Operação da Polícia Federal avança no caso Banco Master e coloca Nelson Tanure no centro das investigações
Segunda fase da operação investiga supostas fraudes bilionárias no Banco Master e atinge empresários influentes, reacendendo debates sobre governança e controle no sistema financeiro
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) a segunda fase de uma operação que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A ação incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao controlador formal da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares próximos, como pai, irmã e cunhado.
Entre os investigados também estão o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. Segundo apuração da TV Globo, Tanure foi abordado no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, quando se preparava para embarcar em um voo com destino a Curitiba (PR). Ele teve o telefone celular apreendido e foi liberado após entregar documentos e prestar esclarecimentos iniciais, sem resistência.
A operação é conduzida por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. De acordo com a corporação, a investigação apura indícios de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, relacionados à concessão de supostos créditos fictícios pelo banco. A estimativa preliminar da PF é de que o volume das fraudes possa chegar a R$ 12 bilhões.
A primeira fase da operação ocorreu em novembro do ano passado e resultou em sete prisões, incluindo a de Daniel Vorcaro.
Quem é Nelson Tanure
Nascido em Salvador, em 1951, Nelson Tanure é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Iniciou a carreira no setor imobiliário, em empresa fundada pelo pai, e a partir da década de 1980 passou a se especializar na aquisição e reestruturação de companhias em dificuldades financeiras — estratégia que se tornou a marca de sua trajetória empresarial.
Entre os primeiros negócios de destaque está a participação na Sequip, empresa de engenharia ligada ao setor de petróleo. Posteriormente, assumiu o controle de estaleiros em situação falimentar, como a Emaq, no Rio de Janeiro, que foi reestruturada e vendida após a recuperação.
Nos anos 2000, Tanure ganhou notoriedade ao assumir empresas tradicionais da imprensa brasileira, como o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil, em meio à crise estrutural do setor. No mercado de energia, tornou-se um dos principais nomes do petróleo independente ao assumir a então HRT, que deu origem à PRIO (antiga PetroRio).
Também ampliou sua atuação em telecomunicações, participando da formação da Ligga Telecom, a partir da aquisição de ativos como a Copel Telecom e a Sercomtel. No setor de saúde, consolidou o controle da Alliança Saúde, grupo de medicina diagnóstica com presença nacional. Já no setor elétrico, figura como acionista relevante da Light, distribuidora que atende parte do estado do Rio de Janeiro.
No último ano, fundos ligados a Tanure participaram de negociações para assumir o controle da Braskem, embora o empresário tenha desistido do projeto antes da conclusão.
Disputas, investigações e controvérsias
Apesar do perfil reservado, Tanure aparece com frequência no noticiário econômico em razão de disputas societárias, processos de recuperação judicial e debates sobre governança corporativa. Sua estratégia, baseada em alavancagem financeira e reestruturações profundas, é vista por aliados como eficiente, mas criticada por gerar controvérsias.
No ano passado, ele também foi alvo de uma investigação da Polícia Federal, aberta a pedido do Ministério Público Federal (MPF), para apurar se seria o verdadeiro controlador do Banco Master sem constar formalmente no quadro societário. Segundo os investigadores, ele teria utilizado uma rede de empresas e fundos para exercer influência sobre a instituição sem autorização do Banco Central. À época, Tanure negou qualquer vínculo societário ou poder de controle sobre o banco.
Ainda em 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reabriu a apuração sobre a oferta pública de aquisição (OPA) que consolidou o controle da Alliança Saúde, analisando se o prazo legal para a oferta aos minoritários teria sido extrapolado. O empresário afirma que agiu dentro da lei e diz desconhecer irregularidades.
Outra frente de questionamento envolve denúncia do MPF por suposto uso de informação privilegiada na operação de compra da incorporadora Upcon pela Gafisa, entre 2019 e 2020. A defesa sustenta que não houve crime e que a operação foi aprovada pelos acionistas, sem apontamentos da CVM. Recentemente, os advogados pediram que o caso fosse remetido ao STF, alegando conexão indireta com as investigações do Banco Master.
O que você pensa sobre os desdobramentos da investigação do Banco Master e o papel de grandes empresários no sistema financeiro? Comente, compartilhe e participe do debate.
Palavras-chave: Banco Master, Polícia Federal, Nelson Tanure, Daniel Vorcaro, STF, Dias Toffoli, fraudes financeiras, mercado financeiro, governança corporativa.
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