Operação Overclean chega à 9ª fase, amplia cerco a políticos e empresários e já bloqueia R$ 271,7 milhões
Com investigação sob sigilo no STF, operação da Polícia Federal apura contratos fraudulentos, bloqueia milhões e alcança políticos, empresários e operadores ligados a emendas parlamentares
A Polícia Federal avançou para a nona fase da Operação Overclean, ampliando o alcance das investigações sobre desvios de emendas parlamentares, fraudes em licitações e atuação de uma organização criminosa com ramificações políticas e empresariais em diversos estados. Segundo informações oficiais da PF, ao menos R$ 271,7 milhões já foram bloqueados ao longo de três etapas da apuração. O processo tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a PF, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas, envolvendo recursos públicos federais e estaduais. A operação teve início a partir da apuração de desvios de verbas de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), além da atuação de empresários junto a agentes públicos para destravar contratos e liberar pagamentos.
Em abril de 2025, a PF deflagrou uma das fases de maior impacto da Overclean, cumprindo mandados de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju. Entre os principais alvos esteve o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, que integrou a executiva nacional do União Brasil. À época, ele negou qualquer irregularidade. Segundo os investigadores, Moura teria atuado como articulador político do esquema, usando sua influência para destravar contratos e facilitar pagamentos.
Na mesma etapa, o então secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi afastado do cargo por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, sob suspeita de obstrução de Justiça. Barral havia sido indicado ao posto em abril de 2024, no contexto de uma aliança política entre PSD e União Brasil.
Em maio do ano passado, durante a terceira fase da Overclean, a PF apreendeu R$ 120,8 mil em espécie, além de relógio de luxo, joias e aparelhos eletrônicos, na residência de Barral. As apurações indicam uma relação próxima entre o ex-secretário e Marcos Moura, que chegou a ser preso preventivamente na primeira fase da operação, em 2024, sendo posteriormente solto por decisão judicial.
Já em junho, a PF realizou uma etapa focada na liberação irregular de emendas parlamentares. Dois prefeitos da Bahia foram afastados do cargo, e um assessor do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) foi apontado como operador financeiro do esquema. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira, segundo a corporação.
No decorrer das investigações, o nome do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) foi citado, o que levou ao envio do caso ao STF, em razão do foro por prerrogativa de função. A PF encontrou no cofre de Marcos Moura uma escritura de compra e venda de um imóvel envolvendo uma empresa e o parlamentar. Elmar Nascimento não foi alvo de nenhuma fase da operação e nega envolvimento em irregularidades.
Apesar disso, a investigação já atingiu familiares do deputado, uma das principais lideranças do União Brasil. Seu irmão, Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso (BA), foi alvo de buscas em julho do ano passado. O primo do parlamentar, Francisco Manoel do Nascimento Neto, conhecido como Francisquinho Nascimento (União Brasil), vereador eleito no município, também foi alvo. Em uma etapa anterior, ele chegou a arremessar uma sacola com R$ 220 mil pela janela momentos antes de ser preso, conforme registro da PF.
Em outubro do ano passado, o deputado federal Dal Barreto (União Brasil-BA) foi abordado no aeroporto de Salvador e teve o celular apreendido durante uma das fases da operação. No mesmo mês, a PF também mirou no secretário nacional do Podemos, Luiz França, no contexto das investigações sobre o esquema.
A Operação Overclean segue em andamento. Segundo a PF, as apurações indicam a existência de um esquema estruturado de pagamento de propina, lavagem de dinheiro e uso sistemático de influência política, com ramificações em partidos do chamado Centrão e no entorno familiar de parlamentares. Por tramitar sob sigilo no STF, novos detalhes dependem de decisões judiciais e de futuras manifestações oficiais das autoridades.
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