O governador é coronel da PM — e Rondônia nunca se sentiu tão insegura; e como isso afeta as eleições
Duas pesquisas independentes mostram que o eleitor rondoniense elegeu um policial militar para governar e termina o mandato mais inseguro do que antes — e isso redesenha toda a disputa de 2026
Em resumo
Pesquisa Veritá (março/2026, 1.220 entrevistados) mostra que 45,4% dos rondonienses se sentem inseguros ou muito inseguros — e 47,9% foram vítimas de crime ou tiveram familiar vitimado nos últimos 12 meses
O governador Marcos Rocha é coronel da Polícia Militar, mas 49% do eleitorado percebe piora na segurança durante seu mandato e 68,8% desconfiam das instituições de segurança estadual
A contradição entre origem militar do governador e os resultados concretos na área é o maior passivo político do campo que apoia Adailton Fúria (PSD) como sucessor
Pesquisa IHPEC/Rondoniaovivo (outubro/2025, 2.200 entrevistados, 43 municípios) já mostrava Fúria empatado tecnicamente com Marcos Rogério (PL) — com 30% cada, dentro da margem de erro de 2,5 pontos
Por que isso importa agora: o candidato que souber separar sua imagem do legado de segurança do governo atual — seja Fúria se descolar de Rocha, seja Rogério atacando o governo — parte com vantagem estrutural na pauta mais sensível do eleitorado rondoniense
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, é coronel da Polícia Militar do estado. Essa origem deveria ser, em tese, a maior garantia simbólica de uma gestão voltada para a segurança pública. Os dados de duas pesquisas independentes — o levantamento do Instituto Veritá, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo RO-05454/2026 e realizado com 1.220 eleitores em março de 2026, e o levantamento do Instituto Haverroth de Política, Estatística e Comunicação, o IHPEC, realizado em parceria com o portal Rondoniaovivo com 2.200 eleitores nos 43 municípios mais populosos do estado em outubro de 2025 — contam uma história oposta. Rondônia termina o mandato de um governador policial militar com quase metade do eleitorado vitimizado, dois terços desconfiando das instituições de segurança e uma percepção majoritária de piora. Esse paradoxo não é apenas o maior passivo político do governo Rocha — é o eixo em torno do qual a eleição de 2026 vai girar.
Os números da insegurança: um estado que se sente abandonado
A pesquisa Veritá dedicou oito perguntas específicas ao tema da segurança pública — mais do que qualquer outro assunto no questionário. O recorte não foi por acaso: é onde o eleitor rondoniense dói.
Questionados sobre como se sentem em relação à segurança no próprio bairro ou cidade, 30,7% dos entrevistados disseram se sentir inseguros e 14,7% muito inseguros. Somados, 45,4% do eleitorado com opinião formada carrega percepção ativa de insegurança no cotidiano — não como abstração, mas como experiência vivida na rua, no bairro, na porta de casa.
A comparação com quatro anos atrás aprofunda o diagnóstico. Perguntados sobre a evolução da sensação de segurança no período, 28,3% afirmaram que piorou muito e 20,7% que piorou um pouco — 49% com percepção de deterioração concreta. Esses quatro anos coincidem exatamente com o mandato de Marcos Rocha.
No combate às facções criminosas e ao narcotráfico, o quadro é ainda mais severo: 29,9% avaliam que a situação piorou muito e 17,8% que piorou um pouco nos últimos quatro anos — 47,7% com percepção de piora no enfrentamento ao crime organizado. O estado é rota estratégica de narcotráfico entre Bolívia, Peru e o restante do Brasil, e o eleitor sente que esse problema não foi enfrentado com a efetividade esperada.
O dado mais contundente, porém, é o da vitimização direta: 47,9% dos entrevistados que responderam à pergunta afirmaram que eles próprios ou algum familiar foram vítimas de crime nos últimos 12 meses. Quase metade das famílias rondonienses foi tocada pela violência em um único ano. Isso não é percepção — é experiência.
A desconfiança nas instituições de segurança pública estadual é majoritária: apenas 6,3% confiam muito e 24,8% confiam parcialmente. Do lado oposto, 29,2% desconfiam parcialmente e 39,6% desconfiam muito — 68,8% de desconfiança total. Mais de dois em cada três rondonienses não acreditam que o aparato de segurança do estado os protege.
