Após 11 dias da operação da PF, Sóstenes Cavalcante registrou venda de casa em Minas e diz ter recebido R$ 500 mil em espécie
Registro de venda feito dias após operação da Polícia Federal reacende questionamentos sobre origem de recursos, uso de dinheiro em espécie e declarações patrimoniais do líder do PL na Câmara
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, registrou em cartório, no dia 30 de dezembro, a escritura de venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG), 11 dias depois de uma operação da Polícia Federal (PF) encontrar R$ 430 mil em dinheiro em seu apartamento funcional em Brasília (DF). À época, o parlamentar afirmou que o montante em espécie era resultado da venda de uma casa no Triângulo Mineiro.
A informação foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo O GLOBO. Segundo a escritura obtida pelo jornal carioca, o imóvel, situado na Avenida 29, região central de Ituiutaba, foi vendido por R$ 500 mil ao advogado Thiago Ferreira de Paula, cujo escritório fica a menos de 500 metros da residência negociada.
O documento aponta que a quantia teria sido recebida por Sóstenes Cavalcante no dia 24 de novembro, “com dinheiro em espécie”, cerca de um mês antes do registro em cartório. Ainda conforme a escritura, a “celebração do contrato de compra e venda” teria ocorrido nessa data, embora a formalização só tenha sido concluída após a operação da PF em dezembro.
A escritura foi assinada por meio da plataforma e-Notariado, sistema que permite a realização de atos cartoriais de forma remota. O documento não especifica o local físico da assinatura. Procurados por veículos de imprensa, tanto o deputado quanto o comprador não responderam aos questionamentos sobre a transação.
No dia da operação da Polícia Federal, o parlamentar justificou a presença do dinheiro em sua residência afirmando que ainda não havia depositado os valores em sua conta bancária. “Recebi recentemente o dinheiro e com essa correria de trabalho acabei não fazendo o depósito. Inclusive (com) parte dele estou pensando em fazer outros negócios. Foi simplesmente um lapso. Ninguém pega dinheiro ilícito e coloca dentro de casa. Peguei o dinheiro e guardei”, declarou.
O imóvel negociado possui, segundo a descrição disponível, terreno de aproximadamente 275 metros quadrados, duas suítes, área destinada a escritório, portão eletrônico e garagem para até três veículos. O deputado afirmou ter realizado reformas ao longo do período em que foi proprietário da casa.
No início de 2025, a residência foi anunciada por uma corretora local por R$ 690 mil, valor superior ao preço registrado na escritura e mais que o dobro do que foi pago na aquisição. Registros em redes sociais até o dia 12 de novembro indicavam que o imóvel ainda estava à venda. O anúncio trazia como contato o número do pastor Eraldo Cavalcante, pai do deputado e líder de uma igreja da Assembleia de Deus em Ituiutaba.
Natural de Alagoas, Sóstenes Cavalcante viveu parte da juventude em Ituiutaba. Ele relata ter atuado como líder estudantil no município antes de se tornar pastor evangélico. Em 2022, ele e o pai foram homenageados com títulos de “cidadão de Ituiutaba” concedidos pela Câmara de Vereadores de Ituiutaba. Na ocasião, o parlamentar afirmou que destinaria uma emenda de R$ 1 milhão para a cidade, embora seu mandato seja vinculado ao Rio de Janeiro, seu estado eleitoral.
Na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral nas eleições de 2022, Sóstenes Cavalcante declarou possuir R$ 4,9 mil em contas bancárias e não informou outros bens. Poucos meses depois, em fevereiro de 2023, ele e a esposa, a cantora gospel Isleia Cavalcante, adquiriram o imóvel em Ituiutaba por R$ 310 mil. O casal é casado sob o regime de comunhão parcial de bens.
Até o momento, não há confirmação pública de investigações adicionais sobre a origem dos recursos utilizados na transação imobiliária. Informação insuficiente para verificar se houve abertura de novos procedimentos formais após o registro da escritura.
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Palavras-chave
Sóstenes Cavalcante, Partido Liberal, Polícia Federal, venda de imóvel, dinheiro em espécie, Ituiutaba, e-Notariado, transparência patrimonial, Câmara dos Deputados.
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