Contrato de R$ 38 milhões entre escritório de Ibaneis Rocha e fundo da Reag acende alerta no STF
Contrato de cessão de honorários, assinado em maio de 2024, envolve fundo hoje sob liquidação do BC e executivo que atuou também no BRB; defesa nega participação do governador
Uma operação financeira de R$ 38,12 milhões celebrada em 2024 entre o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria — vinculado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) — e um fundo da Reag Investimentos, gestora hoje sob liquidação extrajudicial do Banco Central, reacendeu o debate sobre os limites entre interesses privados e a gestão de recursos públicos no DF.
O contrato, assinado em 29 de maio de 2024, prevê a cessão de honorários advocatícios ainda não recebidos em uma ação do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis) ao fundo denominado à época "Reag Legal Claims", hoje registrado como Pedra Azul FIDC.
Na prática, trata-se de uma antecipação de recebíveis: os escritórios venderam o direito futuro sobre os R$ 38,12 milhões por um valor menor, recebendo o montante "no ato". O documento não especifica o deságio aplicado na transação.
Contexto institucional e temporal
É fundamental destacar que o contrato foi firmado mais de um ano antes da deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero e da liquidação extrajudicial tanto do Banco Master quanto da Reag Investimentos pelo Banco Central, medidas adotadas em janeiro de 2022. À época da assinatura, a Reag era uma das maiores gestoras independentes do país, administrando cerca de R$ 299 bilhões em ativos.
A revelação do contrato ocorreu nesta terça-feira (10), por meio de reportagem do blog da jornalista Malu Gaspar, no O Globo, com acesso conjunto da TV Globo e do g1 à documentação.
A figura do executivo e a conexão com o BRB
Na representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) por partidos da oposição (PT, PV, PCdoB, PSOL e PDT), ganha destaque o nome do executivo Marcos Ferreira Costa. De acordo com registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Costa atuava como diretor do fundo Pedra Azul FIDC — o mesmo que adquiriu os créditos do escritório ligado a Ibaneis Rocha.
Um ano depois do contrato com o escritório, em março de 2025, o mesmo executivo apareceu como representante da Reag na assembleia de acionistas do Banco de Brasília (BRB) que aprovou aumento de capital da instituição. Naquele momento, a gestora já detinha mais de 10% das ações preferenciais do BRB, registradas em nome do fundo Borneo FIP Multiestratégia.
Essa sobreposição temporal coincide com o período em que o Conselho do BRB aprovou a tentativa de aquisição do Banco Master — operação que seria posteriormente barrada pelo Banco Central.
O caso Master-BRB e os riscos ao patrimônio público
O BRB e o governo do Distrito Federal — seu acionista controlador — injetaram R$ 16,7 bilhões no Banco Master ao longo de 2024 e 2025, em operações que hoje estão sob escrutínio. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões estão sob suspeita de irregularidades, conforme apurações da Polícia Federal e relatórios do Banco Central.
O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB e, dias depois, decretou a liquidação extrajudicial de ambas as instituições. Com a medida, ativos que seriam transferidos ao patrimônio do banco distrital ficaram "congelados" sob gestão do liquidante judicial.
As transações fragilizaram o patrimônio do BRB e colocaram a instituição sob risco de descumprir as normas prudenciais do sistema financeiro — regras que exigem solidez mínima para proteger correntistas e investidores. Desde então, o banco e o governo do DF atuam em múltiplas frentes para recompor o caixa, seja recuperando os recursos aplicados no Master, seja buscando novos aportes.
Por que a Reag está sob investigação?
Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos foi alvo de duas grandes operações policiais:
Na Operação Compliance Zero, a gestora é investigada por suposta atuação na estruturação de fundos usados em operações “atípicas” com o Banco Master, com indícios de inflação de resultados, ocultação de riscos e possível lavagem de dinheiro
Na Operação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), a Reag é acusada de gerir fundos de investimento supostamente utilizados pela facção para lavagem de recursos.
Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, empresa responsável pela gestão dos fundos do grupo. Em nota, o BC afirmou que a medida foi motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional".
A posição da defesa de Ibaneis Rocha
Em nota divulgada à imprensa, a defesa do governador Ibaneis Rocha esclareceu que ele “está afastado do escritório de advocacia desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento”.
O texto assinado pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay Freiria, Liliane de Carvalho Gabriel, Álvaro Chaves e Ananda França de Almeida afirma ainda: "Esclarece-se, ainda, que o Governador Ibaneis nunca participou de quaisquer negociações com o Sr. Marcos Ferreira Costa, tampouco com outros representantes dessa empresa. Todas as informações que detém sobre o grupo foram adquiridas a partir de matérias de jornais, já no presente ano".
Procurados para comentar, Reag Investimentos e Banco de Brasília (BRB) informaram que não se manifestariam sobre o assunto.
Próximos passos no STF
A representação da oposição foi encaminhada ao STF e distribuída ao ministro André Mendonça, relator de inquéritos relacionados ao caso Master. A oposição solicita que sejam apurados eventuais conflitos de interesse e a existência de "relação econômica privada" entre o governador e a gestora investigada, considerando o impacto das operações no patrimônio do BRB — banco controlado pelo governo do Distrito Federal.
Enquanto o processo tramita, a CVM criou um grupo de trabalho para analisar informações sobre Master, Reag e demais instituições envolvidas, em esforço coordenado com o Banco Central e a Polícia Federal para mapear a extensão das irregularidades.
Transparência e verificação: Todas as informações apresentadas nesta matéria foram extraídas de documentos oficiais, reportagens de veículos reconhecidos (G1, O Globo, Poder360, Agência Brasil) e comunicados institucionais do Banco Central e da CVM. Quando não foi possível confirmar um dado com fonte verificável, optou-se por não incluí-lo, em conformidade com os princípios de responsabilidade jornalística.
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