Capitalização da Raízen fracassa: Cosan e Shell não chegam a acordo e empresa enfrenta risco de recuperação judicial
Com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões e acionistas incapazes de chegar a um acordo de capitalização, a maior produtora mundial de açúcar enfrenta incerteza existencial sobre seu futuro
A crise financeira da Raízen, maior produtora mundial de açúcar e uma das principais distribuidoras de combustíveis do Brasil, atingiu nesta semana um ponto crítico. As negociações sobre o processo de capitalização da produtora de açúcar e etanol fracassaram depois que os coproprietários Cosan e Shell não chegaram a um acordo, segundo fonte familiarizada com o assunto. O desfecho frustra meses de tratativas e deixa a companhia — controlada em partes iguais pelas duas corporações — em situação de crescente vulnerabilidade financeira.
O impasse entre gigantes
A ruptura nas negociações ocorre um dia após declarações públicas de otimismo cauteloso. O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, admitiu na terça-feira (3) que a situação financeira da Raízen exige “uma solução estruturante e de longo prazo” e informou que a petroleira já se comprometeu a injetar R$ 3,5 bilhões na capitalização da joint venture, cobrando paridade da Cosan, sócia com participação equivalente no capital.
A posição da Shell era clara: paridade nas contribuições entre os dois acionistas controladores. “A Shell já se comprometeu a colocar R$ 3,5 bilhões no processo de recapitalização da Raízen. A nossa expectativa era e continua sendo que o outro acionista (Cosan) colabore de maneira proporcional com a Shell. O princípio sempre foi de tentar uma paridade, para evitar a consolidação da dívida da Raízen no balanço da companhia, o que impactaria outros planos internacionais”, declarou Pinto da Costa durante café da manhã com jornalistas, na sede da Shell, no Rio de Janeiro.
A exigência, no entanto, revelou-se intransponível. A Cosan concluiu que não seria capaz de igualar a escala do apoio financeiro que a Shell havia prometido oferecer à Raízen, enquanto outras propostas apresentadas pela Cosan foram rejeitadas pela petroleira, disse uma das pessoas familiarizadas com o assunto, que pediu para não ser identificada.

Durante as negociações, havia um esboço de proposta. A Shell teria se comprometido a colocar R$ 3,5 bilhões, a Cosan R$ 1 bilhão e o bilionário brasileiro e presidente da Raízen, Rubens Ometto, R$ 500 milhões, segundo fonte consultada pela Reuters. Mas esse equilíbrio nunca se materializou formalmente. A Cosan não planeja mais injetar o R$ 1 bilhão na Raízen que havia proposto anteriormente em negociações com a Shell.
BTG também abandona a mesa
Além do desentendimento entre os dois acionistas majoritários, fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen.
Os pontos de discordância eram múltiplos e profundos. Os fundos de private equity do BTG não conseguiram chegar a um acordo com a Shell sobre as mudanças propostas em relação à duração do contrato de royalties pelo uso da marca da petrolífera global, bem como ao valor dos pagamentos de royalties. Também não houve consenso sobre o tamanho da conversão da dívida em capital por parte dos credores e sobre o nível de redução da alavancagem necessário, nem sobre o que fazer com os passivos fiscais da Raízen.
A anatomia da crise
A situação atual da Raízen é o resultado de uma série de decisões estratégicas que se revelaram problemáticas em um ambiente macroeconômico adverso. A crise decorre de uma combinação de expansão acelerada, queda de preços de açúcar e etanol, alta de juros e desaceleração da transição energética, fatores que elevaram o endividamento.
O presidente da Shell Brasil descreveu o processo como uma “tempestade perfeita”: uma expansão acelerada da Raízen dentro e fora da linha do negócio que se combinou com fatores macroeconômicos desfavoráveis, como a dinâmica dos preços do açúcar e do etanol, a desaceleração da transição energética com sobrevida aos combustíveis fósseis e a coincidência da forte alavancagem para financiar expansão com o ciclo de alta dos juros.
O resultado financeiro é alarmante. A dívida líquida da empresa escalou a patamares que comprometem a continuidade das operações. A Raízen registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando.
Pressão dos credores e risco de recuperação judicial
Os grandes bancos credores estavam acompanhando as negociações de perto — e com preocupação crescente. Detentores de títulos e credores bancários da Raízen, incluindo Banco Santander, Banco Bradesco, Itaú Unibanco Holding e JPMorgan Chase, enviaram cartas aos principais acionistas — Cosan e Shell — pedindo uma injeção de capital “substancial e significativa”, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Alguns credores argumentaram que as duas empresas são lucrativas com caixa suficiente para injetar até R$ 12 bilhões em capital, especialmente após receberem R$ 18 bilhões em dividendos da Raízen nos últimos 10 anos.
Com o fracasso das negociações, o caminho se estreita dramaticamente. O plano da Shell pode ser a melhor esperança da Raízen para evitar um pedido de recuperação judicial. A proposta ainda incluiria um potencial aporte de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, fundador da Cosan, e converteria cerca de R$ 25 bilhões de dívida em ações — melhorando o balanço patrimonial da empresa, mas diluindo a participação dos acionistas. A proposta também tornaria a Shell acionista majoritária e exigiria que a empresa absorvesse a dívida da Raízen em seu próprio balanço.
Se o plano da Shell for rejeitado, um pedido de recuperação judicial é o caminho mais provável — um resultado que também poderia prejudicar a própria Cosan, cujo nível de endividamento permanece desafiador e cuja exposição à Raízen poderia mergulhá-la novamente em crise.
Shell mantém compromisso, mas busca saída alternativa
Apesar do colapso das negociações conjuntas, a Shell ainda pretende prosseguir com a injeção de capital e apoiar a Raízen nas discussões contínuas com bancos e credores. A petroleira, no entanto, segue cautelosa para não assumir o controle majoritário sem as condições que considera adequadas.
Pinto da Costa confirmou a realização de uma reunião com o presidente Lula para tratar do assunto, uma vez que seria do maior interesse do governo que a Raízen consiga se reestruturar e manter-se produtiva. O executivo, porém, preferiu não responder sobre uma eventual participação da Petrobras no episódio. A estatal brasileira tem manifestado interesse em atuar no setor de etanol, e a crise da Raízen pode reabrir essa janela de oportunidade.
Ao longo de 2025, a Raízen e seus sócios chegaram a contratar bancos de investimento para assessoramento em um processo de busca por novos sócios, que não avançou. “Infelizmente não conseguimos trazer um sócio novo para a Raízen e, por isso, as conversas estão muito ligadas aos sócios atuais”, afirmou Pinto da Costa.
O que está em jogo
A Raízen não é uma empresa qualquer. É uma joint venture estratégica que reúne a liderança mundial na produção de açúcar e etanol com uma vasta rede de distribuição de combustíveis no Brasil, operando sob a bandeira Shell. Seu eventual colapso teria consequências sistêmicas para o setor sucroalcooleiro, para a cadeia de abastecimento de combustíveis e para milhares de trabalhadores e fornecedores ligados à empresa.
Os próximos dias serão decisivos. Com as negociações de capitalização formalmente encerradas e o plano unilateral da Shell como última alternativa estruturada antes de um eventual pedido de recuperação judicial, o destino da maior produtora mundial de açúcar está, por ora, suspenso sobre uma linha tênue entre a reestruturação e a insolvência.
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