Crise ou ajuste? Raízen enfrenta saída de conselheiros e busca reduzir dívida de R$ 53,4 bilhões
Com a segunda renúncia no alto escalão em menos de uma semana, a gigante do setor sucroenergético acelera movimentos estratégicos para equacionar seu endividamento e retomar valor de mercado
A Raízen (RAIZ4), principal produtora de açúcar e etanol do Brasil, atravessa um período de intensas transformações em sua estrutura de governança. Em comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira (4), a companhia informou a renúncia de Sonat Burman-Olsson ao cargo de Conselheira Independente. Este é o segundo movimento de saída no colegiado em um intervalo inferior a sete dias, evidenciando um momento de transição na cúpula da organização.
Na última sexta-feira (30), a empresa já havia oficializado a saída de Brian Paul Eggleston, que ocupava uma cadeira no Conselho de Administração. Para sua sucessão, a acionista Shell Brazil Holding BV (Shell) indicou Jorrit Jan Witte Van Der Togt. Quanto à vaga deixada por Burman-Olsson, a Raízen afirmou que informará o mercado oportunamente sobre a nomeação de um novo membro independente.
Cenário Financeiro e Operacional
As mudanças no conselho ocorrem em um contexto de pressão financeira. A Raízen lida com um endividamento robusto: a dívida líquida da companhia atingiu R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, o que representa um salto de 48,8% em comparação ao período anterior. Para mitigar esse cenário, o mercado repercute a estruturação de um aumento de capital estimado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão.
No âmbito operacional, os dados prévios do terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26) apresentam um desempenho misto:
Distribuição de combustíveis: Superou as estimativas iniciais de analistas do setor.
Produção de Açúcar: Vendas acima do esperado.
Etanol: Volumes abaixo das projeções.
Moagem de Cana: O volume totalizou 10,6 milhões de toneladas, ficando aquém da estimativa de 14,4 milhões.
Perspectivas de Mercado
Apesar do status de “penny stock” — termo utilizado para ações negociadas abaixo de R$ 1,00, condição que a Raízen enfrentou desde outubro do ano passado —, o mercado financeiro demonstra sinais de otimismo cauteloso. Analistas do Banco Safra, como Conrado Vegner e Vinícius Andrade, mantêm a recomendação de compra (outperform), com preço-alvo de R$ 1,40.
A estratégia da companhia, iniciada no final de 2024 com a troca de executivos-chave, foca agora em três pilares: corte rigoroso de custos, venda de ativos não estratégicos e a possível injeção de capital bilionária para reduzir a alavancagem.
O plano de desinvestimentos da Raízen é a peça central da estratégia de “simplificação do negócio” adotada pela nova gestão para enfrentar a dívida líquida de R$ 53,4 bilhões. O objetivo é gerar liquidez, reduzir a alavancagem (hoje em 4,5x o EBITDA) e focar recursos em ativos de maior retorno, como o Etanol de Segunda Geração (E2G).
Abaixo, detalhamos os principais eixos e ativos envolvidos nesse plano:
1. Desinvestimentos na Argentina (Foco Estratégico)
A operação na Argentina é um dos maiores alvos. A Raízen avançou em negociações para vender seus ativos de refino e distribuição de combustíveis no país vizinho.
Ativos: Uma refinaria (Buenos Aires) e centenas de postos de gasolina da rede Shell.
Valor Estimado: Entre US$ 1 bilhão e US$ 1,6 bilhão.
Interessados: Tradings globais como Vitol e Mercuria estão entre as finalistas para a aquisição.
2. Redução do Portfólio de Usinas e Canaviais
A companhia decidiu hibernar ou vender unidades que não geravam caixa suficiente para cobrir os investimentos em manutenção (capex recorrente).
Usina Santa Elisa (Sertãozinho/SP): Desativada em 2025. A Raízen vendeu cerca de 3,6 milhões de toneladas de cana que abasteciam a unidade para seis grupos sucroalcooleiros, levantando R$ 1 bilhão.
Usina Continental (Colômbia/SP): Vendida por R$ 750 milhões. A operação foi concluída em novembro de 2025, integrando o esforço de racionalização de ativos no interior de São Paulo.
Impacto na Moagem: O plano para a safra 2025/26 já prevê uma moagem reduzida (entre 72 e 75 milhões de toneladas) devido à exclusão desses ativos desinvestidos.
3. Ativos de Energia e Renováveis
A Raízen está se desfazendo de negócios que, embora sustentáveis, não são considerados o “core” (centro) da sua operação atual.
Geração Distribuída (GD): Em meados de 2025, a empresa transferiu 55 unidades de geração solar para a Thopen Energia e o Grupo Gera, em um acordo de R$ 600 milhões.
Comercialização de Energia: Em dezembro de 2025, vendeu sua carteira de comercialização para a Tria Energia (do grupo Pátria Investimentos).
Venda da Bio Polares: Em janeiro de 2026, o Cade autorizou a venda desta unidade controlada pela Bioenergia Barra (subsidiária da Raízen).
4. Racionalização de Estruturas
Além da venda direta de ativos, o plano inclui:
Redução de Custos Fixos: Otimização das estruturas corporativas para economizar R$ 500 milhões anuais.
Revisão do E2G: Embora o Etanol de Segunda Geração seja o futuro da empresa, o ritmo de construção das plantas foi reavaliado devido ao aumento nos custos de construção (que subiram de R$ 800 milhões para cerca de R$ 1,5 bilhão por planta).
Resumo do Impacto Financeiro
Até o momento, o programa de desinvestimentos já injetou mais de R$ 5 bilhões no caixa da companhia, mas a meta total do plano pode chegar a R$ 10 bilhões ao longo de 2026. A expectativa da diretoria, liderada por Nelson Gomes, é que a empresa volte a gerar caixa orgânico positivo apenas no ciclo 2026/27, após a conclusão dessas vendas.
🔎 Verificação e Confiabilidade
Dados Financeiros: Extraídos do balanço oficial do 2T 2025/26 da Raízen.
Fatos Relevantes: Comunicados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nos dias 30/01 e 04/02.
Análise de Mercado: Baseada em relatório setorial do Banco Safra.
A reestruturação da Raízen é um sinal de força ou de alerta para o investidor? Deixe sua opinião nos comentários abaixo e compartilhe esta análise com sua rede de contatos para fomentar o debate sobre o mercado de energia no Brasil.
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