Do Texas a Manguinhos: Quem é Ricardo Magro, o dono da Refit alvo de 190 mandados de busca nesta quinta
Em uma ação que mobilizou centenas de agentes em cinco estados e no DF, autoridades desarticulam rede de fraudes fiscais que drenou R$ 26 bilhões dos cofres públicos
Nesta quinta-feira, 27 de novembro de 2025, uma megaoperação conjunta de órgãos fiscais e policiais deflagrou a Operação Poço de Lobato, visando desmantelar um sofisticado esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis. O principal alvo é o Grupo Refit, conglomerado controlado pelo empresário Ricardo Magro, considerado o maior devedor de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos principais inadimplentes da União. A ação resultou na execução de 190 mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao grupo, incluindo pessoas físicas, jurídicas e uma instituição financeira, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e no Distrito Federal.
A operação, coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (Cira-SP), contou com o apoio da Receita Federal, Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) e forças policiais civis e militares de diversos estados. Ao todo, 621 agentes foram mobilizados, em uma das maiores forças-tarefas fiscais recentes do país.
Segundo as autoridades, o esquema causou prejuízos estimados em R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federais, por meio de práticas como a simulação de vendas interestaduais de combustíveis, uso de empresas interpostas para evitar o pagamento de tributos e reincidência em descumprimentos fiscais. O Grupo Refit, proprietário da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro – um de seus principais ativos, adquirido em 2008 –, atua há décadas no setor de combustíveis, controlando dezenas de empresas, incluindo uma rede de postos como a Tigrão.
Apesar de sua escala – o grupo movimentou R$ 70 bilhões em um único ano, conforme declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad –, a Receita Federal aponta que a refinaria não recolhe tributos há anos, declarando falsamente importações e utilizando recuperação judicial para ocultar financiadores e sustentar operações deficitárias.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10,2 bilhões em bens do grupo, visando preservar ativos para eventual ressarcimento aos cofres públicos. No centro das investigações está Ricardo Magro, de 51 anos, advogado formado pela Universidade Paulista (Unip) e empresário com histórico controverso no setor. Magro, que se descreve como referência na defesa de postos de bandeira branca (sem exclusividade de marca), é ex-advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ), condenado no âmbito da Lava Jato.
Em 2016, ele foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de participação em desvios de recursos dos fundos de pensão Petros (da Petrobras) e Postalis (dos Correios), na compra de títulos do Grupo Galileo, mas foi absolvido posteriormente. Além da Refit, Magro controla uma refinaria no estado do Texas, nos Estados Unidos, e a Pragmatismus Consultoria, sediada em Lisboa, Portugal.
O empresário também acumula menções em outras investigações. Em julho de 2024, o MP-SP o apontou como usuário de empresas em esquemas de sonegação e adulteração de bombas de combustíveis. Foi investigado por suposto envolvimento em corrupção na Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas a denúncia foi arquivada. Em agosto de 2025, surgiu em depoimentos da Operação Carbono Oculto, que apurou infiltração da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no ramo de combustíveis via fintechs; Magro negou ligações e alegou ser vítima de ameaças do grupo por combater irregularidades.
Em dezembro de 2024, uma ação da Polícia Civil de São Paulo o ligou a 188 empresas usadas para crimes fiscais e lavagem. A Refit já havia sido interditada pela ANP em setembro de 2025, por irregularidades como tanques não autorizados e importações falsas de gasolina como nafta, e teve operações suspensas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em outubro.
A operação ganha contornos políticos: em 2010, o grupo foi investigado na “máfia dos combustíveis” no Rio; recentemente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi homenageado em jantar oferecido pela Refit em Nova York. Além disso, um ex-assessor próximo de Ciro Nogueira (PP-PI) figura entre os alvos. Paralelamente, um projeto de lei para endurecer punições a devedores contumazes como a Refit está parado na Câmara, com a presidência alegando “excesso de interesse” na relatoria.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou a reclamar com o ministro do STF Luiz Fux (sucessor de Fachin) sobre benefícios fiscais à Refit, apontando prejuízos ao estado. Especialistas consultados em reportagens recentes destacam que casos como esse expõem vulnerabilidades no sistema tributário brasileiro, onde fraudes aduaneiras e interestaduais “do porto ao posto” incorporam irregularidades como estratégia de negócio.
Entre 2020 e 2025, importações ligadas ao grupo ultrapassaram R$ 32 bilhões em combustíveis, com retenções recentes de navios carregados com 180 milhões de litros em operações como a Cadeia de Carbono. A rede de ocultação envolve offshores no Texas (pelo menos 15), fundos de investimento e fintechs, complicando a rastreabilidade de ativos.
Essa é uma das maiores ações contra o setor de combustíveis nos últimos anos, reforçando a necessidade de reformas para coibir a sonegação crônica. As investigações prosseguem, com expectativa de indiciamentos e recuperação de valores desviados.
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