vantagem no segundo turno.
O tabuleiro nas áreas de governo: nenhum candidato domina
A pesquisa testou em qual dos dois candidatos — Lula ou Flávio Bolsonaro — o eleitor confia mais para administrar 13 áreas de governo. O resultado é um empate técnico generalizado que revela um eleitorado profundamente dividido e sem convicção clara sobre gestão.
Em economia e inflação, Flávio Bolsonaro aparece com 48% contra 45% de Lula. Em combate à pobreza e desigualdade social, Lula lidera com 46% contra 45%. Em educação, empate absoluto: 46% a 46%.
A única área em que a diferença é mais expressiva é carga tributária e impostos, onde Flávio Bolsonaro aparece com cinco pontos percentuais de vantagem sobre Lula.
O que Haddad muda — e o que não muda
A pesquisa testou um cenário alternativo no qual Fernando Haddad (Partido dos Trabalhadores), atual ministro da Fazenda, substitui Lula como candidato. O resultado surpreende: Flávio Bolsonaro lidera com 40,1% contra 37,6% de Haddad, com 6% de brancos e nulos e 4% de indecisos.
O dado indica que a troca de candidato pelo lado governista não resolve o problema eleitoral do Partido dos Trabalhadores. A rejeição ao projeto petista é mais ampla do que a rejeição pessoal a Lula. Haddad, com menor rejeição individual, também tem menor capacidade de mobilizar a base, resultando em votação inferior à do presidente no mesmo cenário.
O que os números não mostram — e o que a política fará
“Pesquisa de março para uma eleição de outubro é futurologia — mas é a melhor futurologia disponível.”
A pesquisa Atlas/Bloomberg tem o histórico mais preciso do mercado no Brasil. Sua metodologia de recrutamento digital aleatório eliminou os vieses que afetaram outros institutos nas eleições de 2022. Os números de março de 2026, portanto, merecem ser lidos como tendência real, não como ruído.
E a tendência é clara: Flávio Bolsonaro cresce em ritmo linear desde novembro de 2025, quando estava em 23,1% no primeiro turno. Em quatro meses, chegou a 40,1%. O ritmo de crescimento se mantido até outubro significaria ultrapassar Lula ainda no primeiro turno — algo que a pesquisa ainda não mostra, mas que a trajetória não descarta.
Do lado do governo, a variável que pode alterar o quadro não está nos números atuais — está no que acontece nos próximos seis meses. O escândalo do Banco Master, as investigações sobre o cartão corporativo, os desdobramentos do caso Ibaneis e o impacto da economia no bolso do eleitor de baixa renda formarão o chão sobre o qual essa eleição será finalmente decidida.
Para a região Norte, onde a rejeição a Lula já é de 63,9%, o caminho de recuperação é mais longo do que em qualquer outro território do país. A pergunta que a política local de Rondônia e dos demais estados amazônicos precisará responder nos próximos meses é simples: quem, nessa região, ainda aposta em palanque federal com o Partido dos Trabalhadores — e o que ganha com isso?
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