E-mails inéditos mostram relações de Jeffrey Epstein com modelos brasileiras e citam viagens, dinheiro e intermediações
Mensagens divulgadas por autoridades americanas reacendem apurações sobre contatos de Epstein com mulheres brasileiras e motivam análise preliminar do MPF
A divulgação, nas últimas semanas, de um amplo conjunto de documentos oficiais pelo governo dos Estados Unidos trouxe novos elementos sobre as relações mantidas por Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado, com mulheres brasileiras ao longo de mais de uma década. Os arquivos, que incluem trocas de e-mails e registros internos, indicam contatos frequentes com modelos e intermediárias no Brasil, menções a transferências de dinheiro, convites para viagens internacionais e pedidos explícitos de apresentação de outras mulheres.
Parte desse material foi posteriormente retirada do ar pelas autoridades americanas após a identificação de possíveis vítimas, conforme informado por veículos de imprensa internacionais. O conteúdo remanescente, no entanto, passou a ser analisado por jornalistas e autoridades brasileiras, diante da possibilidade de que algumas dessas interações tenham ocorrido em território nacional ou envolvido cidadãs brasileiras.
Antecedentes e contexto internacional
Jeffrey Epstein foi preso pela primeira vez em 2008 e, à época, declarou-se culpado de acusações relacionadas à solicitação de prostitutas menores de idade nos Estados Unidos. O caso ganhou repercussão global anos depois, com novas investigações federais e denúncias de tráfico sexual. Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento, em uma prisão federal em Nova York.
Os documentos agora divulgados incluem mensagens trocadas desde pelo menos 2006, portanto anteriores à sua primeira condenação. Em diversos trechos, Epstein fala de visitas ao Brasil, especialmente a São Paulo, menciona a intenção de enviar dinheiro e solicita que interlocutoras apresentem “amigas” para encontros durante viagens internacionais.
Relações com brasileiras e apoio financeiro
Segundo apuração da BBC News Brasil, os e-mails mostram que Epstein manteve relações pessoais com modelos brasileiras, algumas das quais demonstravam dependência financeira. Em mensagens datadas entre 2009 e 2013, há pedidos de recursos para despesas pessoais, procedimentos estéticos e auxílio emergencial.
Em uma dessas trocas, uma brasileira solicita dinheiro para uma cirurgia de implante de silicone, afirmando que aguardaria o pagamento para realizar o procedimento. Registros internos indicam que funcionários de Epstein foram instruídos a realizar transferências, inclusive em moeda brasileira. Em outros momentos, há referência a pagamentos para serviços de beleza e a pedidos de ajuda financeira para familiares.
As mensagens também revelam agradecimentos explícitos por apoio financeiro. Em uma delas, datada de fevereiro de 2012, uma interlocutora escreve: “Meu amor, obrigada por tudo. Você é incrível. Obrigada por se importar comigo”, associando o relacionamento a ajuda material frequente. Epstein, por sua vez, pergunta se poderia enviar dinheiro diretamente para uma conta bancária no Brasil.
Intermediação de contatos e menção a Natal
Um dos pontos mais sensíveis dos arquivos envolve a possível intermediação de contatos entre Epstein e outras mulheres brasileiras. Em registros de janeiro de 2011, uma brasileira descreve a organização da viagem de uma jovem residente em Natal, no Rio Grande do Norte, para os Estados Unidos. As mensagens tratam de emissão de passaporte, logística da viagem e envio de fotografias. As idades das mulheres mencionadas não constam nos documentos analisados.
Esse conjunto específico de mensagens chegou ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Norte. Em comunicação interna, o procurador-chefe Gilberto Barroso de Carvalho Júnior, procurador da República, relatou ter recebido informações “dando conta do aliciamento e envio de mulher residente nos arredores de Natal/RN possivelmente para a prática de atos sexuais com a pessoa de Jeffrey Epstein, nos EUA”.
O procedimento foi encaminhado à Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Imigrantes. Até o momento, não há confirmação de que o aliciamento tenha efetivamente ocorrido. Informação insuficiente para verificar se houve crime ou se a viagem se concretizou.
Parceiros e o setor da moda
Os documentos também citam a atuação de Jean-Luc Brunel, agente de modelos francês e conhecido parceiro de Epstein. Em mensagens trocadas em 2010, Brunel menciona ter estado em Natal e discute com Epstein a possibilidade de contatos no Brasil ligados ao setor da moda. Brunel foi preso na França em 2020, acusado de assédio sexual e estupro contra jovens entre 15 e 18 anos — acusações que ele negava. Ele foi encontrado morto em uma prisão em Paris em 2022.
Há ainda referência, em conversas atribuídas a parceiros de Epstein, à intenção de adquirir uma revista de moda no Brasil e de manter contatos locais para recrutamento de mulheres. Essas mensagens são tratadas com cautela por investigadores, uma vez que o contexto é fragmentado e não permite afirmar a ocorrência de crimes.
Limites das evidências e cautela institucional
Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam que os e-mails, por si só, não comprovam ilegalidades específicas. O conteúdo indica comportamentos moralmente questionáveis e relações de poder assimétricas, mas exige análise jurídica aprofundada para eventual responsabilização criminal.
O MPF informou que o procedimento instaurado tem caráter preliminar e busca verificar a existência de elementos mínimos que justifiquem a abertura de investigação formal. Até o momento, não há denunciados no Brasil relacionados diretamente a esses fatos.
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