Fernando Vilas Boas: réu por tentativa de homicídio lança candidatura a deputado pelo PSD
Justiça de Rondônia aceitou denúncia contra empresário acusado de contratar grupo criminoso; caso envolve conexão com homicídio de comprador de gado e questiona trajetória pública do pré-candidato
Em resumo
Fernando Vilas Boas, empresário e ex-presidente da Associação Comercial de Ariquemes (ACIA), é réu por tentativa de homicídio qualificado no processo nº 7015342-34.2023.8.22.0002
O crime ocorreu em 25 de janeiro de 2022, seis dias após o assassinato do comprador de gado “Tito” em Monte Negro; a vítima foi um estudante de medicina baleado na cabeça que sobreviveu com sequelas permanentes
Três co-réus — o ex-policial penal Leandro José da Silva, o vigilante Silvaney Bispo dos Santos e o sargento da PM Valmir Rodrigues de Brito — estão presos; Leandro e Silvaney já foram condenados a 28 anos pelo homicídio de Tito
Fernando responde em liberdade sob medidas cautelares, mas lançou pré-candidatura a deputado federal pelo PSD em Rondônia
Por que isso importa: O caso expõe a intersecção entre disputas fundiárias, pistolagem e ambição política no interior do Brasil, levantando questionamentos sobre elegibilidade, foro privilegiado e a capacidade do sistema de justiça de processar figuras economicamente influentes.
O empresário Fernando Vilas Boas, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Ariquemes (ACIA) e pré-candidato a deputado federal pelo PSD em Rondônia, é réu por tentativa de homicídio qualificado após a Justiça aceitar denúncia do Ministério Público Estadual em fevereiro de 2025. O processo, de número 7015342-34.2023.8.22.0002, apura se Fernando contratou um grupo criminoso para executar um fazendeiro rival em disputa de terras — crime que, em janeiro de 2022, vitimou por engano um estudante de medicina baleado na cabeça.
Como a investigação conectou dois crimes e revelou o esquema
A conexão entre a tentativa de homicídio de janeiro de 2022 e o assassinato do comprador de gado Cícero Quirino da Silva, conhecido como “Tito”, ocorrido em Monte Negro seis dias antes, foi estabelecida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e pela Delegacia de Homicídios de Ariquemes. Em interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, foram captadas conversas entre Fernando e o então policial penal Leandro José da Silva, nas quais foram evidenciadas tratativas para a execução do crime.
“As escutas revelaram não apenas a contratação, mas a coordenação logística do atentado, com monitoramento prévio da vítima e divisão de funções entre os executores.”
Leandro, já condenado a 28 anos de prisão pelo homicídio de Tito em novembro de 2024, atuaria como intermediário entre Fernando e os executores. O vigilante Silvaney Bispo dos Santos, também condenado pelo mesmo crime, pilotou a motocicleta usada na tentativa de homicídio. O sargento da Polícia Militar Valmir Rodrigues de Brito, apontado como autor dos disparos, seguia na garupa. Os três estão presos preventivamente.
A vítima que não era o alvo: erro de execução e sequelas permanentes
Em 25 de janeiro de 2022, na RO-257, região de Ariquemes, os pistoleiros abordaram uma caminhonete que acreditavam ser do fazendeiro alvo. Quem desceu do veículo foi um jovem de 22 anos, estudante de medicina, filho do proprietário. Ele foi baleado na cabeça e, embora tenha sobrevivido, ficou com paralisia facial permanente e outras sequelas neurológicas.
O erro de execução não atenua a gravidade do crime. Pelo contrário: evidencia a atuação de um grupo organizado, com logística de vigilância, armamento e fuga, operando com impunidade relativa na região do Vale do Jamari. A vítima inocente tornou-se símbolo de como a pistolagem afeta indiscriminadamente a população.
Perfil público de Fernando Vilas Boas: empresário, perito e líder comunitário
Enquanto responde criminalmente, Fernando Vilas Boas mantém uma trajetória pública consolidada em Ariquemes. É empresário do setor agroindustrial, com representação de marcas como Tampico e Blue Ray, e possui extensas propriedades rurais. Presidiu a Associação Comercial e Industrial de Ariquemes (ACIA) no triênio 2022-2024 e é vice-presidente regional da Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Rondônia (FACER).
Paralelamente, atua como presidente da Associação de Mães de Autistas de Ariquemes (AMAAR), entidade fundada em 2009 que atende crianças com transtorno do espectro autista na região. Em redes sociais, Fernando destaca seu apoio à causa: “Tenho orgulho de, há mais de 15 anos, apoiar a AMAAR, em Ariquemes, uma entidade que realiza um trabalho sério, humano e essencial”.
Essa dupla imagem — benemérito comunitário e réu por crime violento — gera tensão na percepção pública. Para apoiadores, são esferas distintas. Para críticos, a atuação social poderia servir como blindagem reputacional.
A controvérsia da perícia judicial: conflito de interesses em julgamento alheio
Um dos episódios mais delicados do caso ocorreu durante o julgamento de Leandro José da Silva pelo homicídio de Tito, em 2024. A defesa do ex-policial penal contratou Fernando Vilas Boas como perito judicial para analisar imagens de câmeras de segurança e afirmar que Leandro não aparecia nas gravações.
