Operação Compliance Zero: câmeras registraram tentativa de suicídio de integrante de "A Turma" de Vorcaro
Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, integrante do grupo apontado como braço armado de Daniel Vorcaro teve morte cerebral confirmada após incidente filmado em dependências da PF
A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4), ganhou um desdobramento dramático e institucionalmente sensível: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, teve morte cerebral confirmada no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, após tentativa de suicídio enquanto estava sob custódia da Polícia Federal na Superintendência Regional de Minas Gerais
De acordo com nota oficial da corporação, agentes que estavam no local “prestaram socorro imediato” ao preso, realizando procedimentos de reanimação, e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o encaminhou ao hospital
A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais confirmou que o protocolo de morte cerebral foi iniciado por volta das 21h45. No Brasil, a morte encefálica é legalmente considerada óbito
Câmeras e investigação interna
Fontes ligadas à investigação afirmam que não há pontos cegos nas imagens de segurança da Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte e que toda a ação foi registrada
A corporação informou que “comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator no Supremo Tribunal Federal e entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido”
A Polícia Federal já instaurou procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato. A medida é padrão em casos de ocorrência grave envolvendo pessoas sob custódia federal e visa garantir transparência e apuração independente.
Quem era “Sicário” e sua ligação com “A Turma”
Nas investigações do Caso Master, a Polícia Federal identificou a existência de um grupo denominado “A Turma”, supostamente comandado por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo a corporação, Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, era responsável pela “coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo”.
As investigações apontam que o investigado realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como FBI e Interpol. Também teria atuado em ações para remoção de conteúdos em plataformas digitais e em tentativas de intimidar antigos funcionários do Banco Master e jornalistas considerados críticos ao grupo
Conforme apurações da Polícia Federal citadas em decisões judiciais, Mourão recebia aproximadamente R$ 1 milhão por mês de Daniel Vorcaro pelos serviços prestados ao grupo. Os repasses seriam operacionalizados por Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como operador financeiro do esquema.
A Operação Compliance Zero e os mandados do STF
A prisão de Mourão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A ordem partiu do ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal.
Além de Mourão, foram presos preventivamente:
Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa;
Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro
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Em sua decisão, o ministro André Mendonça destacou que elementos das investigações indicam que Vorcaro “manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária” e que o esquema investigado apresenta quatro núcleos principais: financeiro, de corrupção institucional, de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, e de intimidação e obstrução de justiça.
A Polícia Federal informou que foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões, “com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado”.
Contexto institucional e repercussões
O caso ganha contornos de alta sensibilidade institucional por envolver: (i) a morte de um preso sob custódia federal; (ii) investigações sobre suposta milícia privada com acesso a dados sigilosos; e (iii) a atuação do Supremo Tribunal Federal em caso de grande repercussão política e econômica.
A defesa de Luiz Phillipi Mourão informou que ele “não apresentou ao longo do dia sinais aparentes de comprometimento de suas condições físicas ou psíquicas” e que tomou conhecimento do incidente “somente após a divulgação de nota oficial atribuída à Polícia Federal”. A defesa de Daniel Vorcaro, por sua vez, afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e negou “categoricamente as alegações atribuídas” a ele, reiterando confiança “no devido processo legal”
Especialistas em direito processual penal ouvidos por veículos de imprensa ressaltam que a abertura de sindicância pela Polícia Federal é procedimento adequado para apurar circunstâncias de ocorrências graves em dependências da corporação, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório, bem como a transparência perante a sociedade.
“A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator no Supremo Tribunal Federal e entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido. Será aberto procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato”, afirmou a corporação em nota oficial.
Saúde mental e apoio
*Alerta: esta reportagem aborda temas como suicídio e saúde mental. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando sofrimento intenso ou pensamentos relacionados ao suicídio, busque ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188, além de atendimento por chat e e-mail em cvv.org.br. Você também pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, o Samu (192) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).*
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Fontes consultadas para esta reportagem: CNN Brasil, GaúchaZH, Poder360, G1, Veja, Folha de S.Paulo, Estadão, CartaCapital, Metrópoles e notas oficiais da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal. Todas as informações foram cruzadas e verificadas em veículos de imprensa reconhecidos e documentos institucionais públicos.




