Fraude BRB Banco Master: funcionários reforçam tese de operação intencional
Servidores do Banco de Brasília ouvidos pela Polícia Federal indicam que falhas na compra de carteiras de crédito foram alertadas internamente; caso tramita no STF
Em resumo
Funcionários do BRB, ouvidos como testemunhas pela Polícia Federal, relataram que problemas na compra de carteiras do Banco Master já haviam sido sinalizados internamente
Depoimentos reforçam que o ex-diretor Dario Oswaldo de Garcia Junior não seguiu protocolos de compliance, fortalecendo a tese de fraude intencional e não de erro operacional
O caso, que envolve cerca de doze bilhões de reais em créditos sem lastro, tramita no Supremo Tribunal Federal após menção a parlamentar com foro privilegiado; investigação foi prorrogada por mais 60 dias em março de 2026
Por que isso importa: A apuração expõe vulnerabilidades na governança de bancos públicos e pode redefinir responsabilidades no sistema financeiro nacional
A Polícia Federal colheu, em abril de 2026, depoimentos de servidores do BRB no inquérito que investiga o caso envolvendo o Banco Master. Os funcionários foram ouvidos como testemunhas — e não como investigados — sobre a atuação na auditoria interna que identificou falhas na compra de carteiras de crédito da instituição.
Nos relatos, os servidores afirmaram que os problemas hoje investigados pelo Banco Central já haviam sido pontuados internamente, e indicaram que há sinais de fraude intencional na operação. Segundo informações obtidas pelo blog, os depoimentos reforçam que o então diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Oswaldo de Garcia Junior, não seguiu critérios de compliance e de segurança interna do banco.
“Os relatos reforçam que o ex-diretor não seguiu critérios de compliance e de segurança interna do banco, o que, na avaliação dos investigadores, enfraquece a hipótese de erro e fortalece a linha de apuração sobre fraude.”
A defesa de Dario e a versão do ex-diretor
A Polícia Federal já ouviu Dario Oswaldo de Garcia Junior no inquérito. Em depoimento, ele afirmou que não tinha conhecimento detalhado sobre o que estava sendo adquirido na operação de cerca de doze bilhões de reais — referente à compra de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master.
Dario também disse não entender como o BRB acabou comprando um volume tão elevado de créditos considerados problemáticos. Após a revelação do caso, o BRB promoveu uma troca completa em sua diretoria, e Dario deixou o cargo.
A defesa do ex-diretor foi procurada para comentar os depoimentos dos funcionários mas, até a última atualização desta reportagem, não havia se manifestado.
Afastamento judicial e fundamentos da decisão
Dario foi afastado do cargo de diretor em novembro de 2025 por ordem da justiça. O afastamento se deu “diante dos indícios de autoria e prova da materialidade delitiva do crime de gestão fraudulenta e possível associação criminosa e a deliberação do salvamento do Banco Master”, afirmou o juiz Ricardo Leite, da Justiça Federal do Distrito Federal.
“Nessa decisão, o magistrado apontou que o então presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Dario não foram capazes de providenciar contratos de crédito falsos, comprovantes de depósitos falsos, averbações falsas e outros documentos destinados a comprovar a validade de carteiras de créditos insubsistentes.”
O caso Master começou a tramitar na primeira instância e só depois foi remetido ao Supremo Tribunal Federal, o STF, devido à citação de um deputado federal nas investigações — parlamentares têm foro privilegiado na Corte.
Contexto: Operação Compliance Zero e os doze bilhões em questão
Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB. De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a dezessete bilhões de reais.
O BRB adquiriu mais de doze bilhões de reais em carteiras de crédito do Banco Master entre 2024 e 2025. Muitas dessas operações envolviam títulos considerados “podres” ou sem lastro real, conforme apurações das autoridades.
Em março de 2026, a pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do STF, prorrogou por mais 60 dias o inquérito que apura as irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. A medida visa permitir novas diligências para concluir a apuração.
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Por que o leitor nacional deve acompanhar este caso
Embora o BRB seja um banco público vinculado ao governo do Distrito Federal, as implicações do caso ultrapassam as fronteiras locais. A investigação testa:
A eficácia dos mecanismos de compliance em instituições financeiras públicas;
A coordenação entre Banco Central, Polícia Federal e Poder Judiciário em casos de alta complexidade;
A responsabilidade de gestores em operações de alto risco com recursos públicos.
O Banco de Brasília informou que segue operando normalmente e que atuou em conformidade com as normas de transparência, prestando informações regulares ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master.
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O que vem pela frente
Com a prorrogação do inquérito no STF, novos depoimentos devem ser colhidos nos próximos 60 dias. Entre os nomes que podem ser ouvidos estão ex-executivos do BRB e do Banco Master, além de operadores financeiros envolvidos nas transações questionadas.
A definição sobre a natureza das condutas — erro administrativo, gestão temerária ou fraude intencional — poderá resultar em ações civis, administrativas e penais contra os envolvidos. Para o sistema financeiro, o desfecho servirá como precedente sobre os limites da responsabilidade de gestores em operações estruturadas.
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Funcionários do BRB reforçam tese de fraude intencional na compra de carteiras do Banco Master. Entenda os depoimentos, o papel de Dario Garcia e os próximos passos da investigação no STF.
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