Ex-namorada de Vorcado diz que foi enganada e nega patrimônio oculto: 'ela mora de aluguel'"
Advogado Lúcio de Constantino afirma que modelo vive "profunda decepção" após Operação Carbono Oculto e contesta suspeitas de patrimônio oculto nos Estados Unidos
Em resumo
O advogado de Martha Graeff afirma que ela foi “enganada” por Daniel Vorcaro e vive um “estado de choque e profunda decepção” desde a prisão do banqueiro
A defesa nega que Martha tenha recebido qualquer bem do ex-companheiro — apesar de investigações da Polícia Federal apontarem possível transferência de patrimônio superior a R$ 520 milhões
A CPI do Crime Organizado e a CPMI do INSS convocaram Martha como testemunha; o depoimento na CPMI está marcado para 23 de março
Mensagens entre o casal citam encontros de Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes — ponto central de interesse das comissões
Por que isso importa: Martha Graeff é até agora a única pessoa fora do sistema financeiro com acesso em tempo real aos bastidores do Banco Master durante o período investigado
Martha Graeff diz que foi enganada por Vorcaro: “Mora de aluguel”
A defesa da modelo e influenciadora Martha Graeff afirma que ela foi surpreendida pela dimensão do escândalo envolvendo o Banco Master e se sentiu enganada pelo ex-companheiro Daniel Vorcaro. O advogado Lúcio de Constantino disse, em entrevista ao Estúdio i na quarta-feira, 18 de março de 2026, que sua cliente vive um “estado de choque e profunda decepção” desde a prisão do banqueiro no âmbito da Operação Carbono Oculto. Ao mesmo tempo, a CPI do Crime Organizado do Senado aprovava a convocação de Martha como testemunha — a segunda comissão parlamentar a fazê-lo em menos de uma semana.
“Ela caiu em depressão”: a versão da defesa
Segundo Constantino, Martha conhecia apenas a face pública de Vorcaro — um empresário que se apresentava como bilionário bem-sucedido no sistema financeiro. As revelações da investigação, afirma o advogado, expuseram uma realidade que ela desconhecia.
“Ela foi surpreendida com esse rombo, com esse escândalo todo. Esta mulher caiu em depressão”, declarou Constantino.
A linha narrativa da defesa é clara: Martha era receptora passiva de relatos de um homem que usava os diálogos para se valorizar diante da namorada. “Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”, afirmou o advogado.
Para Constantino, o que aconteceu foi um relacionamento com uma pessoa que se destacava publicamente no mercado financeiro — e que, depois, revelou uma face desconhecida. “O que aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia.”
R$ 520 milhões, uma mansão em Miami — e ela mora de aluguel
Investigações apontam que Vorcaro teria transferido bens superiores a R$ 520 milhões para Martha, entre eles uma mansão avaliada em R$ 450 milhões em Miami, mantida por meio de uma estrutura jurídica complexa. A Polícia Federal apura se a modelo teria sido usada como beneficiária para blindar o patrimônio do banqueiro enquanto as investigações avançavam.
A defesa rejeita integralmente essa versão. Constantino afirmou que Martha não possui imóveis, automóveis ou qualquer valor oriundo do relacionamento — no Brasil ou no exterior. Para ilustrar, usou um exemplo direto: “Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado.”
Segundo a defesa, o patrimônio de Martha é declarado regularmente nos Estados Unidos, onde vive há cerca de 20 anos, sem qualquer alteração ligada ao relacionamento com Vorcaro. Tudo teria sido construído em duas décadas de trabalho como modelo e influenciadora internacional.
Sobre a abertura de um trust — estrutura jurídica usada para gestão de patrimônio no exterior —, Constantino foi categórico: Martha não tem conhecimento da existência de nenhum trust em seu nome, em qualquer país. Em 2024, ela chegou a ser questionada por Vorcaro sobre seu passaporte. O banqueiro respondeu que o documento seria necessário para abertura de um trust. A defesa afirma que Martha não soube do que se tratava nem autorizou qualquer estrutura.
Alexandre de Moraes no chat — e a pergunta que a CPI quer responder
O ponto mais sensível do caso envolve mensagens em que Vorcaro relata à ex-noiva encontros com autoridades dos três poderes. Em uma das conversas, o banqueiro descreve uma chamada de vídeo com alguém identificado como Alexandre de Moraes. Martha reagiu com surpresa: “Morri... que vergonha, eu estava de pijama”.
Os diálogos não deixam claro se a referência é ao ministro do Supremo Tribunal Federal. O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que o caráter informal do encontro — descrito durante um feriado, na vizinhança da residência do banqueiro — levanta questões que só o depoimento poderá responder: tratava-se de uma visita social? Havia pauta institucional envolvida?
O gabinete do ministro Alexandre de Moraes não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
Constantino criticou duramente a exposição dessas conversas: “Se há uma mensagem que traz uma autoridade, o caminho é a investigação séria, a quebra de sigilo, e não a mídia agressiva sobre a intimidade de uma mulher.”
“Se há uma mensagem que traz uma autoridade, o caminho é a investigação séria, a quebra de sigilo, e não a mídia agressiva sobre a intimidade de uma mulher.” — Lúcio de Constantino, advogado de Martha Graeff
Duas CPIs, um depoimento juridicamente ameaçado
A CPI do Crime Organizado convocou Martha Graeff na condição de testemunha — obrigação legal que a sujeita a pena de falso testemunho em caso de mentira. A CPMI do INSS também aprovou requerimento similar na semana anterior. O depoimento na CPMI do INSS está marcado para o dia 23 de março.
Mas a defesa já sinalizou que o depoimento pode ser esvaziado juridicamente. Constantino afirmou que uma decisão judicial teria vedado o acesso a determinadas mensagens — e que, se o interesse das comissões se restringe a esse material proibido, a oitiva “fica prejudicada”. “Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu o advogado.
A defesa pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar garantir o direito ao silêncio ou até a dispensa do depoimento — caminho que outros convocados já percorreram no mesmo processo.
A intimidade como campo de batalha jurídica
Para além do patrimônio, Constantino destacou a dimensão humana do caso. A defesa estuda acionar a Justiça pela exposição do que considera divulgação ilegal de conversas privadas, classificando a situação como uma “grave violência” contra sua cliente.
Martha não figura como investigada em nenhum dos inquéritos em andamento. A tese da defesa é que ela sofre duplamente: pelo comportamento de Vorcaro, que a usou como confidente sem revelar a extensão dos seus negócios, e pela exposição pública que se seguiu à prisão do banqueiro — incluindo mensagens íntimas que se tornaram manchetes nacionais.
O que vem a seguir
O depoimento de Martha Graeff nas comissões parlamentares será um dos momentos mais aguardados da investigação. Ela é, até agora, a única interlocutora conhecida que teve acesso em tempo real aos relatos de Vorcaro sobre seus encontros com autoridades — sem estar dentro do sistema financeiro investigado.
A questão que permanece em aberto não é apenas patrimonial. É política: o que exatamente Vorcaro dizia a Martha sobre suas relações com o poder — e quanto disso pode ser verificado por outros meios? A resposta a essa pergunta pode mudar o tamanho do escândalo. Ou confirmar que o banqueiro era, acima de tudo, um excelente contador de histórias.
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