CLDF analisa dois pedidos de impeachment contra Ibaneis Rocha em meio a apurações sobre operação bilionária do BRB
Documentos apresentados por partidos e advogados questionam a atuação do governador do DF nas negociações do BRB com o Banco Master e pedem apuração no MPF e no STJ
Dois pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB, governador do DF), foram protocolados na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na esteira das investigações que envolvem o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. As iniciativas questionam a atuação do chefe do Executivo distrital nas negociações para a tentativa de aquisição de parte da instituição financeira privada pelo banco público controlado pelo Governo do DF.
Os requerimentos ainda aguardam despacho do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB-DF, presidente da CLDF), responsável por autorizar a tramitação formal das denúncias. Em declaração pública nesta segunda-feira (2), o parlamentar afirmou que os documentos devem ser encaminhados à Procuradoria da Casa, que terá prazo de até 20 dias úteis para emitir parecer técnico. “A ideia é ouvir os órgãos técnicos, a mesa diretora analisar as manifestações da procuradoria e, aí, a Câmara se manifesta oficialmente”, declarou.
Quem assina os pedidos
O primeiro pedido é subscrito por quatro integrantes do PSB-DF — Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg (ex-governador do DF), Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro —, além do presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque, e dos advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano.
O segundo pedido é assinado por representantes do PSOL-DF, entre eles a presidente regional Giulia Tadini e os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel.
Contexto das negociações
O Governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, com 71,92% do capital da instituição. Ao longo de 2025, o banco público tentou adquirir parte relevante do Banco Master. A operação teve apoio público do governador, mas foi barrada pelo Banco Central do Brasil, que posteriormente determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB, estimadas em R$ 12,2 bilhões.
Segundo manifestações do Ministério Público, há indícios de gestão fraudulenta nas transferências de recursos feitas pelo BRB ao Banco Master entre 2024 e 2025, que teriam somado R$ 16,7 bilhões.
Em entrevista à TV Globo, Ibaneis Rocha afirmou que se reuniu pelo menos quatro vezes com o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro (empresário), entre 2024 e 2025, mas negou que tenha tratado da compra da instituição nesses encontros.
Crimes apontados no Pedido 1
Os signatários do primeiro documento elencam sete supostos crimes de responsabilidade, entre eles:
Omissão dolosa na responsabilização de subordinados: alegação de que o governador não teria determinado apuração administrativa eficaz sobre atos da direção do BRB considerados contrários à Constituição e à Lei Orgânica do DF.
Expedição de diretrizes contrárias à Constituição: o texto sustenta que, mesmo sem assinar pessoalmente contratos, a operação teria sido “politicamente estimulada e institucionalmente respaldada” pelo Governo do DF.
Procedimento incompatível com o decoro do cargo: crítica à defesa pública da operação financeira e à contestação da decisão técnica do Banco Central.
Realização de despesas e operações sem autorização legislativa prévia: menção à ausência de aval da CLDF para etapas da negociação.
Exposição patrimonial sem observância das formalidades legais: apontamento de compromissos financeiros bilionários sem transparência e estudos técnicos adequados.
Negligência na guarda do patrimônio público: acusação de risco consciente de dano ao erário distrital.
Crimes apontados no Pedido 2
O documento do PSOL destaca dois eixos principais:
Atentado à probidade administrativa e ao emprego do dinheiro público: o partido afirma que o governador impulsionou operação de elevado risco mesmo após a rejeição do Banco Central.
Negligência com o patrimônio do BRB: sustenta que, como controlador indireto do banco, Ibaneis Rocha teria o dever institucional de impedir a exposição temerária do principal ativo financeiro do DF.
Pedidos ao Ministério Público Federal e ao STJ
Além dos pedidos de impeachment, houve duas solicitações formais de investigação ao Ministério Público Federal (MPF).
O primeiro foi apresentado pelo deputado Fábio Félix (PSOL, deputado distrital) ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet (chefe do MPF), pedindo apuração da atuação do governador e o bloqueio de bens. O documento solicita, ainda, coleta de provas pela Polícia Federal, acesso a relatórios de risco e auditorias do BRB, e eventual envio de denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na sequência, os partidos PT, Rede, PDT, PCdoB e PV também encaminharam pedido ao MPF e ao STJ, solicitando investigação de possíveis crimes e atos de improbidade administrativa. O texto requer, inclusive, o afastamento temporário do governador durante as apurações para evitar interferências institucionais.
Como funciona o processo de impeachment na CLDF
De acordo com o regimento da Casa, o rito prevê:
Aceitação da denúncia pelo presidente da CLDF.
Leitura em Plenário.
Criação de Comissão Especial com representantes de todos os partidos, que deve emitir parecer em até 10 dias.
Votação do parecer em Plenário.
Caso aprovado, o denunciado tem 20 dias para apresentar defesa.
A comissão analisa provas e diligências e emite novo parecer.
O relatório final é submetido a duas discussões e votação nominal, exigindo 2/3 dos votos dos deputados distritais para prosseguimento.
Próximos passos
Até o momento, os pedidos aguardam manifestação formal da Procuradoria da CLDF. Informação insuficiente para verificar se há prazo definido para decisão final sobre a admissibilidade das denúncias.
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