Caso Epstein: Revisão de documentos revela vítima de nove anos e levanta suspeitas de acobertamento
Análise de milhões de documentos do Departamento de Justiça expõe novos horrores do esquema de tráfico sexual e gera pressão política por transparência total sobre nomes de influentes
A investigação sobre a rede de abusos liderada pelo financista Jeffrey Epstein ganhou um novo e alarmante capítulo nesta semana. Durante a análise de documentos não editados, parlamentares dos Estados Unidos revelaram a existência de uma vítima de apenas nove anos de idade, reforçando a escala brutal do esquema de exploração sexual que operou durante décadas.
A descoberta ocorreu em meio à revisão de aproximadamente três milhões de arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça (DoJ). O deputado Jamie Raskin (Partido Democrata), membro do Comitê de Supervisão da Câmara, expressou indignação ao identificar referências a vítimas cada vez mais jovens nos registros oficiais.
“Você lê sobre meninas de 15, 14, 10 anos. Hoje vi a menção a uma menina de nove anos. Isso é simplesmente escandaloso”, declarou Jamie Raskin em entrevista coletiva.
Suspeitas de omissão e nomes protegidos
Além do teor sensível envolvendo menores, a condução do DoJ sobre o caso é alvo de críticas severas no Congresso Americano. Parlamentares afirmam que a revisão dos arquivos indica que identidades de figuras poderosas podem ter sido protegidas sem uma justificativa legal clara.
O deputado Thomas Massie (Partido Republicano) destacou que um dos documentos faz referência a um indivíduo que ocupa um cargo “bastante alto em um governo estrangeiro”, mas cujo nome permanece oculto. No mesmo sentido, o deputado Ro Khanna (Partido Democrata) questionou a censura de imagens e rostos de pessoas públicas nos arquivos, apontando falta de explicações formais para tais omissões.
Estima-se que o governo dos EUA ainda detenha outros três milhões de documentos relacionados ao caso que não foram liberados para escrutínio público ou legislativo.
A resposta do Departamento de Justiça
Em contrapartida às acusações de falta de transparência, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que o órgão está empenhado na divulgação das informações, ressalvando que parte das tarjas de ocultação servem para proteger a identidade das vítimas, conforme previsto em lei.
“Revelamos todos os nomes que não eram de vítimas. O Departamento de Justiça está comprometido com a transparência”, publicou Todd Blanche em suas redes sociais.
Apesar da declaração, novas quebras de sigilo revelaram detalhes perturbadores, como um e-mail enviado a Jeffrey Epstein com a frase “adorei o vídeo de tortura”. Segundo Todd Blanche, o remetente seria o empresário emiradense Sultan Ahmed Bin Sulayem, cujo nome já havia figurado em autos anteriores do processo.
O silêncio de Ghislaine Maxwell
Enquanto a pressão política aumenta em Washington, a principal cúmplice de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, mantém o silêncio. Atualmente cumprindo pena de 20 anos de prisão por tráfico sexual em uma unidade federal no Texas, Maxwell foi convocada a prestar depoimento sob juramento ao Comitê de Supervisão.
No entanto, ela invocou a Quinta Emenda da Constituição dos EUA, que garante o direito de não produzir provas contra si mesma, recusando-se a responder aos questionamentos dos congressistas.
O desdobramento das análises desses documentos deve pautar novas convocações no legislativo americano, à medida que a sociedade e as autoridades buscam a responsabilização completa de todos os envolvidos na rede de Epstein.
Qual a sua opinião sobre a transparência das investigações em casos que envolvem figuras de alto poder? Comente abaixo sua visão e compartilhe esta matéria nas suas redes sociais para ampliar o debate.
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