Escândalo da Americanas: Ex-diretor da B2W é acusado de lucrar R$ 1,2 milhão com queda das ações
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) formaliza acusação contra Raoni Lapagesse, apontando ganho atípico com opções de venda poucas horas antes da revelação do rombo bilionário da varejista
O desdobramento de um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil ganhou um novo capítulo administrativo e jurídico. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, formalizou uma acusação contra o ex-executivo Raoni Lapagesse Franco Fabiano por suposto uso de informação privilegiada (insider trading) em negociações envolvendo papéis da Americanas S.A.
A acusação foca em movimentações financeiras realizadas em datas próximas a 11 de janeiro de 2023, quando a companhia divulgou o fato relevante que revelou “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões — valor posteriormente atualizado para uma fraude de cerca de R$ 25 bilhões.
Operação “atípica e arriscada”
Raoni Lapagesse, que ocupou o cargo de Diretor de Relações com Investidores da B2W (braço digital que se fundiu à Americanas), já havia deixado os quadros oficiais da empresa sete meses antes da eclosão da crise. No entanto, investigações apontam que ele mantinha canais de comunicação ativos com a cúpula da companhia.
Segundo denúncia anterior do Ministério Público Federal (MPF), Lapagesse teria realizado uma operação financeira descrita como “totalmente atípica”. O ex-executivo investiu R$ 26,3 mil na compra de puts (opções de venda que valorizam quando o preço da ação cai) poucas horas antes do anúncio oficial do rombo.
Com o colapso das ações da Americanas logo após a notícia, a operação rendeu um lucro líquido de R$ 1,257 milhão, representando uma valorização de 4.780%. Para os investigadores, tamanha precisão no timing do investimento só seria explicável pelo acesso a informações sigilosas.
Provas e diálogos internos
A investigação independente contratada pela Americanas e compartilhada com as autoridades coletou diálogos de WhatsApp que comprometem a defesa do ex-executivo. Nas mensagens, Lapagesse demonstrava conhecimento sobre a iminência da revelação da fraude.
Em uma das conversas, ele teria afirmado a um interlocutor que, no momento em que o mercado soubesse da verdade, o então CEO da companhia, Miguel Gutierrez, “já estaria foragido em Madri” — previsão que se concretizou, uma vez que Gutierrez possui cidadania espanhola e se mudou para a Europa antes de ter a prisão decretada (posteriormente revogada).
O outro lado
Em nota oficial, Raoni Lapagesse manifestou surpresa com o novo processo da CVM e afirmou ainda não ter tido acesso integral aos autos. O ex-executivo “reafirma sua inocência e a confiança nas autoridades competentes para o pleno esclarecimento dos fatos”.
A defesa de Lapagesse sustenta que:
“Suas decisões de investimento sempre foram tomadas com base em informações públicas e análises de mercado. Sua trajetória de 15 anos é pautada pela ética e observância das legislações vigentes e das melhores práticas de governança corporativa.”
Impactos institucionais
O processo sancionador da CVM soma-se à esfera criminal, onde o MPF denunciou, em março de 2024, um total de 13 ex-executivos da varejista por crimes de manipulação de mercado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O caso reforça o debate sobre a eficácia dos mecanismos de compliance em grandes corporações brasileiras e a agilidade dos órgãos reguladores em punir crimes de “colarinho branco”.
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