Operação Inauditus: PF desmonta esquema de venda de sentenças no TJ do Maranhão
Dois desembargadores, juízes e advogados são alvos de operação que apura corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no Judiciário maranhense; bloqueio de bens chega a R$ 50 milhões
Leitura: 6-8 min
Em resumo
Polícia Federal cumpre 25 mandados de busca e apreensão em oito cidades, com apoio do Superior Tribunal de Justiça
Esquema negociava decisões judiciais em processos de alto valor mediante pagamento de vantagens indevidas, com intermediação de assessores
Medidas incluem prisão preventiva do operador central, afastamento de cinco servidores e bloqueio solidário de até R$ 50 milhões em bens
Por que isso importa: A Operação Inauditus expõe vulnerabilidades estruturais no controle interno do Judiciário estadual e reacende o debate sobre a necessidade de reformas institucionais para preservar a independência judicial.
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, a Operação Inauditus para investigar um esquema estruturado de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Com 25 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ação mira desembargadores, juízes, advogados e assessores suspeitos de negociar sentenças em troca de vantagens indevidas. O caso ganha relevância nacional ao expor falhas de governança no Judiciário estadual e reacender discussões sobre mecanismos de controle externo da magistratura.
O que a Operação Inauditus investiga
A investigação apura a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, conforme comunicado oficial da Polícia Federal. Segundo as apurações, o esquema funcionava por meio de uma articulação entre magistrados, ex-assessores e operadores do direito para direcionar decisões judiciais em processos de alto valor econômico, especialmente litígios agrários.
A operação foi desencadeada a partir de uma delação premiada que relatou a venda de uma decisão proferida pelo desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior, com intermediação do então assessor Lúcio Fernando Penha Ferreira. Durante as diligências, foram apreendidos R$ 284,7 mil em espécie, valor que integra um conjunto mais amplo de movimentações financeiras suspeitas identificadas pela investigação.
“As diligências revelaram um esquema de direcionamento de decisões, com celeridade seletiva, de distribuição por prevenção e de atuação conjunta de servidores, entre outros, com o objetivo de beneficiar parte em litígio, mediante vantagens indevidas.” — Polícia Federal, em nota oficial
Quem são os alvos e quais medidas foram decretadas
"Com o quadro de envolvidos delineado, a investigação avança para as engrenagens do esquema e seus desdobramentos institucionais. Os detalhes sobre a triangulação financeira, os bastidores da negociação que envolveu um ex-deputado e as implicações para a segurança jurídica no estado exigem uma análise de profundidade. O restante desta matéria, incluindo documentos exclusivos e projeções de impacto, está disponível apenas para assinantes do Painel Político."




