Governador do Acre é alvo de operação da PF e alega 'tentativa de perseguição política em ano eleitoral'
Agentes recolheram dispositivos eletrônicos e valores em espécie na casa do governador do PP, que relaciona a ação a um processo de registro de voo e nega irregularidades
Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão na residência oficial do Governador do Estado do Acre, Gladson Cameli (PP). A ação integra um inquérito que, segundo o próprio chefe do Executivo estadual, apura supostas irregularidades no processo de avaliação para a obtenção de registro de piloto em uma escola de aviação local, onde ele figurou como aluno.
Em nota oficial publicada em suas redes sociais, o Governador Gladson Cameli detalhou a abordagem e afirmou ter colaborado integralmente com as autoridades. Segundo o comunicado, os agentes federais recolheram aparelhos eletrônicos e uma quantia em dinheiro de origem privada. O gestor assegurou que o montante faz parte de sua reserva financeira pessoal e que a comprovação da origem lícita dos recursos será formalmente apresentada à Justiça.
“Reiterando minha confiança na Justiça, lamento as tentativas de perseguição e, mais uma vez, de estratégia política com o objetivo de me atingir na proximidade das eleições”, afirmou o Governador em declaração pública.
Contexto e antecedentes
Esta nova movimentação ocorre em um cenário de tensão institucional no Acre. O Governador já é alvo de desdobramentos da Operação Ptolomeu, deflagrada originalmente em 2021 e ampliada em 2023. Aquela investigação, conduzida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos que envolveria membros do alto escalão do governo estadual e empresários.
Embora a ação desta quinta-feira tenha sido associada por Cameli especificamente ao registro de piloto, o impacto político é imediato. O cenário eleitoral municipal e a sucessão estadual futura intensificam o debate sobre o uso de instituições para fins políticos, argumento utilizado com frequência pela defesa do governador.
Até o fechamento desta matéria, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) não haviam divulgado detalhes técnicos sobre o sigilo do inquérito ou se a ação possui conexões diretas com as fases anteriores da Operação Ptolomeu.
Posicionamento oficial
O Governador Gladson Cameli encerrou sua manifestação reafirmando que mantém sua agenda administrativa e que está “sereno” diante dos fatos, agradecendo as mensagens de apoio de aliados políticos e da população.
Desdobramentos
Uma análise jurídica baseada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revela que o caso de Gladson Cameli possui contornos complexos, especialmente pelo fato de o governador já ser réu em ações penais na Corte.
Abaixo, detalhamos os possíveis desdobramentos com base em precedentes e no rito processual do tribunal:
⚖️ 1. Competência e Foro por Prerrogativa
O STJ consolidou o entendimento (Questão de Ordem na APn 866) de que o foro para governadores é restrito a crimes praticados durante o exercício do cargo e em razão das funções.
Desdobramento: Se a investigação sobre o registro de piloto envolver atos administrativos ou uso da estrutura estatal para benefício próprio, a competência permanece na Corte Especial do STJ. Caso contrário, há o risco de declínio de competência para a primeira instância.
⛓️ 2. Prorrogação de Medidas Cautelares
A jurisprudência recente (APn 1076) mostra que o STJ tem sido rigoroso com Gladson Cameli. Em 2025, a ministra relatora Nancy Andrighi prorrogou medidas como:
Proibição de contato com outros investigados;
Retenção de passaporte;
Indisponibilidade de bens.
Desdobramento: A apreensão de valores em espécie e dispositivos eletrônicos nesta nova ação pode servir de base para o Ministério Público Federal (MPF) solicitar o endurecimento dessas cautelares ou a renovação de prazos de indisponibilidade de bens.
🚫 3. Afastamento do Cargo (Medida Extrema)
Embora o STJ tenha o histórico de afastar governadores (como no caso de Wilson Witzel em 2020), a Corte negou o pedido de afastamento de Cameli quando ele se tornou réu em maio de 2024.
Desdobramento: Para que o afastamento ocorra agora, os novos elementos colhidos pela PF precisariam demonstrar que o governador está utilizando o cargo para obstruir a justiça ou que há risco atual de reiteração delitiva (conforme o Art. 282 do CPP).
📄 4. Recebimento de Nova Denúncia
Caso as buscas resultem em indícios de crime, o MPF pode oferecer uma nova denúncia ou aditar as existentes. No STJ, o recebimento da denúncia não exige autorização da Assembleia Legislativa estadual, o que agiliza o processo.
Desdobramento: O governador já enfrenta uma acusação com voto da relatora pela condenação a 25 anos de prisão (em dezembro de 2025). Novas provas podem agravar sua situação processual no julgamento de mérito da Corte Especial.
Nota Técnica: Toda medida de busca e apreensão contra autoridade com foro no STJ exige supervisão judicial constante. A validade das provas colhidas dependerá da demonstração de que os aparelhos e valores têm relação direta com os fatos investigados.
Assista aos detalhes da decisão do STJ que manteve medidas contra o governador Este vídeo fornece o contexto necessário sobre como a Corte Especial do STJ tem lidado com as medidas cautelares no âmbito da Operação Ptolomeu.
🔎 Verificação e confiabilidade
Fonte das declarações: Nota oficial publicada nos perfis verificados do governador Gladson Cameli.
Histórico jurídico: Dados sobre a Operação Ptolomeu são de domínio público e confirmados por registros do STJ e da PF.
Status da investigação atual: Informação insuficiente para verificar se há outros alvos ou se a operação possui um nome específico, além do relato fornecido pelo alvo da busca.
Qual a sua opinião sobre o impacto de operações policiais contra gestores públicos em períodos próximos a eleições? Comente abaixo sua perspectiva e compartilhe esta matéria em suas redes sociais para ampliar o debate.
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