Patrimônio de Moraes triplica no STF e chega a R$ 31,5 milhões
Levantamento do Estadão revela que o casal adquiriu 17 imóveis, todos pagos à vista, enquanto escritório da esposa fechou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master
Em resumo
O patrimônio imobiliário do ministro Alexandre de Moraes e de sua esposa saltou de R$ 8,6 milhões para R$ 31,5 milhões desde a posse no STF, em 2017 — alta de 266%.
Nos últimos cinco anos, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em São Paulo e Brasília, todos pagos à vista, segundo registros de cartório obtidos pelo Estadão.
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes firmou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master — valor que especialistas consideram incompatível com os preços praticados pelo mercado.
Parte das transações envolveu advogados com processos no STF, o que amplia os questionamentos sobre conflito de interesses.
Por que isso importa: O crescimento patrimonial coincide com o período em que Moraes conduz as investigações mais sensíveis da Corte, e o Banco Master — principal cliente do escritório da família — está no centro do maior escândalo financeiro do país.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, triplicaram o patrimônio imobiliário desde que ele assumiu uma cadeira na Corte, em março de 2017. O casal acumula hoje 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões — ante R$ 8,6 milhões em 12 propriedades na época da indicação pelo então presidente Michel Temer (MDB). Procurados pelo Estadão desde 27 de março, o ministro e a advogada não se manifestaram.
Um salto de R$ 23,4 milhões em cinco anos — tudo à vista
Os dados são resultado de um levantamento inédito do jornal O Estado de S. Paulo, que consultou matrículas e escrituras em cartórios de São Paulo, Minas Gerais e do Distrito Federal. Nos últimos cinco anos, o casal investiu R$ 23,4 milhões na aquisição de imóveis em Brasília e São Paulo, todos pagos à vista, conforme os registros em cartório.
O número impressiona quando confrontado com a evolução salarial do ministro. A remuneração de Moraes passou de cerca de R$ 33 mil em 2017 para aproximadamente R$ 46 mil atualmente — um reajuste de 39%, compatível com o teto do funcionalismo público. Enquanto a renda subiu pouco mais de um terço, o patrimônio em imóveis cresceu mais de três vezes.
Ao longo de 29 anos, o casal investiu R$ 34,8 milhões na aquisição de 27 imóveis. Parte desses ativos foi vendida, o que explica a diferença em relação ao patrimônio atual de R$ 31,5 milhões. O ponto central, porém, é a concentração temporal: desde 2021, os investimentos somaram R$ 23,4 milhões — mais de 67% de tudo o que a família aplicou em imóveis ao longo de quase três décadas.
A mansão no Lago Sul, o apartamento por Pix e os dois imóveis em Campos do Jordão
A carteira imobiliária do casal inclui propriedades de alto padrão em algumas das regiões mais valorizadas do país. A aquisição mais vultosa foi uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, área nobre de Brasília, comprada em agosto de 2025 por R$ 12 milhões junto à Construtora Modelo. O pagamento foi dividido em um sinal de R$ 6 milhões e uma transferência bancária de outros R$ 6 milhões para quitação integral.
A compra mais recente foi um apartamento de 86 metros quadrados no Jardim Paulista, em São Paulo, por R$ 1,05 milhão. O sinal de R$ 166 mil foi transferido em 23 de fevereiro deste ano, e os R$ 883 mil restantes foram pagos de uma vez via Pix em 9 de março.
Em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, o casal possui dois apartamentos lado a lado em um edifício de alto padrão. Somados, os imóveis totalizam 727 metros quadrados e custaram R$ 8 milhões. Na capital paulista, são sete propriedades, incluindo dois apartamentos no bairro Jardim América adquiridos em 2021 por R$ 3 milhões cada, pagos à vista. A família mantém ainda quatro lotes em São Roque, no interior de São Paulo, que somam 1.250 metros quadrados.
O Lex Instituto: a empresa que administra o patrimônio sem o nome do ministro
A maior parte das operações imobiliárias foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, uma sociedade limitada que, apesar do nome, funciona como veículo de administração patrimonial da família. A sociedade é formada por Viviane e os dois filhos do casal, enquanto Moraes não aparece formalmente como sócio, embora o regime de comunhão parcial de bens inclua o patrimônio no conjunto familiar.
A estrutura funciona assim: parte das aquisições mais antigas e ainda em posse do casal foi transferida para a firma. Outras foram adquiridas diretamente pelo Lex Instituto — como o apartamento no Jardim Paulista e a mansão no Lago Sul. A lógica de concentrar os bens em uma empresa é uma prática lícita de planejamento patrimonial e tributário, mas chama a atenção pelo volume e pela velocidade das aquisições nos últimos anos.
Os números estão nos cartórios. Os contratos, nos autos da Polícia Federal. O que conecta mansões no Lago Sul, pagamentos milionários via Pix e o maior escândalo financeiro do país está nas próximas linhas.
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