Canetas emagrecedoras sob escrutínio: Anvisa monitora 65 óbitos suspeitos e reforça importância do uso com prescrição médica
Sistema oficial de farmacovigilância da Anvisa acumula dados de sete anos sobre os análogos de GLP-1 e reforça que os casos são suspeitos, sem comprovação de causalidade direta
O sistema VigiMed, plataforma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responsável por receber notificações de possíveis efeitos adversos de medicamentos comercializados no Brasil, acumula o registro de 65 óbitos suspeitos associados ao uso de medicamentos análogos do receptor GLP-1 — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” — no período compreendido entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025. Os dados foram levantados pela Agência Pública e confirmados pelo órgão regulador.
A Anvisa é categórica ao contextualizar os números: trata-se de casos suspeitos, e não de mortes comprovadamente causadas pelos medicamentos. “A relação de risco X benefício destes medicamentos segue sem alterações, considerando as indicações aprovadas”, afirma o órgão em nota oficial. A agência reforça que o monitoramento de farmacovigilância é um procedimento padrão aplicado a todos os medicamentos aprovados no Brasil, e não constitui, por si só, evidência de que os fármacos em questão são responsáveis pelos eventos registrados.
O que abrange o levantamento
O levantamento contempla quatro princípios ativos da classe dos agonistas de GLP-1: a semaglutida (presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy); a tirzepatida (Mounjaro); a liraglutida (Saxenda e Victoza); e a dulaglutida (Trulicity). Ao todo, foram registradas 2.436 notificações de reações adversas suspeitas no período, com variações nos níveis de gravidade.
O volume de notificações cresceu significativamente com o passar dos anos. Em 2020, foi registrado apenas um caso; o número subiu para 21 em 2021 e 23 em 2022. Em 2023, as notificações chegaram a 27 e avançaram para 28 em 2024. Já em 2025, houve novo salto, com 45 registros — o maior volume da série histórica. Apenas no ano passado, o painel do VigiMed registrou 1.128 eventos adversos, o equivalente a quase metade do total acumulado em sete anos.
As reações mais comuns — e as mais graves
Entre as queixas notificadas, predominam sintomas já descritos nas bulas dos medicamentos: náusea, vômitos, mal-estar, diarreia e constipação. Os registros mais graves representam cerca de 1% do total e incluem a pancreatite — inflamação severa do pâncreas —, a astenia (ausência de força e disposição que persiste mesmo após repouso) e relatos de “experiência de morte iminente”, com 71 ocorrências registradas.
Especificamente em relação à pancreatite, foram 145 registros no VigiMed. A Anvisa acrescenta que, ao se incluir as notificações oriundas de testes clínicos — que não integram o sistema VigiMed —, esse número sobe para 225 casos.
Em relação aos 65 óbitos suspeitos, seis deles já haviam sido divulgados anteriormente pelo órgão como possivelmente associados a quadros de pancreatite. Os demais contemplam uma variedade de outros desfechos clínicos. A agência esclarece que esses casos não são investigados individualmente. A metodologia adotada consiste na análise global do conjunto de notificações recebidas, com o objetivo de identificar eventuais mudanças no perfil de segurança e eficácia dos medicamentos em relação ao que foi observado nos estudos clínicos.
Como funciona a farmacovigilância
A Anvisa explica, em nota, a lógica por trás do sistema de monitoramento: “O valor das notificações como evidência está no conjunto de dados que, somados e analisados de forma global, podem indicar mudanças no perfil de segurança e eficácia de medicamentos (...) O sistema de notificações é uma das ferramentas que a Anvisa e demais agências utilizam para monitorar o desempenho de medicamento na vida real, pós-mercado.”
O órgão destaca, contudo, que a qualidade das informações repassadas por pacientes e profissionais de saúde é determinante para a eficácia desse monitoramento, e que o VigiMed não é a única ferramenta de vigilância em uso. “Outras ferramentas utilizadas são estudos controlados, pesquisas científicas independentes e estudos de pós-mercado que garantem um rigor metodológico e completam o trabalho de farmacovigilância”, acrescenta a nota.
Contexto regulatório e alertas anteriores
O cenário não é novo para a Anvisa. A agência já havia emitido alertas para a possibilidade de cegueira e para o risco do uso dos medicamentos em pacientes submetidos à sedação, antes de publicar, em 2026, um aviso sobre o risco acentuado de pancreatite. O alerta mais recente foi motivado, em parte, por dados divulgados pela MHRA (Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido), que registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas ao uso desses medicamentos, incluindo 19 óbitos.
Em junho de 2025, a Anvisa já havia tomado uma medida regulatória relevante: a Diretoria Colegiada aprovou um controle mais rigoroso na prescrição e dispensação dos agonistas GLP-1, determinando que a venda só pode ocorrer com retenção da receita médica na farmácia ou drogaria, com validade de até 90 dias a partir da data de emissão — modelo similar ao adotado para antibióticos. A medida foi motivada pelo número elevado de eventos adversos associados ao uso dos medicamentos fora das indicações aprovadas.
Uso responsável como premissa
Os medicamentos agonistas de GLP-1 são indicados para o tratamento clínico de diabetes tipo 2, obesidade e esteatose hepática (excesso de gordura no fígado), sempre sob prescrição e acompanhamento médico. O uso indiscriminado, sem indicação clínica adequada, é apontado pelo órgão regulador como um fator agravante nos registros de eventos adversos.
A Anvisa reafirma que, até o momento, a análise consolidada dos dados disponíveis não indica necessidade de revisão da relação de risco-benefício dos medicamentos para as indicações aprovadas. O acompanhamento, no entanto, segue ativo e contínuo — e o órgão encoraja profissionais de saúde e pacientes a notificarem quaisquer reações adversas no VigiMed, contribuindo para o aperfeiçoamento do monitoramento.
O debate sobre o uso seguro das canetas emagrecedoras é urgente e necessário. O que você acha das medidas adotadas pela Anvisa para monitorar esses medicamentos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria nas suas redes sociais para ampliar o debate!
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