Por fim, a concordância com o tratamento de facções criminosas como organizações terroristas chegou a 83,5% combinando os que concordam totalmente (70,5%) e parcialmente (13%). É a maior convergência registrada em qualquer questão de toda a pesquisa — sinal de que o endurecimento penal não é posição radical em Rondônia, é consenso.
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O paradoxo central: coronel no governo, estado mais inseguro
Aqui está a contradição que nenhum comunicado de divulgação da pesquisa nomeou com clareza.
Marcos Rocha chegou ao governo em 2019 carregando na biografia o que, no imaginário político rondoniense, seria o atributo mais relevante para a pasta de segurança: era oficial da Polícia Militar, conhecia a estrutura institucional por dentro, compreendia os protocolos, as carências de efetivo e as dinâmicas do crime organizado regional. A origem militar foi parte constitutiva de sua identidade de campanha — e foi reforçada na reeleição em 2022.
Os números de março de 2026 descrevem o resultado concreto dessa gestão na percepção do eleitor: 49% com sensação de piora na segurança, 47,7% avaliando que o combate ao crime organizado regrediu, 68,8% desconfiando das instituições e 47,9% de famílias vitimizadas em doze meses.
“Rondônia elegeu um coronel da Polícia Militar para governar — e termina o mandato com quase metade das famílias vitimizadas e dois terços desconfiando das próprias instituições de segurança. O paradoxo não precisa de adjetivo.”
A leitura analítica desse resultado aponta para três explicações não excludentes entre si. A primeira é estrutural: o avanço do crime organizado no Norte brasileiro nas últimas décadas tem dimensão nacional e transnacional que supera a capacidade de resposta de qualquer governador isolado, independentemente de sua formação. A segunda é de gestão: ter origem militar não equivale automaticamente a ter planejamento estratégico, capacidade de investimento ou governança institucional na área de segurança — são competências distintas. A terceira é política: a percepção de piora pode refletir também o aumento da consciência sobre o problema e da disposição de verbalizá-lo, amplificada pelo contexto eleitoral que se aproxima.
O que os dados não permitem sustentar é a tese de que a gestão Rocha entregou resultados satisfatórios na área que deveria ser seu ponto mais forte. Os números contradizem essa leitura de forma consistente e em múltiplos indicadores simultâneos.
O passivo que Fúria herda — e o dilema estratégico que precisa resolver
O prefeito de Cacoal Adailton Fúria (Partido Social Democrático) é o candidato politicamente mais associado ao campo do governo estadual. A pesquisa IHPEC, realizada entre 16 e 30 de outubro de 2025 nos 43 municípios mais populosos de Rondônia, com 2.200 entrevistados por amostragem sistemática e estratificada e margem de erro de 2,5 pontos percentuais, já mostrava Fúria com 30,0% das intenções de voto na simulação com o senador Marcos Rogério (Partido Liberal) — empatado tecnicamente, dentro da margem de erro, com os 30,9% do senador.
A pesquisa Veritá de março de 2026 confirma a posição de Fúria como segundo colocado consistente, com 18,8% entre os decididos — e com os menores índices de rejeição entre os candidatos com expressão eleitoral relevante: apenas 7,8% dos entrevistados afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum.
Esses números revelam um candidato com base sólida e baixa resistência à expansão. Mas o contexto de segurança pública coloca diante de Fúria um dilema estratégico que precisará ser resolvido antes do período eleitoral formal.
Se ele se apresentar como continuidade do governo Rocha — aproveitando a estrutura, o apoio institucional e o capital político do governador —, herda também o passivo dos números de segurança. O eleitor que percebe piora na segurança durante o mandato de um governador policial militar pode não ver motivo para acreditar que o candidato apoiado por esse governador entregará resultado diferente.
Se, por outro lado, Fúria construir uma narrativa de renovação dentro do mesmo campo — reconhecendo os déficits de segurança e propondo agenda própria, distinta do legado —, corre o risco de fragilizar o apoio do próprio governador e da estrutura do governo estadual, que são ativos reais de campanha.
