Banco Master pagou R$ 41,7 milhões a políticos e ex-ministros em 2025
Documentos da Receita Federal revelam repasses a nomes como Temer, Meirelles, Lewandowski e ACM Neto; valores acendem alerta sobre influência no poder
Em resumo
Banco Master declarou ao menos R$ 41,7 milhões em pagamentos a ex-ministros, dirigentes partidários e autoridades em 2025
Entre os beneficiários: escritório de Michel Temer (R$ 10 mi), Henrique Meirelles (R$ 8,6 mi), Guido Mantega (R$ 8 mi) e ACM Neto (R$ 1,8 mi)
Contratos foram firmados como consultoria jurídica, institucional ou de análise político-econômica
Por que isso importa: a revelação ocorre em ano pré-eleitoral e reacende o debate sobre os limites entre advocacia, lobby e influência no aparelho de Estado
Documentos da Receita Federal acessados por O GLOBO revelam que o Banco Master, instituição financeira sob investigação, declarou ao menos R$ 41,7 milhões em pagamentos a políticos, ex-ministros e dirigentes partidários ao longo de 2025. Os repasses, registrados como consultorias jurídicas e institucionais, atingem nomes de peso do cenário nacional — como o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda. A informação ganha relevância estratégica em um momento de transição política e escrutínio crescente sobre as relações entre poder econômico e influência institucional.
“Atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país” — Antônio Rueda, em nota sobre contratos com o Banco Master
Quem recebeu e quanto foi pago
Os dados declarados à Receita Federal pelo Banco Master, sob controle de Daniel Vorcaro, apontam uma rede de contratos que conecta a instituição a figuras centrais da República. Veja os principais valores:
Escritório do ex-presidente Michel Temer: R$ 10 milhões
Empresa do ex-ministro Guido Mantega (Fazenda): R$ 8 milhões
Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda: R$ 8,6 milhões
Consultoria do ex-ministro Ronaldo Bento: R$ 6,2 milhões
Empresa do ex-ministro Fabio Wajngarten: R$ 3,8 milhões
Escritório de Ricardo Lewandowski e familiares: R$ 2,3 milhões
Consultoria de ACM Neto, pré-candidato ao governo da Bahia: R$ 1,8 milhão
Escritório de Antônio Rueda, presidente do União Brasil: R$ 1 milhão
Os valores não indicam, por si só, irregularidade. Contudo, a concentração de repasses a agentes com trânsito em Brasília, somada ao contexto de investigação do Banco Master, eleva o nível de questionamento sobre a natureza e o propósito dessas contratações.
Consultorias: entre a advocacia técnica e a influência política
No caso de Ricardo Lewandowski (ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça), a declaração de Imposto de Renda do Banco Master registra R$ 2,3 milhões pagos ao seu escritório em 2025. De acordo com a colunista de O GLOBO, Malu Gaspar, o contrato teria começado em 2023 como consultoria institucional do próprio Lewandowski. Após sua saída do escritório para assumir o Ministério da Justiça, em janeiro de 2024, o vínculo foi transferido para seu filho, Enrique Lewandowski, que passou a prestar consultoria sobre temas fiscais e tributários.
Em nota, Lewandowski afirmou que retornou à advocacia em abril de 2023, após deixar o STF, e que “além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”. A nota acrescenta que, ao assumir o Ministério da Justiça, ele suspendeu seu registro de advogado e deixou a sociedade com familiares, “como determina a legislação vigente”.
Já Antônio Rueda, líder do União Brasil na Câmara, admitiu em março ter prestado serviços advocatícios ao Master, com “dezenas de pareceres e centenas de reuniões”. Em nota, classificou a relação como “atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país”, executada “dentro dos mais rigorosos padrões legais e éticos”.
“Prestou serviços de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional” — ACM Neto, em resposta ao GLOBO
ACM Neto e o fluxo de recursos via Coaf
Os dados da Receita Federal também apontam o pagamento de R$ 1,8 milhão a uma empresa de consultoria em nome de ACM Neto (ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia) em 2024. Segundo alerta enviado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre março de 2023 e maio de 2024, a companhia recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master.
Em texto enviado ao GLOBO, ACM Neto afirmou que constituiu a empresa após deixar o cargo público e que prestou serviços a clientes como o Banco Master e a Reag, “com contratos formais, devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados”.
O contexto institucional: por que esses números importam
A revelação dos pagamentos do Banco Master ocorre em um momento de alta sensibilidade política. O ano de 2025 marca o início do ciclo pré-eleitoral para as eleições de 2026, período em que a definição de alianças, o acesso a recursos e a construção de narrativas ganham intensidade.
Além disso, o Banco Master está sob escrutínio de órgãos de controle e investigação. Nesse cenário, contratos de consultoria com figuras que transitam entre o setor público e o privado — especialmente ex-ministros, ex-presidentes e líderes partidários — naturalmente suscitam questionamentos sobre:
A fronteira entre assessoria técnica e influência política
O uso de estruturas jurídicas para viabilizar acesso privilegiado a tomadores de decisão
A transparência e a prestação de contas em relações que envolvem dinheiro público indireto ou regulação financeira
O que dizem as regras — e o que elas não dizem
A legislação brasileira permite que ex-agentes públicos atuem na advocacia privada, inclusive prestando serviços a empresas reguladas. No entanto, há restrições temporais e temáticas: a Lei de Conflito de Interesses (Lei 12.813/2013) impõe quarentena de seis meses para ex-autoridades que queiram atuar em assuntos relacionados às pastas que ocuparam.
No caso de Lewandowski, por exemplo, a transferência do contrato para o filho após sua nomeação para o Ministério da Justiça segue a letra da lei. Mas a percepção pública — elemento central na política — nem sempre acompanha a tecnicidade jurídica. E é nesse espaço entre o legal e o legítimo que se trava parte relevante do debate democrático.
Próximos passos e o que observar
A divulgação dos dados da Receita Federal tende a gerar novos desdobramentos:
Possíveis questionamentos por parte de órgãos de controle sobre a natureza dos contratos
Repercussão no Congresso, especialmente entre bancadas que têm entre seus líderes nomes citados
Pressão por maior transparência em contratações de consultoria por instituições financeiras sob investigação
Para o leitor que acompanha os bastidores do poder, a lição é clara: em política, os números raramente falam sozinhos. O que importa é entender quem os movimenta, por que caminhos e com quais consequências para o jogo institucional.
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