Alinhamento entre Trump e Big Techs desafia regulação em ano eleitoral decisivo para o Brasil
Por Andressa Michelotti*
Se o primeiro mandato de Donald Trump foi marcado por tensões com as Big Techs, o primeiro ano do segundo mandato do presidente estadunidense consolidou a renovação do pacto entre essas empresas e o governo dos Estados Unidos. Em retrospectiva, essa simbiose entre interesses econômicos, políticos e ideológicos iniciou-se antes mesmo que Trump voltasse à Casa Branca, embora esteja diretamente vinculada a este retorno. A compra do Twitter por Elon Musk, em 2022, marcou o início de uma recalibragem que se cristalizou com a vitória do republicano e a mudança de políticas da Meta anunciada por Mark Zuckerberg no início de 2025.
A posse de Trump 2.0, há um ano, expôs uma nova configuração de “tecno-poder”, simbolizada pela foto dos líderes das Big Techs na cerimônia inaugural. Esse alinhamento entre os “broligarcas” do Vale do Silício e a agenda trumpista resulta em uma influência global sem precedentes, permitindo que as Big Techs possam decidir, unilateralmente, quando cooperar com governos ao redor do mundo.
Tal autonomia é hoje respaldada pela postura da administração Trump, que compreende a hegemonia algorítmica estadunidense como um pilar de poder geopolítico inegociável. Na prática, as Big Techs contam agora com o peso de Washington para operar sob um cálculo que avalia se o custo político-econômico de cumprir regras locais é maior do que desafiá-las. Quatro fatores centrais compõem a régua para essa tomada de decisão:




