Fraude na Caixa: PF mira Grupo Fictor em operação de R$ 500 milhões
Operação Fallax cumpre mandados em três estados e investiga esquema que envolve cooptação de funcionários, lavagem de dinheiro e possível ligação com facções criminosas
Em resumo
Polícia Federal deflagra Operação Fallax contra esquema de fraudes bancárias na Caixa com prejuízos acima de R$ 500 milhões.
Rafael Góis, CEO do Grupo Fictor, e o ex-sócio Luiz Phillippe Gomes Rubini estão entre os alvos; não há confirmação de prisões preventivas contra eles até o momento.
Investigação apura cooptação de funcionários de instituições financeiras, uso de empresas de fachada e possível ligação com células do Comando Vermelho no interior de São Paulo.
Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2026, alegando dívidas de cerca de R$ 4 bilhões.
Por que isso importa: O caso expõe vulnerabilidades no sistema financeiro e levanta questões sobre a regulação de holdings multissetoriais que operam na fronteira entre mercado regulado e não regulado.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 25 de março de 2026, a Operação Fallax, uma ação coordenada para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, com prejuízos estimados em mais de R$ 500 milhões. Entre os alvos de busca e apreensão está Rafael Góis, CEO e fundador do Grupo Fictor, holding multissetorial que ganhou projeção nacional nos últimos meses — mas não há confirmação, até o momento, de mandados de prisão preventiva contra ele ou contra seu ex-sócio, Luiz Phillippe Gomes Rubini.
A operação cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A investigação, iniciada em 2024, apura crimes de estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e organização criminosa. Foram autorizadas quebras de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas, além do bloqueio de bens imóveis, veículos e ativos financeiros no valor de até R$ 47 milhões.
“Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento”, detalhou a Polícia Federal em nota.
Como funcionava o esquema investigado pela PF
De acordo com as investigações, o grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas — inclusive vinculadas a um grupo econômico específico — para movimentar valores e ocultar recursos ilícitos. A estrutura empresarial era usada como fachada para dissimular a origem dos recursos, em um modelo que combinava fraudes bancárias tradicionais com técnicas sofisticadas de lavagem de capitais.
A Operação Fallax representa um desdobramento de apurações que ganharam corpo após a Caixa identificar, em comunicações formais à PF, a abertura fraudulenta de contas bancárias em nome de terceiros e a realização de empréstimos irregulares. Os valores desviados eram posteriormente convertidos em ativos de difícil rastreamento, incluindo criptoativos e bens de alto valor, em um ciclo típico de lavagem de dinheiro.
Os investigados poderão responder por crimes cujas penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão, incluindo organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Os investigados poderão responder por crimes cujas penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão, incluindo organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional.
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O Grupo Fictor: ascensão, crise e investigação
Fundado em 2007 como uma startup de soluções tecnológicas, o Grupo Fictor passou por um processo acelerado de diversificação a partir de 2013, com entrada no mercado de private equity, e intensificou sua expansão em 2018, com investimentos no agronegócio. Sob a liderança de Rafael Góis, formado em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, o grupo chegou a reunir cerca de dez empresas nos setores de alimentos, mercado financeiro, infraestrutura, energia e imobiliário, com escritórios em São Paulo, Miami e Lisboa.
A trajetória de ascensão do grupo, no entanto, foi acompanhada por questionamentos sobre a solidez de suas operações. Em reportagem da revista piauí, assessores de investimento relataram inconsistências entre o patrimônio declarado pela empresa e os ativos efetivamente identificáveis em balanços auditados. Em reuniões internas vazadas, funcionários expressaram preocupação com o uso de recursos de investidores para aquisições fora do escopo contratual original — uma prática que, segundo eles, configuraria “fraude contábil”.
“Isso é fraude, isso é fraude contábil! [...] Eu não tenho participação na compra de nenhum frigorífico. Eu tenho participação no rendimento da soja e do milho”, declarou uma assessora de investimentos em gravação obtida pela piauí.
No fim de 2025, o Grupo Fictor tentou adquirir o controle do Banco Master, às vésperas da liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central. A operação não foi concluída e, segundo a empresa, desencadeou uma crise de imagem que afetou sua liquidez. Em fevereiro de 2026, o grupo protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para a Fictor Holding e a Fictor Invest, alegando dívidas de cerca de R$ 4 bilhões. A medida teve como objetivo reorganizar as operações da holding e de sua unidade de investimentos, preservando as demais empresas do conglomerado.
Conexões com o crime organizado: o que se apura
Além das fraudes bancárias, a Polícia Federal investiga indícios de que o esquema possa estar associado a estruturas de lavagem de dinheiro vinculadas ao crime organizado. Segundo apurações da GloboNews, há suspeitas de ligação com células do Comando Vermelho que estariam expandindo atuação no interior de São Paulo, em especial o grupo conhecido como “Bonde do Magrelo”.
A hipótese é que empresas vinculadas ao grupo econômico investigado tenham sido utilizadas para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas, como o tráfico de drogas. A investigação ainda está em fase preliminar quanto a esse aspecto, e a PF não divulgou detalhes sobre eventuais conexões diretas entre os alvos da Operação Fallax e as facções criminosas.
Por que o caso importa para além do Norte e do Sudeste
Embora a Operação Fallax tenha epicentro em São Paulo, suas implicações transcendem fronteiras regionais. O caso expõe vulnerabilidades sistêmicas: a facilidade com que estruturas empresariais complexas podem ser usadas para ocultar fluxos financeiros ilícitos; os desafios de regulação de holdings que operam simultaneamente em mercados regulados e não regulados; e a necessidade de coordenação entre instituições financeiras, órgãos de controle e forças de segurança.
Para o leitor interessado em política e economia, o episódio também reacende o debate sobre a governança do sistema financeiro brasileiro e os limites da atuação de grupos econômicos que buscam acesso rápido ao mercado de capitais por meio de mecanismos como o “IPO reverso” — estratégia adotada pelo Grupo Fictor ao adquirir o controle de uma empresa já listada na B3 para acelerar seu ingresso na bolsa.
O que vem pela frente
A Operação Fallax segue em andamento, com a PF realizando diligências para colher elementos que possam sustentar denúncias formais ao Ministério Público Federal. Enquanto isso, o Grupo Fictor enfrenta o processo de recuperação judicial, que deverá definir o futuro de suas empresas e o ressarcimento de credores — entre eles, investidores que aplicaram recursos em produtos financeiros lastreados em contratos de commodities agrícolas.
Para o sistema financeiro, o caso serve como alerta: esquemas sofisticados de fraude continuam a explorar brechas regulatórias e falhas de governança interna. Para a sociedade, reforça a importância de mecanismos transparentes de supervisão e da responsabilidade corporativa em um mercado cada vez mais complexo.
No centro do turbilhão, Rafael Góis e Luiz Phillippe Gomes Rubini aguardam os próximos capítulos de uma investigação que pode redefinir não apenas seus destinos pessoais, mas também os parâmetros de atuação de grupos econômicos no Brasil.
Meta description: Operação Fallax da PF investiga fraude de R$ 500 milhões na Caixa com alvos como o Grupo Fictor. Entenda o esquema, os investigados e os impactos.
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