Grupo Mateus fecha 28 lojas Eletro em 2025 e enfrenta desalavancagem operacional no 4º tri
Com lucro de R$ 324 milhões no 4T25, gigante do varejo alimentar prioriza rentabilidade e digital enquanto encerra unidades de eletroeletrônicos que não atingiram metas
📌 Em resumo
• Grupo Mateus encerrou 28 lojas da bandeira Eletro Mateus em 2025, sendo 13 entre outubro e dezembro, além de desativar departamentos de eletrônicos em 20 unidades de varejo alimentar.
• No 4º trimestre, a receita líquida cresceu 20,9% (R$ 10,55 bi), mas as despesas operacionais subiram 34,2%, gerando desalavancagem e pressão sobre margens.
• Vendas em mesmas lojas recuaram 1,1% no período, refletindo consumo familiar enfraquecido por juros elevados e endividamento.
• Por que isso importa: O movimento sinaliza uma mudança de estratégia no varejo brasileiro — de expansão agressiva para foco em eficiência operacional, com impactos diretos em empregos, preços e acesso a produtos em regiões atendidas pela rede.
O Grupo Mateus, uma das maiores redes de varejo alimentar do Brasil com forte presença no Nordeste, anunciou o encerramento de 28 lojas da bandeira Eletro Mateus em 2025 — sendo 13 unidades apenas no último trimestre — como parte de um reposicionamento estratégico focado em rentabilidade e canais digitais. A medida, revelada durante teleconferência com analistas em 19 de março de 2026, ocorre em um cenário de consumo desacelerado e pressões macroeconômicas que afetam o setor como um todo.
Reestruturação do portfólio: menos lojas, mais foco
A decisão de encerrar unidades da Eletro Mateus não foi isolada. Segundo a companhia, 20 lojas de varejo alimentar também tiveram seus departamentos de eletrônicos desativados, concentrando esforços nos formatos de maior giro e margem. "Fechamos as lojas e fortalecemos o aplicativo, e com isso não sentimos o fechamento das lojas", afirmou Ilson Mateus Rodrigues, presidente do conselho de administração, destacando a migração para canais digitais como alternativa de crescimento.
“O consumo das famílias tem perdido força, por pressão de juros e endividamento das famílias e a força desacelerou e isso ficou mais agudo na segunda metade do ano” — afirma Jesuíno Martins Borges Filho, diretor-presidente do Grupo Mateus.
Resultados do 4º trimestre: receita sobe, mas margens pressionam
Apesar do recuo em vendas comparáveis, o Grupo Mateus registrou receita líquida de R$ 10,55 bilhões no 4º trimestre de 2025, alta de 20,9% ante o mesmo período de 2024. O lucro líquido, incluindo efeitos extraordinários, atingiu R$ 324,2 milhões, crescimento de 2,2%. Contudo, o indicador de vendas em mesmas lojas — que mensura o desempenho de unidades com mais de 12 meses de operação — recuou 1,1%, sinalizando desaceleração na demanda orgânica.
O ponto de atenção dos analistas foi a desalavancagem operacional: as despesas operacionais cresceram 34,2% (R$ 1,76 bilhão), ritmo superior ao da receita líquida (+20,9%). A relação despesa/receita, que media a eficiência na diluição de custos, piorou de 14,6% para 16,3% no período.
Impacto no mercado e reação dos investidores
A divulgação dos resultados gerou volatilidade nas ações da companhia (GMAT3). Por volta das 11h do dia 19 de março, os papéis registravam queda de até 14,43%, refletindo a decepção do mercado com o desempenho operacional abaixo das expectativas. O Grupo Mateus foi o ativo de maior queda no Icon, índice de consumo da B3, no pregão.
Contexto macro: deflação, juros e endividamento
Os executivos apontaram fatores externos como pressionadores do resultado. “Como se não bastasse temos cenário de deflação aguda, com algumas cestas caindo mais de 35%. Mas isso é no Brasil inteiro por todo o cenário ‘macro’. E o primeiro trimestre continua desafiador”, alertou Jesuíno Martins Borges Filho. A combinação de juros elevados, endividamento das famílias e queda de preços em categorias-chave reduziu o fôlego do consumo, especialmente no segundo semestre de 2025.
O movimento do Grupo Mateus reflete uma tendência mais ampla no varejo brasileiro: a transição de um modelo baseado em expansão física acelerada para um foco em eficiência operacional, margem e experiência digital. A consolidação com o Novo Atacarejo, concluída em julho de 2025, adicionou complexidade e custos à operação — cerca de R$ 237 milhões em despesas no 4º trimestre — mas também ampliou a presença da companhia em mercados estratégicos do Nordeste. Para Rondônia, onde o Grupo Mateus não possui operação direta, o caso serve como termômetro do setor: redes que atuam no estado podem enfrentar pressões similares em 2026, especialmente em segmentos de eletroeletrônicos, historicamente sensíveis a ciclos de crédito e poder de compra.
“2026 é ano de ganhar eficiência com margem, despesa e ciclo de conversão de caixa, dado que o macro está mais difícil” — Tulio de Queiroz, vice-presidente financeiro do Grupo Mateus.
📊 Cronologia do ajuste operacional (2025):
1º semestre: Revisão de política de estoques e custos; identificação de ajustes contábeis de R$ 62,8 milhões
timesbrasil.com.br
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Julho: Conclusão da integração com o Novo Atacarejo; parque total de lojas atinge 306 unidades
gironews.com
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Outubro–dezembro: Encerramento de 13 lojas Eletro Mateus e desativação de departamentos de eletrônicos em 20 unidades de varejo alimentar
timesbrasil.com.br
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Março/2026: Divulgação de resultados do 4T25 com foco em governança e eficiência
valor.globo.com
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🔗 Leia também: Grupo Mateus sob pressão: Erro de R$ 1,1 bilhão em estoques revela fragilidades em governança corporativa
🔗 Leia também: Governança no varejo: Cofundadora do Grupo Mateus formaliza transferência de 248 milhões de ações
O reposicionamento do Grupo Mateus ilustra um dilema central do varejo contemporâneo: como equilibrar escala, rentabilidade e experiência do cliente em um ambiente macroeconômico volátil? A aposta em digital, eficiência e governança pode fortalecer a companhia no médio prazo — mas exige disciplina operacional e clareza estratégica.
Para o leitor interessado em política econômica e poder corporativo, a pergunta que fica é: em um cenário de juros persistentemente altos, quais setores e modelos de negócio terão resiliência para crescer sem sacrificar margem? A resposta pode definir não apenas o destino de uma empresa, mas a dinâmica competitiva de todo um segmento.
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