Condenada pelo STF, Zambelli tem extradição autorizada na Itália
Ex-deputada, presa em Roma desde julho de 2025, aguarda decisão final do ministro da Justiça italiano; no Brasil, penas somam mais de 15 anos por crimes contra o sistema judicial e porte de arma
Em resumo
Justiça italiana autorizou, em 26 de março de 2026, a extradição de Carla Zambelli (ex-deputada federal, PL-SP) ao Brasil
Defesa ainda pode recorrer à Corte de Cassação de Roma; decisão final cabe ao ministro Carlo Nordio
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos e 8 meses por invasão ao CNJ e a 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma
Se extraditada, cumprirá pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), conforme documentação enviada pelo Brasil
Por que isso importa: O caso testa a cooperação jurídica internacional em um momento de polarização política e define precedente para parlamentares condenados que buscam refúgio no exterior
A Justiça da Itália autorizou, nesta quinta-feira (26 de março de 2026), a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (ex-mandato, PL-SP) ao Brasil, onde responde por condenações com trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, tomada pela Corte de Apelação de Roma, representa um avanço decisivo no processo iniciado após a fuga da parlamentar para a Europa em maio de 2025. O desfecho final, contudo, ainda depende da manifestação do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, e de eventuais recursos da defesa à Corte de Cassação.
“Ela não reside na Itália, não está integrada ao tecido social, não tem seu centro de interesses de qualquer espécie na Itália”, afirmou o procurador Erminio Carmelo Amelio, em parecer favorável à extradição.
Como se chegou à decisão italiana
O processo de extradição ganhou corpo após Carla Zambelli deixar o Brasil em 24 de maio de 2025, atravessando a fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu — região sem controle migratório rigoroso — e seguir para os Estados Unidos e, posteriormente, para a Itália. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou então a prisão preventiva da ex-parlamentar, pedido acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também determinou a inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol, mecanismo internacional para localização de foragidos.
Em 29 de julho de 2025, Zambelli foi presa em um apartamento em Roma, por determinação da Corte de Apelação local, que apontou “grave risco de fuga” caso permanecesse em liberdade. Desde então, o caso tramitou na Justiça italiana, com audiências que incluíram a análise de documentos enviados pelo Brasil sobre as condições do sistema prisional feminino nacional.
As condenações no Brasil que fundamentam o pedido
Zambelli responde por duas condenações definitivas no STF, ambas com trânsito em julgado:
Invasão ao sistema do CNJ: pena de 10 anos e 8 meses de prisão, por atuar como autora intelectual da invasão hacker ao Conselho Nacional de Justiça, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto, que inseriu documentos falsos no sistema, incluindo um suposto mandado de prisão contra Alexandre de Moraes.
Porte ilegal de arma e constrangimento: pena de 5 anos e 3 meses, por perseguição armada a um cidadão nas vésperas do segundo turno das eleições de 2022, episódio registrado em vídeo e amplamente divulgado.
Após a primeira condenação, Zambelli optou pela fuga. A Câmara dos Deputados chegou a abrir processo de cassação de mandato, mas o pedido foi arquivado por falta de votos. O STF, contudo, anulou a votação e determinou a perda imediata do mandato, decisão que levou Zambelli a apresentar renúncia formal em dezembro de 2025.
O que acontece agora: prazos, recursos e cenário político
A autorização da Corte de Apelação de Roma não encerra o processo. A defesa de Zambelli ainda pode interpor recurso à Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano. Após essa fase, cabe ao ministro da Justiça, Carlo Nordio, confirmar ou rejeitar a extradição — decisão discricionária prevista na legislação italiana.
“A defesa alega perseguição política e questiona as condições carcerárias no Brasil, mas o Ministério Público italiano já havia se manifestado favoravelmente à extradição em outubro de 2025.”
Se confirmada a extradição, Zambelli deverá ser transferida ao Brasil e encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. O STF enviou à Itália documentação detalhada sobre o estabelecimento, destacando ausência de rebeliões desde 2001, separação por regime de cumprimento de pena e rotinas de monitoramento institucional.
Por que o caso ultrapassa o interesse individual
A extradição de Carla Zambelli não é apenas um desdobramento processual: é um teste à cooperação jurídica entre democracias e um sinal sobre os limites da impunidade para agentes públicos condenados. Em um contexto de polarização política, o caso também reacende debates sobre:
A efetividade de mecanismos internacionais como a Interpol na persecução de foragidos de alto perfil;
A independência do Judiciário brasileiro frente a narrativas de “perseguição política”;
O papel da diplomacia na garantia de que condenações com trânsito em julgado sejam efetivamente cumpridas.
Para o leitor nacional, o desfecho importa porque define se o sistema de justiça brasileiro conseguirá fazer valer suas decisões mesmo quando o condenado busca refúgio em jurisdições estrangeiras — um precedente que pode influenciar casos futuros.
Próximos passos e o que observar
Recurso à Corte de Cassação: prazo e fundamentos da defesa;
Manifestação de Carlo Nordio: timing e possíveis influências políticas;
Reação no Congresso: como parlamentares aliados ou críticos de Zambelli se posicionarão;
Impacto eleitoral: o caso pode influenciar narrativas para as eleições de 2026?
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Itália autoriza extradição de Carla Zambelli ao Brasil. Entenda condenações no STF, prazos de recurso e impactos políticos do caso.
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