“Fúria tem a melhor combinação de números iniciais entre os candidatos ao governo — mas a sombra dos índices de segurança do mandato Rocha pode ser o peso que mais vai puxá-lo para baixo ao longo da campanha.”
O caminho mais estreito — e possivelmente o mais eficaz — seria o de reconhecer o problema sem atacar o governador, apresentando proposta de segurança que vá além da retórica da farda e dialogue com o dado mais sensível do eleitorado: os 47,9% de famílias vitimizadas que querem resposta concreta, não simbolismo institucional.
O que Rogério pode fazer com esses números
Do ponto de vista estritamente analítico, os dados de segurança pública representam o argumento mais potente disponível para candidatos que não têm vínculo com o governo estadual. O senador Marcos Rogério (Partido Liberal) é o nome que mais se beneficia dessa abertura.
Rogério lidera as pesquisas com 38,9% entre os decididos na Veritá e com 30,9% no IHPEC — mas sua liderança tem sido construída primariamente sobre reconhecimento de nome e sobre posicionamento nacional, não sobre agenda estadual específica. A pauta de segurança pública oferece a ele um eixo de diferenciação: como senador, tem atuação visível em pautas de segurança no Congresso Nacional, e pode se posicionar como voz de cobrança sobre os resultados estaduais sem carregar responsabilidade direta pela gestão.
O risco, nesse caso, é o de rejeição: 17,9% dos entrevistados afirmam que não votariam nele de jeito nenhum — a segunda maior rejeição entre os candidatos ao governo. Parte desse bloco provavelmente inclui eleitores do campo do governo estadual que veriam com resistência um ataque ao legado de Marcos Rocha.
Dois levantamentos, uma convergência
A comparação entre as duas pesquisas disponíveis reforça a consistência do diagnóstico e a estabilidade relativa dos candidatos ao longo do tempo.
O levantamento do IHPEC, realizado em outubro de 2025 com metodologia presencial nos 43 municípios mais populosos de Rondônia, abrangência territorial mais detalhada do que a Veritá e margem de erro de 2,5 pontos percentuais, mostrava já naquele momento a disputa como tecnicamente empatada entre Fúria (30,0%) e Rogério (30,9%) na principal simulação testada. O levantamento apontava ainda Hildon Chaves com 8,3% — hoje migrado para o União Brasil e ex-prefeito de Porto Velho, com potencial de crescimento pela absorção do eleitorado de Léo Moraes.
Cinco meses depois, a pesquisa Veritá confirma a liderança de Rogério com distância um pouco maior — 38,9% entre decididos contra 18,8% de Fúria —, mas com 81,2% do eleitorado ainda sem candidato definido. A volatilidade é estrutural neste estágio da corrida.
O que as duas pesquisas têm em comum, além dos números de intenção de voto, é o contexto que as atravessa: um eleitorado insatisfeito com os resultados de segurança, desconfiante das instituições e disposto a punir nas urnas quem não apresentar resposta convincente ao problema mais concreto de seu cotidiano.
A pauta que não perdoa omissão
Em eleições estaduais, segurança pública costuma ser tema de segundo escalão — superada por saúde, educação e emprego nas pesquisas de prioridades da maioria dos estados brasileiros. Em Rondônia, os dados de 2025 e 2026 descrevem uma situação diferente.
Quando 83,5% dos eleitores concordam que facções criminosas deveriam ser tratadas como terroristas, quando 47,9% das famílias foram vitimizadas em doze meses e quando 68,8% desconfiam das instituições de segurança, a pauta deixa de ser ideológica e passa a ser existencial. Não é sobre qual partido governa — é sobre se o estado consegue ou não garantir o mínimo de proteção à vida cotidiana de seus cidadãos.
Nesse ambiente, o candidato que apresentar proposta concreta, com metas verificáveis, investimento declarado e diagnóstico honesto sobre o que falhou nos últimos anos sai na frente de qualquer adversário que se limite à retórica da dureza penal. O eleitor rondoniense já ouviu essa retórica — inclusive da boca de um governador que veio da farda. E os números mostram que não foi suficiente.
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