EUA recuam em acusações contra Maduro sobre liderança no cartel de Los Soles
Em revisão divulgada após operação em Caracas, DOJ abandona alegação de que Maduro liderava cartel de drogas, redefinindo-o como sistema de corrupção e gerando questionamentos internacionais
Os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, realizaram uma significativa revisão no indiciamento contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, removendo a alegação de que ele seria o líder do suposto Cartel de Los Soles. Essa mudança, divulgada pelo Departamento de Justiça (DOJ), ocorre em meio à captura de Maduro em uma operação militar sem precedentes em Caracas, que tem sido amplamente criticada pela comunidade internacional.
A acusação original, apresentada em 2020 durante o primeiro mandato de Trump, descrevia Maduro como “chefe de uma organização terrorista narcotraficante”. No entanto, a versão reescrita, liberada logo após a prisão de Maduro e de sua esposa Cilia Flores, altera a linguagem para afirmar que ele “participa, protege e perpetua uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas”. O Cartel de Los Soles, anteriormente designado como uma organização terrorista internacional pelo Departamento de Estado em novembro de 2025, é agora mencionado apenas duas vezes no documento, sendo caracterizado como um “termo guarda-chuva” para redes de narcotráfico operadas por elites venezuelanas, sem uma hierarquia definida.
De acordo com o texto revisado do DOJ: “O réu, Nicolás Maduro Moros — assim como o ex-presidente Chávez antes dele — participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual as elites poderosas da Venezuela se enriquecem por meio do tráfico de drogas e da proteção de seus parceiros traficantes. Os lucros dessa atividade ilegal fluem para oficiais civis, militares e de inteligência corruptos de diferentes níveis, que operam em um sistema de clientelismo comandado pelos que estão no topo — conhecido como Cartel de Los Soles ou Cartel do Sol, em referência ao símbolo do sol afixado nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente”.
Especialistas em crime organizado, como Jeremy McDermott, cofundador e codiretor da InSight Crime, uma fundação dedicada ao estudo do crime nas Américas, questionam há anos a existência do Cartel de Los Soles como uma entidade centralizada. McDermott, cujos trabalhos foram citados por veículos como “The New York Times”, “The Washington Post” e “The Guardian”, descreve o termo como uma “rede de redes” difusa que facilita o tráfico de drogas, composta por membros de diversas patentes militares e estratos políticos na Venezuela. Ele afirma que o esquema precede o governo de Hugo Chávez, antecessor de Maduro, e não se assemelha a cartéis tradicionais como o de Sinaloa, liderado por Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán, ou o de Medellín, de Pablo Escobar.
McDermott enfatiza que, embora Maduro não seja o líder de um cartel formal, ele seria um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” na Venezuela, onde concessões são distribuídas a militares e aliados em troca de apoio político. Essa visão é ecoada em análises recentes, que apontam o cartel não como uma organização hierárquica, mas como um sistema de patronato corrupto.
A operação militar em Caracas, realizada em 3 de janeiro de 2026, marcou uma escalada nas tensões entre os EUA e a Venezuela, culminando na prisão de Maduro. A ação foi repudiada por aliados internacionais, com discussões em fóruns como a ONU destacando preocupações sobre soberania e o uso de alegações de narcotráfico para justificar intervenções.
No contexto de 2025, os EUA intensificaram acusações contra o regime venezuelano, incluindo bombardeios a embarcações suspeitas no Caribe, sob o pretexto de combater o narcotráfico.
Essa revisão no indiciamento levanta debates sobre a solidez das alegações iniciais do governo Trump, comparadas por alguns analistas a pretextos históricos como as “armas de destruição em massa” no Iraque. Maduro, que se declarou inocente em corte nos EUA, continua acusado de conspiração para tráfico de drogas, mas sem a ênfase em liderança de um cartel específico.
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