Copom deve manter Selic em janeiro e sinalizar corte em março, apontam economistas e relatórios de mercado
Especialistas, relatórios de instituições financeiras e dados oficiais apontam cautela do Banco Central em janeiro e possível início do ciclo de cortes a partir de março
Na esteira da resiliência da atividade econômica brasileira e de sinais mistos no comportamento da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, deve optar pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, na reunião de janeiro, deixando o início do ciclo de cortes para março. A avaliação é compartilhada por economistas e casas de análise ouvidos pela IstoÉ Dinheiro e por relatórios recentes de instituições financeiras.
Atualmente em 15% ao ano, a Selic foi mantida nas últimas quatro reuniões de 2025. A expectativa majoritária do mercado, segundo analistas, é de que o Copom limite-se, neste primeiro encontro de 2026, a eventuais ajustes no comunicado oficial, sem alteração da taxa.
A principal divergência entre os especialistas está na chamada Selic terminal — o patamar em que o ciclo de cortes deve se encerrar. As projeções variam entre 12% e 12,50%, além de diferenças sobre a intensidade das reduções, que podem começar com 0,25 ponto percentual (p.p.) ou com uma sequência de cortes de 0,50 p.p.
Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual Portfolio Solutions, avalia que o Banco Central deve iniciar o ciclo com prudência. Segundo ele, a autoridade monetária pode retirar do comunicado o trecho que afirma que o BC “não hesitará em subir a taxa de juros”, o que seria interpretado como um sinal indireto de flexibilização da política monetária.
“Isso sinalizaria o início do ciclo de cortes, ainda que não seja explícito ao falar isso”, afirmou.
Na visão do estrategista, o Banco Central busca um “corte com credibilidade”, sustentado por dados adicionais sobre o mercado de trabalho e a atividade econômica antes de avançar com reduções mais expressivas.
Inflação ainda no centro das atenções
Apesar de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter fechado 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta, os núcleos da inflação seguem como fator de preocupação. O centro da meta oficial é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, conforme definido pelo Conselho Monetário Nacional.
Frasson destacou que, mesmo com o câmbio em níveis considerados desinflacionários, a inflação de serviços permanece pressionada.
“O corte precisa vir com credibilidade e a inflação de serviços precisa desacelerar. [...] O núcleo da inflação, que é serviços, inclusive piorou, na margem, do último Copom para cá”, disse.
Projeções de cortes ao longo do ano
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, o cenário base prevê cinco cortes consecutivos na Selic a partir de março, com uma pausa em setembro e encerramento de 2026 em 12,50%. Para 2027, a projeção da casa é de 10,75%.
Sung avalia que o câmbio pode aliviar pressões inflacionárias e que o IPCA deve permanecer dentro da banda da meta. A estimativa da Suno é de inflação de 4% em 2026, com inflação de serviços em torno de 5%.
No campo fiscal, o economista aponta riscos associados à trajetória da dívida pública e à desaceleração da arrecadação, além de possíveis medidas governamentais com impacto orçamentário.
“O que mais me preocupa é a trajetória da dívida. [...] O nível de arrecadação deve desacelerar”, afirmou.
Leitura da XP sobre inflação e expectativas
Em relatório macroeconômico recente, a XP Investimentos indicou melhora no cenário de curto prazo para 2026, mas alertou para desafios fiscais em 2027. Segundo a casa, a inflação de bens industrializados tende a arrefecer, enquanto a inflação de serviços deve seguir elevada, influenciada por um mercado de trabalho ainda apertado e por políticas fiscais expansionistas.
O economista Caio Megale, chefe da área macro da XP, destacou que uma parcela significativa dos subitens do IPCA continua acima do limite superior da meta.
“Apesar de alívio recente, cerca de 40% dos subitens do IPCA estão acima do limite superior da meta”, afirmou.
A XP mantém a projeção de Selic terminal em 12,50% e aposta no início dos cortes em março, com o Copom reforçando uma postura de cautela na reunião de janeiro.
Cenário de médio prazo e agenda fiscal
Em entrevista à IstoÉ Dinheiro, Megale afirmou que uma Selic em torno de 9% poderia ser viável em 2027, caso o governo sinalize compromisso com reformas fiscais estruturais.
“Se o governo sinalizar reformas profundas [...] existe espaço para cair até 11% ou 9,5%. Caso contrário, o BC deve ser mais cauteloso e estacionar nos 12,50%”, disse.
Comunicação oficial do Banco Central
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou em coletiva em dezembro que o Copom evita antecipar decisões.
“Não há porta fechada nem seta dada”, afirmou, destacando que o comitê prefere aguardar novos dados antes de sinalizar mudanças na política monetária.
Para 2026, estão previstas oito reuniões do Copom, incluindo os encontros de 27 e 28 de janeiro e 17 e 18 de março, considerados decisivos para a definição do início do ciclo de cortes.
Expectativas do mercado
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, indica que analistas esperam manutenção da Selic em janeiro e redução ao longo do ano, com taxa projetada em 12,25% ao final de 2026. Para a inflação, a mediana das projeções aponta 4,06% em 2026, ainda dentro da banda da meta.
O que você espera da próxima decisão do Copom? A Selic deve começar a cair em março ou o Banco Central deve manter a cautela por mais tempo? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta análise nas redes sociais.
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