No STF, dono do Banco Master relata pressões do mercado e negociações com o BRB sob investigação da PF
Em audiência no Supremo, banqueiro afirma ter alertado o Banco Central sobre operações do Master, relata negociações com o BRB e nega tentativa de fuga investigada pela Polícia Federal
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre supostas fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões envolvendo a instituição financeira. A audiência ocorreu por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, e foi conduzida pela delegada Janaína Palazzo, responsável pelo inquérito.
Durante a oitiva, Vorcaro afirmou que “forças internas do Banco Central e do mercado” teriam atuado para que “acontecesse o que aconteceu”, em referência à liquidação do Banco Master. A declaração foi feita em resposta a questionamento de seu advogado, Roberto Podval, sobre as razões pelas quais a venda da instituição não teria sido concluída.
“Queriam que eu estivesse fora do mercado. Aliás, eu fui alertado lá atrás do que aconteceria, que eu seria retirado do mercado se eu não deixasse o banco. Eu me dispus a deixar. Eu me dispus a fazer todo o roteiro de sair, só que eu queria sair pela porta da frente, não gerando prejuízo para ninguém. E não foi isso que me deixaram fazer”, declarou o banqueiro, segundo o registro da audiência.
Comunicações com o Banco Central
Vorcaro afirmou que manteve contato frequente e formal com o Banco Central do Brasil (BCB) ao longo das operações do Master. “Sabe quantas comunicações eu tenho com o Banco Central em um ano? Eu estava fazendo a conta, quase 400 cartas”, disse, ao relatar que informava a autoridade monetária sobre os movimentos da instituição.
Segundo o banqueiro, a solução apresentada ao BCB diante da crise do Master teria sido a venda de três frentes de negócio:
O Banco Master para um grupo de investidores, incluindo a Fictor e investidores estrangeiros;
O Eubank para o fundo Mubadala;
O banco de investimentos para uma holding brasileira com participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Tentativa de embarque e prisão domiciliar
Questionado sobre a abordagem da PF no Aeroporto de Guarulhos, na noite de 17 de novembro, quando foi localizado tentando embarcar para Dubai, Vorcaro negou qualquer intenção de fuga. “De maneira nenhuma. Não é do meu perfil, não seria o momento nem a forma. Encaro meus problemas de frente”, afirmou.
O banqueiro cumpre prisão domiciliar em São Paulo, monitorado por tornozeleira eletrônica, conforme determinado no curso da investigação.
Relação com o BRB e compra de carteiras
Um dos pontos centrais do depoimento foi a negociação com o Banco de Brasília (BRB), que, segundo as investigações, teria tentado adquirir carteiras de crédito do Master consideradas problemáticas. Vorcaro relatou que, entre o final de 2024 e o início de 2025, o banco passava por um “planejamento novo”, influenciado por mudanças regulatórias e de mercado.
“Já seria um negócio que a gente estava engendrando com o banco BRB”, afirmou, ao explicar a estratégia de expansão da originação de crédito e a incorporação de um portfólio maior ao banco.
A delegada Janaína Palazzo questionou detalhadamente os mecanismos de controle interno, os repasses de informações e a atuação de diretores e da tesouraria nas operações. Vorcaro respondeu que se concentrou nos “contratos macro da transação” e que havia cláusulas de resguardo em caso de “vício documental”.
Sobre as carteiras da empresa Tirreno, a delegada perguntou se houve devolução de recursos ao BRB. Vorcaro explicou que foram assinados contratos para recompra e devolução em etapas, por meio de tranches mensais. Segundo ele, ao final do processo, teria restado a formalização da transferência de cerca de R$ 1,4 bilhão em ativos com garantia.
Ciência do regulador
Em outro momento da audiência, o banqueiro reiterou que o Banco Central teria sido informado previamente sobre as operações. “Esse negócio da própria Tirreno, antes de iniciar, foi comentado com o Banco Central, como cada passo que a gente tomava no banco ele foi comentado com o Banco Central”, afirmou.
Contexto institucional
A Operação Compliance Zero investiga a regularidade de operações financeiras do Banco Master, incluindo aquisições de carteiras de crédito, mecanismos de governança e possíveis falhas nos processos de compliance e gestão de riscos. O caso mobiliza órgãos de controle, autoridades regulatórias e o sistema de Justiça, com potenciais impactos para o setor financeiro e para a relação entre bancos privados e instituições públicas como o BRB.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre as responsabilidades penais ou administrativas decorrentes das acusações.
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