Deportação, Epstein e Trump: os bastidores do caso Amanda Ungaro
Ex-modelo brasileira, ex-companheira de aliado de Trump, ameaça revelar informações sobre o casal presidencial após deportação; caso envolve disputa de guarda, Epstein e acusações de abuso
Em resumo
Amanda Ungaro, 41, ex-modelo brasileira, publicou ameaças no X contra Donald e Melania Trump, chamando o presidente de “pedófilo” e prometendo “derrubar o sistema”.
Ela foi deportada pelo ICE em outubro de 2025 após o ex-companheiro Paolo Zampolli, hoje enviado especial de Trump, contatar um alto funcionário da imigração, segundo o New York Times.
Ungaro acusa Zampolli de abuso sexual e violência doméstica; o italiano nega as alegações e afirma que apenas buscou informações sobre o caso.
A ex-modelo relata ter viajado no avião de Jeffrey Epstein em 2002 e visto dezenas de meninas jovens, conectando o caso ao escândalo de tráfico sexual.
Por que isso importa: O episódio expõe tensões entre influência política, processos migratórios e disputas judiciais nos EUA, com repercussão em debates sobre poder, impunidade e proteção a vítimas.

Amanda Ungaro (41, ex-modelo) usou a rede social X para dirigir mensagens duras a Donald Trump (presidente dos Estados Unidos) e à primeira-dama, Melania Trump, chamando o republicano de “pedófilo” e prometendo “expor tudo o que sabe”, mesmo que isso signifique “a última coisa que eu faça na minha vida”. As publicações, posteriormente apagadas, foram uma resposta a um vídeo de Melania negando vínculos com Jeffrey Epstein (financista condenado por tráfico sexual, morto em 2019). Desde então, a conta da primeira-dama foi arquivada, e os posts de Ungaro desapareceram.
“Vou derrubar o seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Talvez você devesse ter medo do que eu sei… de quem você é e de quem é o seu marido.” — Amanda Ungaro, em publicação no X
A ex-modelo afirma ter convivido com o casal presidencial por duas décadas e diz que Melania enviava presentes e mensagens para seu filho, Giovanni (15), inclusive com apoio do Serviço Secreto em aniversários. “Você tentou me envolver, mas falhou — porque eu tenho caráter”, escreveu, sugerindo que a primeira-dama teria conhecimento de irregularidades.
Deportação pelo ICE: influência política ou procedimento administrativo?
Ungaro foi detida e deportada pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement, polícia de imigração dos EUA) em outubro de 2025, após 23 anos residindo no país. Em entrevista exclusiva ao O Globo, ela atribuiu a medida à interferência de Paolo Zampolli (56, empresário italiano, ex-agente de modelos e atual enviado especial de Trump para parcerias globais), com quem manteve relacionamento por 19 anos e disputa a guarda do filho.
Segundo reportagem do New York Times, Zampolli entrou em contato com David Venturella (alto funcionário do ICE) após saber que Ungaro estava presa em Miami por acusações de fraude no local de trabalho. Venturella teria repassado a solicitação à unidade de Miami, resultando na transferência de Ungaro para um centro de detenção antes que ela conseguisse liberdade sob fiança.
“Policiais entraram na nossa casa às seis da manhã, me jogaram de pijama no corredor, com o rosto voltado para a parede, e pegaram nossos passaportes. Algemaram a mim e ao meu atual marido na frente do Giovanni.” — Amanda Ungaro, ao O Globo
O Departamento de Segurança Interna dos EUA emitiu nota afirmando que a deportação ocorreu porque o visto de Ungaro estava vencido há anos, e que “qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por razões políticas ou favoritismo é falsa”. Zampolli, por sua vez, nega ter pedido a deportação: “Perguntei a David o que estava acontecendo porque eu não conhecia o processo”, declarou ao Times.
Acusações de abuso e o elo com Jeffrey Epstein
Ungaro descreve 2002 como o “início de um pesadelo”. Aos 17 anos, embarcou no avião de Epstein — conhecido como “Lolita Express” — e afirma ter visto cerca de 30 meninas “bonitas e bem novinhas”, que pareciam “mais estudantes do que modelos”. Na época, viajava acompanhada de Jean-Luc Brunel (agente francês, falecido em 2022, ligado a Epstein). Meses depois, iniciou relacionamento com Zampolli, a quem acusa de abuso sexual e violência doméstica.
Ela relata que o abuso ocorreu na mansão do casal em Gramercy Park, Nova York. Após uma festa, Zampolli teria comentado casualmente que manteve relações com ela enquanto dormia. “Eu falei: ‘Isso se chama estupro. Eu fui abusada’. Ele reagiu com uma risada”, disse Ungaro. Em outra ocasião, afirma ter sido agredida fisicamente ao recusar relações sexuais.
Ao longo dos 19 anos juntos, a ex-modelo conta que Zampolli a levou a eventos com figuras como Sean “Diddy” Combs (rapper condenado por tráfico sexual) e a festas em iates com celebridades e membros da realeza europeia. “Nesses eventos, Zampolli costumava levar o próprio garçom para ter certeza de que ninguém colocaria drogas em sua bebida”, relatou.
A rede de influência: Zampolli, Trump e os arquivos Epstein
Zampolli chegou a Nova York nos anos 1990 e conheceu Trump na mesma época. Em 2004, passaram a trabalhar juntos formalmente, mas foi em 2016, durante a campanha presidencial, que a relação se intensificou. Quando a imprensa questionou se Melania havia trabalhado como modelo nos EUA com visto inadequado, Zampolli se apresentou como responsável pela documentação da então modelo, afirmando ter garantido seu visto de trabalho.
O círculo social do trio incluía Epstein. Em 2004, Zampolli e Epstein tentaram comprar a Elite Models, uma das maiores agências do mundo. Zampolli aparece dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Hoje, como enviado especial de Trump, ele representa o governo americano em parcerias globais, cargo criado pelo presidente em seu segundo mandato.
Próximos passos: depoimento no Congresso e desdobramentos judiciais
Ungaro afirmou que pretende tomar medidas legais contra Melania e Trump. Ela já foi convidada, mas ainda não intimada, a depor perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA, que investiga o caso Epstein e possíveis conexões políticas. A disputa pela guarda de Giovanni segue na Justiça americana, com audiências previstas para os próximos meses.
Um porta-voz de Melania Trump afirmou que a primeira-dama “não tem conhecimento nem envolvimento nos assuntos pessoais de Zampolli e de Ungaro” e “não teve nenhum contato ou envolvimento” com o ICE. Zampolli, procurado pela reportagem, classificou as acusações de Ungaro como “absurdas” e encerrou a ligação sem responder a outros questionamentos.
“Quando o Trump ganhou a primeira eleição, em 2016, o Paolo achou que ele também tinha sido eleito presidente. Aquilo mexeu muito com a cabeça dele. Ele se transformou completamente.” — Amanda Ungaro, ao O Globo
Por que este caso não pode ser ignorado
O episódio envolvendo Amanda Ungaro vai além de uma disputa pessoal: ele coloca em xeque os limites entre influência política, processos administrativos e proteção a vítimas de abuso. Se as acusações de Ungaro se confirmarem, o caso pode reacender debates sobre impunidade em círculos de poder. Se forem infundadas, reforçam a necessidade de cautela ao lidar com alegações sensíveis em meio a polarização política. De qualquer forma, a história expõe fissuras em sistemas que deveriam proteger, e não instrumentalizar, quem busca justiça.
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