Durante os debates no Tribunal do Júri de Ariquemes, o Ministério Público revelou publicamente que Fernando era investigado como mandante de tentativa de homicídio na qual Leandro teria atuado como executor. A revelação levantou questionamentos sobre a imparcialidade do laudo e sobre a ética na contratação de peritos com vínculos processuais com as partes.
“A situação expõe uma lacuna regulatória: não há impedimento legal explícito para que um réu atue como perito em processo conexo, mas a aparência de parcialidade compromete a credibilidade técnica.”
Fernando possui formação em ciências forenses e perícia em imagens e documentos, conforme registrado em seu perfil institucional na FACER. No entanto, a atuação como perito em casos criminais enquanto responde por crime da mesma natureza permanece como ponto de atenção para o Conselho Regional de Peritos e para o Judiciário.
Situação processual atual: medidas cautelares e caminho para o Júri
Com o recebimento da denúncia em fevereiro de 2025, Fernando Vilas Boas, Leandro José da Silva, Silvaney Bispo dos Santos e Valmir Rodrigues de Brito tornaram-se formalmente réus por tentativa de homicídio qualificado, nos termos do artigo 14, inciso II, combinado com o artigo 121, § 2º, do Código Penal.
Enquanto os três co-réus permanecem presos preventivamente, Fernando responde em liberdade, mas sob medidas cautelares determinadas pelo juízo da 4ª Vara Criminal de Ariquemes. Entre elas, estariam proibição de contato com testemunhas, recolhimento domiciliar noturno e suspensão de atividades como perito judicial — informações que dependem de confirmação em diário oficial para divulgação integral.
O próximo passo processual é a apresentação de defesa preliminar. Após essa fase, o juiz decidirá se os réus serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri Popular. Não há data prevista para a sessão, e o andamento depende da pauta da vara criminal e de eventuais recursos das defesas.
Candidatura e foro privilegiado: estratégia política ou blindagem judicial?
Em março de 2026, Fernando Vilas Boas anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo PSD. A legenda definiu nove nomes para a disputa proporcional, com meta de eleger dois deputados federais.
A movimentação reacendeu um debate recorrente no Brasil: a busca por mandato eletivo por parte de pessoas sob investigação criminal. Embora a legislação não impeça a candidatura de réus — salvo condenação com trânsito em julgado ou inelegibilidades específicas da Lei da Ficha Limpa —, a obtenção de foro privilegiado (competência originária do Supremo Tribunal Federal para deputados federais) pode alterar a dinâmica processual.
“Não se trata de presumir culpa, mas de questionar se o sistema permite que a ambição política seja usada como instrumento de influência sobre processos judiciais em curso.”
O contexto regional: pistolagem, disputa de terras e impunidade em Rondônia
O caso de Fernando Vilas Boas não é isolado. Reflete um padrão documentado em Rondônia: disputas fundiárias resolvidas por meio de violência, com envolvimento de agentes de segurança e operadores jurídicos. A região do Vale do Jamari, que inclui Ariquemes, Monte Negro e Machadinho d’Oeste, registra histórico de homicídios ligados a conflitos por terra e gado.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rondônia está entre os estados com maiores taxas de homicídios dolosos na região Norte. A pistolagem — contratação de executores para crimes sob encomenda — opera em rede, com intermediários, financiadores e executores, muitas vezes protegidos por estruturas locais de poder.
A conexão entre o homicídio de Tito e a tentativa de homicídio de janeiro de 2022 ilustra como esses esquemas são flexíveis: um mesmo grupo pode ser contratado para múltiplos crimes, com diferentes mandantes, em curto espaço de tempo.
Por que o leitor nacional deve se importar
Mesmo para quem não reside em Rondônia, o caso de Fernando Vilas Boas oferece um microcosmo de desafios estruturais do Brasil:
A intersecção entre poder econômico e impunidade: figuras com recursos financeiros podem acessar defesa técnica sofisticada, influenciar narrativas públicas e buscar mandatos como estratégia de proteção.
A fragilidade na regulação de peritos judiciais: a ausência de critérios claros para impedimento de peritos com vínculos processuais compromete a credibilidade de laudos técnicos.
O risco de instrumentalização do foro privilegiado: a busca por mandato eletivo por réus em crimes graves testa os limites da legislação eleitoral e da moralidade pública.
Perspectiva: o que esperar dos próximos capítulos
O julgamento pelo Tribunal do Júri, quando ocorrer, será um termômetro da capacidade do sistema de justiça de Rondônia de processar figuras influentes sem concessões. Para Fernando Vilas Boas, a campanha eleitoral e o processo criminal caminharão em paralelo — uma situação que exigirá do eleitor atenção redobrada para separar propaganda política de fatos judiciais.
Enquanto isso, a vítima do atentado de 2022 segue com sequelas permanentes. Sua história, muitas vezes ofuscada pelos nomes dos réus, é o lembrete mais humano de que, por trás de processos e candidaturas, há vidas transformadas pela violência.
NR*. O processo ainda está em andamento, e o espaço está aberto para manifestação das partes citadas.
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