Liquidação do Banco Master: Entre apoio institucional e suspeitas de interesses em ativos
Apoio da Febraban ao Banco Central destaca tensões no mercado financeiro, enquanto o TCU avança em inspeção que pode revelar motivações por trás da liquidação de uma instituição em expansão
No dia 5 de janeiro de 2026, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ao lado de outras dez entidades do setor financeiro, emitiu uma nota conjunta manifestando “plena confiança” no Banco Central do Brasil (BC) em meio ao escrutínio sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A manifestação, divulgada sem menção direta ao caso, mas em contexto claro de defesa da autoridade monetária, alertou para os riscos de revisão de decisões técnicas por outros órgãos, o que poderia gerar uma suposta “instabilidade” no sistema financeiro.
Essa posição ecoa um movimento mais amplo de pressão do mercado em apoio ao BC, acendendo debates sobre os reais interesses envolvidos na derrocada de uma instituição que, apesar de relatos de irregularidades, demonstrava agressividade e crescimento no mercado.
A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada pelo BC em 18 de novembro de 2025, após a Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que investigou supostas emissões de títulos falsos estimados em R$ 12 bilhões.
O controlador do banco, o banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente ao tentar embarcar para Dubai, mas obteve liberdade provisória com tornozeleira eletrônica e proibição de atuar no setor financeiro.
Vorcaro, que assumiu o controle do banco em 2019 (anteriormente conhecido como Banco Máxima), liderou uma expansão agressiva, rebatizando-o como Master em 2021 e focando em financiamento via investidores individuais. Relatos indicam que o banco captava recursos com CDBs a taxas de até 140% do CDI, prática considerada insustentável e que contribuiu para uma crise de liquidez crônica. Apesar disso, fontes apontam que o Master honrava pagamentos até o momento da intervenção, sugerindo que Vorcaro estava “saindo do buraco” financeiro, com o banco em pleno crescimento e parcerias como com o Banco de Brasília (BRB), que adquiriu R$ 12 bilhões em créditos do Master.
O BC justificou a liquidação com base na Lei nº 6.024/1974, citando grave comprometimento econômico-financeiro, fraudes em carteiras de crédito fictícias e risco sistêmico.
No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU), sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus (indicado pelo Republicanos), determinou em 5 de janeiro de 2026 uma inspeção in loco no BC para verificar documentos sigilosos e os procedimentos que embasaram a decisão.
O ministro classificou a liquidação como possivelmente “precipitada”, e há indícios de que o TCU avalia a reversão da medida, o que seria inédito e controverso, pois o TCU exerce controle externo em auxílio ao Congresso, sem competência para anular atos regulatórios exclusivos do BC, conforme a Lei Complementar nº 179/2021. O BC recorreu contra a inspeção, argumentando insuficiência na nota técnica enviada ao TCU em 30 de dezembro de 2025.
Essa pressão institucional e do mercado financeiro levanta questionamentos sobre motivações ocultas. O Master, conhecido por sua abordagem agressiva, detinha ativos e contratos valiosos, incluindo parcerias internacionais como investimentos de US$ 150 milhões em poços de petróleo na Venezuela. Com a liquidação, há relatos de interesse em adquirir esses bens, com o interventor Eduardo Félix Bianchini supostamente preocupado em não “desagradar” grandes players como o Itaú.
Aliados de Vorcaro apostam em uma suspensão da liquidação pelo TCU ainda em janeiro de 2026, durante o recesso, com frases como “o tribunal está dominado” circulando nos bastidores. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estima ressarcir R$ 41 bilhões a 1,6 milhão de credores, mas atrasos recordes em pagamentos – o maior em uma década – intensificam as tensões.
Em um tom opinativo, toda essa pressão sobre o BC precisa ser melhor observada pela sociedade e pelas autoridades. O Master, apesar de supostos indícios de fraudes, representava uma instituição em ascensão, com Vorcaro aparentemente superando desafios financeiros. A rapidez da liquidação, contrastando com o apoio maciço do setor financeiro ao BC, sugere que interesses em ativos e contratos podem estar em jogo. Grandes bancos e investidores poderiam se beneficiar da saída do Master do cenário, absorvendo seus portfólios em condições vantajosas.
Sem transparência total, corre-se o risco de enfraquecer a independência do BC e fomentar um “moral hazard” no sistema, onde decisões regulatórias se tornam negociáveis. O TCU, ao avançar em território regulatório, deve priorizar a estabilidade financeira, evitando que o caso se torne um precedente perigoso. Informações sobre supostas ligações do Master com crime organizado, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), foram mencionadas em relatórios, mas carecem de confirmação oficial além das investigações da PF.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli relata inquéritos relacionados, com depoimentos como o de Vorcaro em 30 de dezembro de 2025, mas não há decisões que alterem a liquidação até o momento. O caso expõe fragilidades no enforcement prudencial brasileiro, com o BC admitindo pressões externas, embora sem especificar fontes
Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) é articulada no Congresso para fevereiro de 2026, potencialmente ampliando o escrutínio. Enquanto isso, credores aguardam reembolsos via app do FGC, e o setor financeiro reafirma a necessidade de preservar a autoridade técnica do BC para evitar instabilidade
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